Quando foi a última vez
que trouxe um clássico brasileiro para o blog? Já faz um tempo não? Senhora
foi publicado pela primeira vez em 1874, no formato de folhetim, e lançado como
livro um ano depois. Foi escrito por um dos grandes autores do romantismo
brasileiro, José de Alencar. Será que é bom? Vamos descobrir:
Aurélia Camargo é uma moça que roubava a atenção de
vários homens. Mas por achar que a queriam por sua riqueza, desdenhava deles. Ao
ver que uma colega sua ficou noiva de um homem que não amava, Aurélia decide
tomar este noivo para si oferecendo uma quantia maior de dote, mas pedindo a
seu tio e tutor, Lemos, que deixasse o seu nome em segredo. Porém, neste ato de
bondade, Aurélia esconde uma razão egoísta...
Desta vez, farei diferente. Ao invés de começar pela
análise da história, iniciarei pela descrição dos personagens. Como dito no
resumo acima, Aurélia é uma moça independente, que desdenha daqueles que preferem
a riqueza ao amor e por trás de sua máscara irônica, esconde uma mulher
romântica. Quanto a Fernando Rodrigues de Seixas, o homem com quem a jovem se
casa, é o seu primeiro amor, e apesar de ter trocado seu amor por Aurélia para
casar por interesse, ainda possui um certo orgulho que faz cumprir com seu
compromisso. O foco nos outros personagens é menor. As irmãs e mãe de
Seixas serviram para mostrar as dificuldades financeiras que ele passava e o
porquê de procurar uma noiva com grande dote, mas só tiveram aparição genuína
em um capítulo. Isso também ocorre com Lemos, o tio interesseiro de Aurélia,
que foi relevante para trama do casamento e para o passado de Aurélia. Depois,
perdeu a importância. D. Firmina só serve como uma viúva que acompanha a moça. Adelaide
Amaral e Eduardo Abreu, ex-noiva de Seixas e antigo pretendente de Aurélia
respectivamente só servem para fazer
ciúmes ao casal.
Como deu para perceber pelo parágrafo acima, a história
foca no relacionamento de Aurélia e Fernando, o que não é de se surpreender,
pois o livro é um clássico do romantismo brasileiro. Ambos começam seu
casamento mal pois ao descobrir que foi “comprado” por Aurélia, Fernando cumpre
o acordo, só obedecendo o que a moça deseja quando esta o ordena, sem lhe dar o
amor que a jovem desejava. Enquanto Aurélia,
queria que este se desculpasse por tê-la deixado não por amor a outra, mas sim
pelo dinheiro e, como ele é muito orgulhoso, não o fez. Então, Aurélia acabava
fazendo algumas vingancinhas para irritá-lo. A lição do livro é clara:
casamento por interesse não traz felicidade. Apesar dos dois se amarem, o
dinheiro e a “compra” os fizeram amargos um com o outro.
Porém, outra coisa me chamou a atenção que foi a idealização de Aurélia com relação ao amor: “Aurélia amava mais seu amor, do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem”. Isso de esperar que seu amado seja do jeito que você imaginou ao invés de quem ele é verdadeiramente, é algo que várias mulheres fazem e acabam se decepcionando. Aurélia quis se casar com seu primeiro e único amor esperando que acontecesse tudo do jeito que ela queria só para se decepcionar depois. Para um livro da era do romantismo, ele é bastante realista.
Senhora faz parte dos três romances urbanos de
Alencar, junto com Lucíola e Diva. Este último é mencionado na
obra, tendo sido lido pelos protagonistas, com Fernando achando a mocinha pouco
realista e Aurélia discordando dele, dizendo que se alguém contasse a história
deles, também soaria inverossímil. Não sou contra esse tipo de artimanha, só
acho que seria mais fascinante para o fã dessas histórias que os personagens de
Diva existissem no mesmo mundo que os de Senhora. Algo
interessante é que o narrador comenta que a história de Aurélia seria escrita
por este mesmo autor, como se o que tivesse ocorrido no livro fosse real.
Esperava mais dessa história. Apesar do final feliz, achei
que teve poucos momentos de Aurélia e Fernando se amando para merecer este
final. Mas se você deseja começar a ler clássicos brasileiros, este é um dos
mais fáceis de entender. E por se tratar de um clássico, existem várias
edições. Apesar da letra ser bem pequena, a minha edição contém curiosidades no final sobre o autor e a
obra. Então, escolha com carinho e deixe de lado o seu valor monetário.







