terça-feira, 18 de agosto de 2026

Quando Curupira encontra Kappa

 


         Vocês já tiveram um livro bilíngue? O que eu tenho em mãos é desse tipo. Quando Curupira encontra Kappa é uma história infantil escrita por Fernanda Takei em 2023 e seu texto está escrito em português com a tradução em japonês ao lado, que é muito interessante para alguém que esteja aprendendo japonês ou vice-versa.

            O Curupira e o Kappa decidiram se juntar para proteger a natureza e viajam juntos em busca de outros seres encantados para ajudá-los.

            A história junta elementos dos folclores japonês e brasileiro, com um glossário no final explicando cada um deles, que é uma boa fonte de curiosidade para aqueles que gostam de seres fantásticos. O texto tem formato de poesia, com algumas rimas que atraem o seu público, mas que no meu caso, preferiria que estivesse no estilo prosa.

            Se tivesse que falar algo de negativo do livro seria a ilustração, que não é do meu gosto. Mas de forma geral, é um bom livro e recomendo. Só cuidado para não encontrar o Curupira junto com o Kappa, pois ninguém consegue parar essa duplinha.

 


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Minha Primeira Light Novel

 


        Vocês sabem o que são light novels? São romances de origem japonesa de leitura rápida e com linguagem simples. Elas possuem algumas ilustrações e, normalmente, são para o público adolescente ou jovem adulto. Muitas animações japonesas são adaptações de light novels. E uma delas finalmente chegou ao Brasil! Diários de uma Apotecária é uma light novel escrita por Hyuganatsu em 2014.  Sua primeira versão foi escrita em 2011, como uma web novel (romance que veio da internet), sendo esta considerada uma espécie de rascunho e tendo sofrido algumas mudanças na história ao se tornar uma light novel. Conheci Diários de uma Apotecária através de sua animação, que é uma adaptação da light novel. Será que seu material original é tão bom quanto sua adaptação? Vamos descobrir:

            Maomao era uma apotecária que foi sequestrada e vendida como serva do palácio interno, lugar onde viviam as cortesãs do imperador. Isso foi algo bem inconveniente, mas pelo menos ganhava salário e se completasse suas tarefas direitinho, em alguns meses estaria livre para retornar a sua casa. No palácio interno, há um rumor que os filhos do imperador sofrem de uma maldição e morrem ainda bebês. Recentemente, dois deles ficaram doentes: a menina de seis meses da consorte Gyokuyou e o menino de três meses da consorte Lihua. Maomao não acredita que seja uma maldição. Ela acaba se deixando levar pela curiosidade e decide investigar o caso.

            A história foca em várias situações que Maomao investiga, usando seu conhecimento como apotecária e fazendo com que ela, sem intenção, suba de cargo e conheça pessoas poderosas. E apesar de ser a protagonista, o ponto de vista não é só dela. Outros personagens como Jinshi também dividem a perspectiva no livro, que é narrado em terceira pessoa.

            Quanto aos personagens, dou destaque em dois: Maomao, que é a protagonista tem uma personalidade peculiar. Ela não é uma garota muito feminina, mas também não é um clichê das romantasias atuais da jovem rebelde guerreira que quer acabar com o sistema. Apesar de ter um senso de justiça, Maomao prefere não chamar a atenção para algo que possa lhe causar problemas depois. É bem calma e introvertida, mas se empolga quando o assunto é venenos, fazendo experimentos em si mesma para testá-los. Adoro essa personagem e é minha favorita da obra. O segundo personagem é o Jinshi, um eunuco com aparência de dama celestial, que usa de seu encanto para as pessoas abaixarem a guarda, mas que por trás dessa máscara, esconde uma pessoa infantil e um pouco mimada. Maomao não é afetada pelo seu charme e isso o fez querer zoar ela, aproveitando que está num cargo superior ao dela. Não gosto muito do jeito que ele a trata, porém existe uma implicação que eles podem ficar juntos no final. Espero que isso seja mais bem desenvolvido no futuro. Os secundários também são bons e cumprem bem suas funções.

            Gostei do livro. O único problema foi que eu já sabia tudo o que ia acontecer, pois já tinha assistido a animação. Pelo que pesquisei, a primeira e a segunda temporada do anime (animação japonesa) adaptaram os quatro primeiros volumes da light novel. E como é o Brasil que estamos falando, sinto que a tradução não deve chegar antes da terceira temporada, que estreia em outubro deste ano. Mas a boa notícia é que Diários de uma Apotecária ficou em primeiro lugar no ranking de livros mais vendidos. Quem sabe isso não motive as continuações a virem mais rápido e a traduzirem outras light novels de estilo parecido como Raven of the Inner Palace (O Corvo do Palácio Interno) e Though I Am na Inept Villainess (Embora eu seja uma Vilã Inepta). Recomendo sua leitura para pessoas de catorze para cima devido a alguns temas que não são bons para gente mais nova. Leiam e cuidado com o que bebem. Pode estar envenenado.


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Biblioteca no Prédio

 


            Existem vários tipos de biblioteca: bibliotecas comunitárias, que focam numa comunidade local; bibliotecas escolares, que focam nos alunos e professores de uma escola; bibliotecas universitárias, que focam no corpo discente e docente de uma universidade; bibliotecas especializadas, cujo acervo tem uma temática específica, como por exemplo a biblioteca do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), que é voltada para a física; e a biblioteca pessoal, que você como leitor personaliza com base nos seus gostos. Mas vocês já ouviram falar em uma biblioteca de prédio?

            O prédio dos meus pais decidiu fazer uma e todos os moradores podem deixar livros que não desejam mais para que outros possam pegar e devolver após a conclusão da leitura. Achei essa ideia interessante, porém, tenho algumas ressalvas. Por mais que essa biblioteca seja um bom incentivo para a leitura, seu acervo é composto em sua maioria por livros de autoajuda, que quase ninguém lê. Os livros que mais vi sendo pegos foram os infantis, sendo que alguns deles não foram devolvidos até hoje. Por essa razão, a pessoa que deixou o livro lá tem que estar desapegada dele, pois há chance de ele não ser devolvido. Um bibliotecário faz falta nessas horas... O último ponto negativo foi o local de escolha para a biblioteca. Por mais que ela esteja localizada na parte coberta do playground, chuva com ventania ainda podem deixar os livros molhados e úmidos. Por isso, recomendaria deixá-la num ambiente mais fechado do prédio.

            Se derem um jeito nos pontos negativos, acredito que essa iniciativa pode dar certo e ajude a trazer mais pessoas para o mundo da leitura. Compartilhe essa ideia com seus vizinhos e síndico. Quanto mais leitores formarmos, mais chance temos de desenvolver pessoas inteligentes, pois uma boa leitura ajuda a exercitar o seu cérebro, desenvolvendo sua imaginação e te fazendo refletir.

            





sexta-feira, 3 de julho de 2026

Curupira e o equilíbrio da natureza


            Já leram algum livro na infância que vocês se lembram da história, mas não se lembram do título? Aconteceu comigo e, depois de muitos anos, finalmente o encontrei. Curupira e o equilíbrio da natureza foi escrito em 1993 pelo biólogo Samuel Murgel Branco, que também escreveu outras duas obras envolvendo figuras folclóricas e o meio ambiente, como O Saci e a reciclagem do lixo e Iara e a poluição das águas. Conheci este livro através da escola pelo programa do PLIC, que era um grupo de livros selecionados pala coordenação da escola. Cada criança levava um deles para ler em casa e depois fazia uma atividade como pintar a carinha feliz, normal ou zangada para indicar se gostou ou não da obra e desenhar sua parte favorita da história. Como vocês podem ver, eu fazia resenha de livros desde aquela época. Mas será que este livro continua bom agora que reli depois de adulta? Vamos descobrir.

            O Curupira não gosta quando os homens matam um animal sem necessidade. Mas ele já foi bem mais rigoroso no passado, acreditando que nenhum animal deveria se alimentar do outro e que todos deveriam comer plantas, pois elas eram capazes de crescer de novo. Por isso, decretou uma lei que proibia o consumo de carne na floresta. Qual será que foi o resultado?

            O tema do livro é a cadeia alimentar e o quanto ela é importante para que o ecossistema continue funcionando. Tudo isso é ensinado através da perspectiva do Curupira, figura do nosso imaginário popular que chama a atenção da criança, junto com os animais falantes. Apesar da história ser curta, seu texto é grande, por isso recomendo sua leitura para crianças a partir dos oito anos.

            Além da temática, sua ilustração também havia ficado em minha memória. Por isso, comprei a edição ilustrada por Lélis, que foi a versão que li quando era pequena. Coincidentemente, ele também ilustrou Aventuras do Barão de Münchhausen*, obra que já fiz resenha neste blog.

            É um bom livro. Gostei de ter relido. Recomendo sua leitura. Se deseja conhecê-lo, vá até a mata. Só não tente atacar um animal sem necessidade. Você não vai querer ver o Curupira zangado.

 

 

 

 

*Resenha do livro Aventuras do Barão de Münchhausen: Ponte para o Imaginário: Looney Tunes da Literatura


 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Idealização do Outro

 


            Quando foi a última vez que trouxe um clássico brasileiro para o blog? Já faz um tempo não? Senhora foi publicado pela primeira vez em 1874, no formato de folhetim, e lançado como livro um ano depois. Foi escrito por um dos grandes autores do romantismo brasileiro, José de Alencar. Será que é bom? Vamos descobrir:

            Aurélia Camargo é uma moça que roubava a atenção de vários homens. Mas por achar que a queriam por sua riqueza, desdenhava deles. Ao ver que uma colega sua ficou noiva de um homem que não amava, Aurélia decide tomar este noivo para si oferecendo uma quantia maior de dote, mas pedindo a seu tio e tutor, Lemos, que deixasse o seu nome em segredo. Porém, neste ato de bondade, Aurélia esconde uma razão egoísta...

            Desta vez, farei diferente. Ao invés de começar pela análise da história, iniciarei pela descrição dos personagens. Como dito no resumo acima, Aurélia é uma moça independente, que desdenha daqueles que preferem a riqueza ao amor e por trás de sua máscara irônica, esconde uma mulher romântica. Quanto a Fernando Rodrigues de Seixas, o homem com quem a jovem se casa, é o seu primeiro amor, e apesar de ter trocado seu amor por Aurélia para casar por interesse, ainda possui um certo orgulho que faz cumprir com seu compromisso. O foco nos outros personagens é menor. As irmãs e mãe de Seixas serviram para mostrar as dificuldades financeiras que ele passava e o porquê de procurar uma noiva com grande dote, mas só tiveram aparição genuína em um capítulo. Isso também ocorre com Lemos, o tio interesseiro de Aurélia, que foi relevante para trama do casamento e para o passado de Aurélia. Depois, perdeu a importância. D. Firmina só serve como uma viúva que acompanha a moça. Adelaide Amaral e Eduardo Abreu, ex-noiva de Seixas e antigo pretendente de Aurélia respectivamente  só servem para fazer ciúmes ao casal.

            Como deu para perceber pelo parágrafo acima, a história foca no relacionamento de Aurélia e Fernando, o que não é de se surpreender, pois o livro é um clássico do romantismo brasileiro. Ambos começam seu casamento mal pois ao descobrir que foi “comprado” por Aurélia, Fernando cumpre o acordo, só obedecendo o que a moça deseja quando esta o ordena, sem lhe dar o amor que a jovem desejava. Enquanto Aurélia, queria que este se desculpasse por tê-la deixado não por amor a outra, mas sim pelo dinheiro e, como ele é muito orgulhoso, não o fez. Então, Aurélia acabava fazendo algumas vingancinhas para irritá-lo. A lição do livro é clara: casamento por interesse não traz felicidade. Apesar dos dois se amarem, o dinheiro e a “compra” os fizeram amargos um com o outro.

Porém, outra coisa me chamou a atenção que foi a idealização de Aurélia com relação ao amor: “Aurélia amava mais seu amor, do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem”. Isso de esperar que seu amado seja do jeito que você imaginou ao invés de quem ele é verdadeiramente,  é algo que várias mulheres fazem e acabam se decepcionando. Aurélia quis se casar com seu primeiro e único amor esperando que acontecesse tudo do jeito que ela queria só para se decepcionar depois. Para um livro da era do romantismo, ele é bastante realista.

            Senhora faz parte dos três romances urbanos de Alencar, junto com Lucíola e Diva. Este último é mencionado na obra, tendo sido lido pelos protagonistas, com Fernando achando a mocinha pouco realista e Aurélia discordando dele, dizendo que se alguém contasse a história deles, também soaria inverossímil. Não sou contra esse tipo de artimanha, só acho que seria mais fascinante para o fã dessas histórias que os personagens de Diva existissem no mesmo mundo que os de Senhora. Algo interessante é que o narrador comenta que a história de Aurélia seria escrita por este mesmo autor, como se o que tivesse ocorrido no livro fosse real.

            Esperava mais dessa história. Apesar do final feliz, achei que teve poucos momentos de Aurélia e Fernando se amando para merecer este final. Mas se você deseja começar a ler clássicos brasileiros, este é um dos mais fáceis de entender. E por se tratar de um clássico, existem várias edições. Apesar da letra ser bem pequena, a minha edição  contém curiosidades no final sobre o autor e a obra. Então, escolha com carinho e deixe de lado o seu valor monetário.