Agora,
vou analisar o livro de um autor clássico da literatura brasileira: Graciliano
Ramos. Mas, não será por sua obra mais conhecida. O escritor de Vidas Secas
também escreveu outras duas histórias chamadas Histórias de Alexandre
(1944) e A Terra dos Meninos Pelados (1939), que foram publicadas
postumamente no livro Alexandre e Outros Heróis (1962) junto com o texto
Pequena História da República (1940).
Em Histórias de Alexandre, Alexandre
é um sertanejo velho de olho torto. Mas ele teve muitas aventuras e várias
pessoas vão até sua casa para ouví-las. Então, ele e sua esposa Cesária os
entretém com suas histórias...
Histórias de Alexandre me
lembrou bastante o livro Aventuras do Barão de
Munchhausen*, em que o protagonista conta
suas aventuras de cunho cartunesco, bastante improváveis de acontecer na
realidade, como por exemplo montar num bode do tamanho de um cavalo, colocar um
olho do lado contrário, podendo visualizar o interior da sua cabeça e seus
pensamentos, uma cascavel de dois metros morder um estribo e um mês
depois ele inchar com o veneno etc. Acho que o diferencial dessas histórias são
que além de terem ocorrido em lugares e épocas diferentes, Alexandre possui
ouvintes mais memoráveis, sendo eles: Cesária, a esposa que ajuda a contar as
histórias, Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal; seu Libório,
cantador de emboladas; mestre Gaudêncio, curandeiro; e o cego preto Firmino,
que é o que mais pede detalhe e critica quando algo falta na narrativa,
deixando Alexandre irritado.
Tive um pouco de dificuldade com
algumas palavras nordestinas sobre a fauna e flora local como por exemplo
guariba, que descobri ser depois uma espécie de macaco. Isso é recorrente em
toda leitura que faço de um livro tanto regionalista quanto antigo.
Em A Terra dos Meninos Pelados,
Raimundo tinha a cabeça calva, um olho preto e outro azul. Por causa de sua
aparência incomum, era caçoado pelos outros meninos. Mas ao fechar os olhos, ia
para a terra de Tatipirun, onde todos tinha a mesma aparência que ele...
Este conto é para o público
infanto-juvenil e mostra uma criança usando a imaginação para escapar da
solidão. Também mostra o desejo de Raimundo de se encaixar, desejando que
sua aparência fosse comum. Por esse motivo as crianças de Tatipirun são carecas
e tem um olho preto e outro azul.
O último texto do livro é Pequena
História da República, onde o autor descreve como surgiu a república no
Brasil até 1930, dando um pouco de sua opinião sobre estes eventos. Tenho que
confessar que não consegui ler até o final pois achei o assunto muito chato.
As duas primeiras narrativas valem
a pena ler. Quanto a última, apenas se você gostar da história do Brasil. Todas
elas são encontradas em livros separados, mas se deseja encontrá-las num só
lugar, recomendo esta edição. Só cuidado para não a confundir com outra como
Alexandre confundiu uma onça com uma égua.
*Resenha
do livro: Ponte
para o Imaginário: Looney Tunes da Literatura

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