Ponte para o Imaginário
sexta-feira, 22 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Releitura Asiática de Os Seis Cisnes
Já
ouviram falar do conto Os Seis Cisnes* dos irmãos Grimm? Ele envolve uma
princesa que deve costurar seis camisas feitas de flor para quebrar a maldição
de seus irmãos, que foram transformados em cisnes por sua madrasta, e tudo
isso, sem que ela pudesse dizer uma palavra sequer. Sabia que esta história
possui uma releitura com elementos asiáticos? Os Seis Grous foi escrito
por Elizabeth Lin em 2021, sendo lançado no Brasil em 2022. Ele possui uma
sequência chamada A Promessa do Dragão e uma prequela com o título Uma
Maldição Dourada. Será que a leitura valeu a pena? Vamos descobrir.
A princesa Shiori era a mais nova de sete irmãos e estava
indo para sua indesejada cerimônia de noivado.
Mas escondida em suas vestes estava Kiki, um pássaro de papel que a
jovem dera vida usando magia, algo proibido em sua nação. Kiki escapou e com
medo de ser descoberta e punida, Shiori foi atrás dela, indo parar no Lago
Sagrado. A moça nadou até lá, porém, suas vestimentas a puxaram para o fundo e
lá ela viu um dragão...
Além dos Seis Cisnes, várias histórias e
lendas asiáticas foram mencionadas na história, como a lenda do coelho da lua,
que é o símbolo do clã Bushian, a lenda da Princesa Kaguya e o mito do fio
vermelho do destino. Mas o que mais me surpreendeu foi a menção do Pote
Vazio, um conto chinês em que o imperador dá a cada criança uma semente
para plantar uma flor e quem plantasse a flor mais bonita dentro de um ano,
seria o seu sucessor. Todos plantaram belas flores, menos um garoto, que tentou
de tudo, mas nada brotou. O imperador o escolheu devido a sua honestidade pois
as sementes que havia dado eram de mentira, indicando que as outras crianças roubaram
na competição. Este livro tem uma releitura legal que combinou com a história.
A história por si só, é o que se espera de uma fantasia
juvenil focado para um público feminino, com uma protagonista de personalidade
forte e a única de seu povo com a habilidade de realizar magias, um romance e
um provável triângulo amoroso. O livro termina em aberto dando margem para sua
sequência.
Quanto
aos personagens, como dito acima, a princesa Shiori, tem personalidade forte e
arrogante, mas teve que passar por uma jornada que a deixou mais humilde e a
valorizar as pequenas coisas. Algo que pode se destacar é seu interesse por
comida. Seus seis irmãos são diferentes o suficiente para sabermos
diferenciá-los. Kiki, o grou de origami é a amiga confidente de Shiori que
coloca bom senso em sua cabeça. Seryu é um dragão arrogante que se importa com
a princesa e foi seu mentor por um tempo. Ele não apareceu muito nesse livro, porém
é bem provável que o vejamos mais na sequência. Takkan, o noivo prometido que Shiori se recusa a conhecer e deseja que desapareça da sua vida. Porém,
ele provou não ser o bárbaro que a princesa havia imaginado. A primeira
antagonista, Raikama, madrasta de Shiori, não é o que parece ser. Os outros
antagonistas são genéricos, vilões típicos que querem poder.
O livro é cheio de clichê? Sim, mas depois de ter lido Lilith
de George MacDonald, ler algo mais simples e familiar ajudou a relaxar. Os
Seis Grous é um bom livro para o público designado, apesar de não ser perfeito.
Veremos se melhora na sequência. Nos encontramos no Reino dos Dragões.
* Vídeo do conto dos Seis Cisnes narrado por mim e ilustrado por Maya Flor: Os Seis Cisnes dos Irmãos Grimm
sexta-feira, 1 de maio de 2026
O Castelo no Espelho
Gostam de um livro que faz referências a contos de fadas? Então é bem provável que esse livro seja para você. O castelo no espelho foi escrito por Mizuki Tsujimura em 2017, sendo lançado no Brasil em 2024. O romance teve uma adaptação cinematográfica em formato de anime em 2022 no Japão, que infelizmente não consegui assistir.
Kokoro deixou de ir para a escola devido ao bullying que ela sofria. Ela vivia em seu quarto assistindo televisão, até que seu espelho começou a brilhar. Ao tocá-lo, ele a transportou para um castelo magnífico com uma estranha garotinha usando máscara de lobo. Kokoro quis voltar para casa, mas a menina-lobo a agarrou, dizendo que se ficasse, poderia realizar um desejo...
Como disse no primeiro parágrafo, este livro traz muitas referências aos contos de fadas, que também são ditas pela boca da própria protagonista, que é fã dessas histórias. Mas os dois contos mais mencionados são A Chapeuzinho Vermelho e O Lobo e os Sete Cabritinhos*, sendo este segundo escrito pelos irmãos Grimm e é bastante popular no Japão, onde a história se passa. Aconselho a ler este último para melhor entendimento. Clássicos como Alice no País das Maravilhas, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter também são mencionados.
A história mistura a realidade com a fantasia, em que a protagonista sai de sua vida normal e vai para um local diferente, e este lugar se torna literalmente, a sua forma de escape. Mas também a ajuda a lidar com seus problemas através da conversa e da amizade que ela forma com os outros competidores que estão em busca da chave. Dentre os dois, o livro foca mais no drama dos personagens e suas relações enquanto a fantasia fica como pano de fundo, o que pode deixar aqueles que esperavam encontrar seres mágicos e outros desafios fantásticos decepcionados, pois não há nada disso aqui.
Quanto aos personagens, os que mais se destacam são os jovens que competem pela chave. Kokoro, a protagonista, é uma menina tímida que gosta de ler, jogar e assistir novela. Fuka é introvertida, séria e não tem medo de dizer algumas verdades na cara. Aki é extrovertida, mas um pouco problemática. Masamune é um garoto sarcástico, viciado em jogos. Ureshino é um garoto gordinho que se apaixona facilmente e não tem medo de se expressar. Subaru é um garoto calmo e Rion é o mais atlético. Tanto ele quanto o Subaru são os mais genéricos do grupo em termos de personalidade. De importância, obviamente a Kokoro vem em primeiro por ser a principal, seguida por Rion e Aki. Os outros tiveram um tempo razoável para brilhar, com exceção de Subaru, que poderia ter tido um pouco mais de desenvolvimento.
O livro tem um final agridoce, porém, sua leitura valeu a pena, por isso o recomendo para jovens e adultos. E lembrem-se: se tiver em um dia ruim, dê uma olhada no seu espelho. Talvez ele brilhe e abra uma passagem para outro mundo.
*Se desejam conhecer mais dessa história, assistam este vídeo: O Lobo e os Sete Cabritinhos dos Irmão Grimm
sexta-feira, 17 de abril de 2026
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Lilith
Volto depois de muito
tempo com o “avô” da fantasia moderna. Lilith foi escrito por George
MacDonald em 1895. Será que é bom? Vamos descobrir:
Vane herdou uma casa dos pais e aproveitava sua
biblioteca, até que numa tarde, avistou um velho desconhecido pegando um dos
livros. Como este desapareceu, acreditou que não passasse de uma ilusão, mas ao
ir em direção onde estava o livro, viu que este havia realmente sumido. Na
manhã seguinte, o objeto estava de volta ao seu lugar. Porém, três dias depois, o mesmo fenômeno
voltara a acontecer, só que com um livro que estava preso e ninguém nunca
conseguiu tirar. O mordomo lhe contou sobre a lenda do senhor Corvo, um antigo
bibliotecário que servia o senhor Ascendente, um homem que lia de tudo, até que
os dois sumiram, e disse que esta aparição que Vane vira era o senhor Corvo.
Semanas depois, ele o viu novamente e o seguiu até um sótão. O velho sumira de
novo. No local, havia um espelho que não refletia e sim mostrava um local
selvagem. Vane achou que fosse uma pintura, até que avistou um corvo se mexer
lá dentro e ao se aproximar, começou a cair de uma grande altura...
Como você espera que seja a escrita do autor que foi
mentor de Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas)? Como devia
esperar do escritor de Phantastes, Lilith tem uma narrativa nonsense,
que só começa a fazer sentindo no meio até que chega no final e volta a ser nonsense.
Este
livro também é classificado como ficção cristã, contendo personagens da Bíblia
que não irei mencionar para não dar spoilers. Mas uma figura que posso comentar
é a de Lilith. Existe um mito de que ela foi a primeira mulher de Adão apesar
da Bíblia nunca mencionar o seu nome. Há esta interpretação devido a uma
passagem bíblica que Deus menciona que criou um homem e uma mulher e em outro capítulo
especifica que criou Adão e das costelas dele, criou Eva. Na história do Alfabeto
de Bem Sirach (entre 700 e
1000 d.C), Lilith é mulher de Adão, que o abandona e
se junta a espíritos do mal. Três anjos tentam buscá-la e ameaçam matar cem
filhos dela se ela não voltar. Ela recusa e os anjos ameaçam afogá-la. Ela
recusa novamente, dizendo que foi criada para causar doenças em bebês. Ela faz
o juramento aos anjos que aceitaria ter cem filhos dela mortos e se visse os
nomes dos três anjos, não faria mal a nenhum bebê. Essa é uma explicação do
porquê os judeus faziam amuletos com o nome desses anjos para proteger os
bebês. O autor deve ter se inspirado nessa história para criar a vilã do seu
romance.
Agora
que falei da vilã, nada mais justo do que eu comentar do mocinho. O senhor Vane
(traduzido como Catavento em português. Prefiro o nome original e é este que
usarei para mencioná-lo) é com quem o leitor irá se identificar nesse mundo
estranho. Seria o equivalente a Alice quando entra no País das Maravilhas, a
pessoa normal que tem que lidar e se adaptar num mundo estranho. Faz perguntas,
mas só recebe enigmas em respostas. Outro personagem que se destaca é o senhor
Corvo, que serve como guia e mentor para o protagonista. Ele é típico homem
misterioso cujas respostas apenas confundem o herói. Não gostei desse
personagem.
Outra
coisa interessante de se comentar é como esse livro demonstra a crença
religiosa do autor. George MacDonald era cristão universalista e acreditava que
todas as almas seriam salvas, mesmos as ruins, passariam por um processo de
purificação antes de irem para o céu.
Devido a este livro se passar num mundo fantástico
estranho, onde minhocas que saem da terra podem voar, certos aspectos podem ser
interpretados de várias formas pelo leitor. Por exemplo, o senhor Vane encontra
em sua jornada um grupo de crianças (os pequeninos) que não cresciam e, se
crescessem, se tornavam gigantes burros e maus. Interpretei como uma metáfora
para o crescimento, onde a criança começa inocente e pura e quanto mais
cresce, mais peca e sua inocência vai desaparecendo. O senhor Vane teve medo de
ensinar coisas para os pequeninos devido a esse acontecimento, mas ele aprende com
o senhor Corvo que não é o conhecimento em si que é perigoso e sim o grau de
importância que é dado a ele que pode ser nocivo.
O livro tem uma temática interessante, mas por entrar
muito nesse território nonsense, ele fica confuso e chato para quem não gosta
desta loucura, que é o meu caso. Mesmo que seja um livro dirigido ao público
infanto-juvenil, indico que leia As Crônicas de Nárnia para quem deseja
ler uma fantasia cristã mais pé no chão. Se ainda assim deseja conhecer este
livro, abra a porta para este mundo, só tenha cuidado com os monstros que
encontrar na floresta.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Se Tu Me Quisesse
Depois de um bom tempo, vamos para uma leitura do Kindle.
Se Tu Me Quisesse foi escrito por Jadna Alana em 2022. Escolhi este
livro após assistir um vídeo* que falava sobre literatura steampunk. Será que é
bom? Vamos para a resenha.
Lila saiu de sua velha torre, próxima ao Rio das Piabas,
e viajou até uma vila distante, carregando nas costas asas mecânicas. Ela
assistiu a um show de mágica e seu olhar atraiu o artista Dino. Ele puxa
conversa, mas no final, ela acaba se despedindo dizendo que não o veria mais.
Porém, uma dor no seu coração fez com que ela ficasse...
Os
elementos steampunk são poucos, como as asas mecânicas de Lila e o chapéu de
mágico de Dino, que abre com uma chave. Isso me decepcionou, pois imaginava que
tivesse mais coisas.
O livro é bem curto, contendo apenas oito capítulos e se
trata de duas pessoas, Lila e Dino, que se apaixonam à primeira vista, mas têm
dificuldade de expressar esse sentimento um para o outro. Ambos têm traumas
envolvendo os pais que, no caso de Dino, explica o porquê dele não querer pedir a Lila que ficasse com ele. Enquanto os sentimentos de Lila são representados através
de suas asas, que quando são consertadas por Dino, tira o peso de suas costas e
a faz voar como se a presença do mágico a deixasse mais leve e feliz, fazendo-a
esquecer da solidão.
Uma
história bonitinha, porém previsível. Esperava algo mais dela. Mas se deseja
conhecê-la, saia de casa e caminhe. Quem sabe você não encontre um mágico no
caminho.
*Link para o vídeo: Cyberpunk, Solarpunk e
Steampunk - O que são? + Dicas de livros ✨ - YouTube







