Ponte para o Imaginário
sexta-feira, 24 de julho de 2026
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Biblioteca no Prédio
Existem vários tipos de
biblioteca: bibliotecas comunitárias, que focam numa comunidade local;
bibliotecas escolares, que focam nos alunos e professores de uma escola;
bibliotecas universitárias, que focam no corpo discente e docente de uma
universidade; bibliotecas especializadas, cujo acervo tem uma temática
específica, como por exemplo a biblioteca do CBPF (Centro Brasileiro de
Pesquisas Físicas), que é voltada para a física; e a biblioteca pessoal, que
você como leitor personaliza com base nos seus gostos. Mas vocês já ouviram
falar em uma biblioteca de prédio?
O prédio dos meus pais decidiu fazer uma e todos os
moradores podem deixar livros que não desejam mais para que outros possam pegar
e devolver após a conclusão da leitura. Achei essa ideia interessante, porém,
tenho algumas ressalvas. Por mais que essa biblioteca seja um bom incentivo
para a leitura, seu acervo é composto em sua maioria por livros de autoajuda,
que quase ninguém lê. Os livros que mais vi sendo pegos foram os infantis,
sendo que alguns deles não foram devolvidos até hoje. Por essa razão, a pessoa
que deixou o livro lá tem que estar desapegada dele, pois há chance de ele não
ser devolvido. Um bibliotecário faz falta nessas horas... O último ponto
negativo foi o local de escolha para a biblioteca. Por mais que ela esteja
localizada na parte coberta do playground, chuva com ventania ainda podem deixar
os livros molhados e úmidos. Por isso, recomendaria deixá-la num ambiente mais
fechado do prédio.
Se derem um jeito nos pontos negativos, acredito que essa
iniciativa pode dar certo e ajude a trazer mais pessoas para o mundo da
leitura. Compartilhe essa ideia com seus vizinhos e síndico. Quanto mais
leitores formarmos, mais chance temos de desenvolver pessoas inteligentes, pois
uma boa leitura ajuda a exercitar o seu cérebro, desenvolvendo sua imaginação e
te fazendo refletir.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Curupira e o equilíbrio da natureza
Já leram algum livro na
infância que vocês se lembram da história, mas não se lembram do título?
Aconteceu comigo e, depois de muitos anos, finalmente o encontrei. Curupira
e o equilíbrio da natureza foi escrito em 1993 pelo biólogo Samuel Murgel
Branco, que também escreveu outras duas obras envolvendo figuras folclóricas e
o meio ambiente, como O Saci e a reciclagem do lixo e Iara e a
poluição das águas. Conheci este livro através da escola pelo programa do
PLIC, que era um grupo de livros selecionados pala coordenação da escola. Cada
criança levava um deles para ler em casa e depois fazia uma atividade como
pintar a carinha feliz, normal ou zangada para indicar se gostou ou não da obra
e desenhar sua parte favorita da história. Como vocês podem ver, eu fazia
resenha de livros desde aquela época. Mas será que este livro continua bom
agora que reli depois de adulta? Vamos descobrir.
O Curupira não gosta quando os homens matam um animal sem
necessidade. Mas ele já foi bem mais rigoroso no passado, acreditando que
nenhum animal deveria se alimentar do outro e que todos deveriam comer plantas,
pois elas eram capazes de crescer de novo. Por isso, decretou uma lei que
proibia o consumo de carne na floresta. Qual será que foi o resultado?
O tema do livro é a cadeia alimentar e o quanto ela é
importante para que o ecossistema continue funcionando. Tudo isso é ensinado
através da perspectiva do Curupira, figura do nosso imaginário popular que
chama a atenção da criança, junto com os animais falantes. Apesar da história
ser curta, seu texto é grande, por isso recomendo sua leitura para crianças a
partir dos oito anos.
Além da temática, sua ilustração também havia ficado em
minha memória. Por isso, comprei a edição ilustrada por Lélis, que foi a versão
que li quando era pequena. Coincidentemente, ele também ilustrou Aventuras
do Barão de Münchhausen*, obra que já fiz resenha neste blog.
É um bom livro. Gostei de ter relido. Recomendo sua
leitura. Se deseja conhecê-lo, vá até a mata. Só não tente atacar um animal sem
necessidade. Você não vai querer ver o Curupira zangado.
*Resenha do livro
Aventuras do Barão de Münchhausen: Ponte
para o Imaginário: Looney Tunes da Literatura
quinta-feira, 11 de junho de 2026
sexta-feira, 5 de junho de 2026
A Idealização do Outro
Quando foi a última vez
que trouxe um clássico brasileiro para o blog? Já faz um tempo não? Senhora
foi publicado pela primeira vez em 1874, no formato de folhetim, e lançado como
livro um ano depois. Foi escrito por um dos grandes autores do romantismo
brasileiro, José de Alencar. Será que é bom? Vamos descobrir:
Aurélia Camargo é uma moça que roubava a atenção de
vários homens. Mas por achar que a queriam por sua riqueza, desdenhava deles. Ao
ver que uma colega sua ficou noiva de um homem que não amava, Aurélia decide
tomar este noivo para si oferecendo uma quantia maior de dote, mas pedindo a
seu tio e tutor, Lemos, que deixasse o seu nome em segredo. Porém, neste ato de
bondade, Aurélia esconde uma razão egoísta...
Desta vez, farei diferente. Ao invés de começar pela
análise da história, iniciarei pela descrição dos personagens. Como dito no
resumo acima, Aurélia é uma moça independente, que desdenha daqueles que preferem
a riqueza ao amor e por trás de sua máscara irônica, esconde uma mulher
romântica. Quanto a Fernando Rodrigues de Seixas, o homem com quem a jovem se
casa, é o seu primeiro amor, e apesar de ter trocado seu amor por Aurélia para
casar por interesse, ainda possui um certo orgulho que faz cumprir com seu
compromisso. O foco nos outros personagens é menor. As irmãs e mãe de
Seixas serviram para mostrar as dificuldades financeiras que ele passava e o
porquê de procurar uma noiva com grande dote, mas só tiveram aparição genuína
em um capítulo. Isso também ocorre com Lemos, o tio interesseiro de Aurélia,
que foi relevante para trama do casamento e para o passado de Aurélia. Depois,
perdeu a importância. D. Firmina só serve como uma viúva que acompanha a moça. Adelaide
Amaral e Eduardo Abreu, ex-noiva de Seixas e antigo pretendente de Aurélia
respectivamente só servem para fazer
ciúmes ao casal.
Como deu para perceber pelo parágrafo acima, a história
foca no relacionamento de Aurélia e Fernando, o que não é de se surpreender,
pois o livro é um clássico do romantismo brasileiro. Ambos começam seu
casamento mal pois ao descobrir que foi “comprado” por Aurélia, Fernando cumpre
o acordo, só obedecendo o que a moça deseja quando esta o ordena, sem lhe dar o
amor que a jovem desejava. Enquanto Aurélia,
queria que este se desculpasse por tê-la deixado não por amor a outra, mas sim
pelo dinheiro e, como ele é muito orgulhoso, não o fez. Então, Aurélia acabava
fazendo algumas vingancinhas para irritá-lo. A lição do livro é clara:
casamento por interesse não traz felicidade. Apesar dos dois se amarem, o
dinheiro e a “compra” os fizeram amargos um com o outro.
Porém, outra coisa me chamou a atenção que foi a idealização de Aurélia com relação ao amor: “Aurélia amava mais seu amor, do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem”. Isso de esperar que seu amado seja do jeito que você imaginou ao invés de quem ele é verdadeiramente, é algo que várias mulheres fazem e acabam se decepcionando. Aurélia quis se casar com seu primeiro e único amor esperando que acontecesse tudo do jeito que ela queria só para se decepcionar depois. Para um livro da era do romantismo, ele é bastante realista.
Senhora faz parte dos três romances urbanos de
Alencar, junto com Lucíola e Diva. Este último é mencionado na
obra, tendo sido lido pelos protagonistas, com Fernando achando a mocinha pouco
realista e Aurélia discordando dele, dizendo que se alguém contasse a história
deles, também soaria inverossímil. Não sou contra esse tipo de artimanha, só
acho que seria mais fascinante para o fã dessas histórias que os personagens de
Diva existissem no mesmo mundo que os de Senhora. Algo
interessante é que o narrador comenta que a história de Aurélia seria escrita
por este mesmo autor, como se o que tivesse ocorrido no livro fosse real.
Esperava mais dessa história. Apesar do final feliz, achei
que teve poucos momentos de Aurélia e Fernando se amando para merecer este
final. Mas se você deseja começar a ler clássicos brasileiros, este é um dos
mais fáceis de entender. E por se tratar de um clássico, existem várias
edições. Apesar da letra ser bem pequena, a minha edição contém curiosidades no final sobre o autor e a
obra. Então, escolha com carinho e deixe de lado o seu valor monetário.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Dois Irmãos
Lá vou eu fazer a resenha
de um livro que era para ter lido na época de faculdade, mas só li agora. Dois
Irmãos foi escrito por Milton Hatoum no ano 2000. Do que será que ele se
trata? Vamos descobrir:
Yaqub e Omar são gêmeos, descendentes
de libaneses, que moram em Manaus. Apesar da aparência idêntica, Yaqub é mais
introvertido, estudioso e tem uma cicatriz no rosto feita por Omar devido a
ciúmes, enquanto este último é um garoto problema mimado. Quando Yaqub voltou ao
Brasil após passar cinco anos no Líbano, sua relação com Omar parece não ter
melhorado...
A estrutura do livro não é linear. O narrador, que é
filho da empregada, vai e volta na contação da história. O primeiro capítulo
começa com a morte de um dos membros da família enquanto o segundo conta sobre
a infância dos gêmeos, em que a pessoa ainda era viva. Por ser um narrador
personagem, grande parte do livro é contada sobre sua perspectiva e, o que ele
não vivenciou, foi lhe contado por outros personagens. A história, como disse
acima, acontece em Manaus e vai do início do século XX até a ditadura militar.
Por isso, senti um pouco de dificuldade com o nome de animais e plantas dessa
região, além de algumas palavras em árabe, devido a descendência libanesa da
família.
Apesar do título, a história não foca apenas nos irmãos,
e sim na família como um todo. Ela é completamente disfuncional. Já comentei sobre
os Dois Irmãos do título no resumo. Então, dedicarei este parágrafo aos
outros membros da família. O patriarca Halim nunca quis ter filhos e só os teve
devido a uma promessa que fez a esposa. Apesar disso, ele se dá bem com Yaqub e
Rânia. Mas tem uma relação péssima com Omar, que além de ter uma personalidade
“bon vivant” e não quer nada com nada, é muito agarrado com a mãe, Zana, que
desde que Omar era novo, superprotege o filho devido a este ter nascido com
problemas de saúde. Ela não deixa que ele namore sério com nenhuma mulher. Rânia,
a irmã mais nova, parece ter uma admiração incestuosa com os gêmeos. Domingas é
uma indígena que foi “adotada” para ser a empregada da casa, e infelizmente,
nunca conseguiu voltar para sua aldeia. E por último, o narrador, filho de
Domingas, que suspeita que um dos gêmeos seja o seu pai.
Não é um livro que te traz uma sensação boa. Há muitos
conflitos entre os familiares, raiva, ciúmes, rancor e será assim do começo ao
fim. A minha opinião sobre ele é a mesma que sinto com relação aos textos de
Clarice Lispector: é bem escrito, mas me traz desconforto. Por isso, não sei se
devo recomendar ou não. Se a minha resenha te atraiu para o livro, vá em
frente. Espero que o romance não te deixe no mesmo estado de Yaqub quando este
voltou do Líbano.








