segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O Pote Vazio

 


            Lembram que mencionei uma fábula chinesa chamada O Pote Vazio na resenha dos Seis Grous*? Conheci essa história através da edição que tenho em mãos, adaptada e ilustrada por Demi, publicada originalmente em 1990. Caso não tenham lido minha resenha dos Seis Grous, aqui está o resumo do Pote Vazio:

            Na China Antiga, o povo amava flores, inclusive o próprio Imperador. Tanto que decidiu escolher seu sucessor entregando uma semente para cada criança do reino e, quem trouxesse a flor mais bonita dentro de um ano, seria a escolhida. Ping, um menino que era excelente em cuidar de plantas, também foi participar. Porém, apesar de tratar sua semente com todo exímio, ela não brotou e quando a primavera chegou, todas as outras crianças tinham belas flores, menos ele. O que ele diria ao Imperador?

            A história possui uma bela lição sobre honestidade e como ela pode ser benéfica. Isso é algo muito importante para as crianças aprenderem. Além disso, as ilustrações do livro são belíssimas e o detalhe que mais me chamou a atenção foi o formato delas. Elas estão dentro de um círculo como se quem as visse estivesse olhando dentro de um pote. Dito isso, recomendo sua leitura e espero que ela ajude a florescer seu gosto pela leitura.

           

 

 

 

 

*Link para a resenha dos Seis Grous: Ponte para o Imaginário: Releitura Asiática de Os Seis Cisnes


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Revivendo o Passado

 


                 Sabiam que o famoso filme Jurassic Park de 1993 é a adaptação de um livro? Se não sabiam, agora sabem. O livro de mesmo nome foi escrito por Michael Crichton em 1990 e é o primeiro de uma duologia. Será que é bom? Vamos descobrir.

            O final do século XX foi o começo da era da biotecnologia, principalmente a engenharia genética. Mas isso cresceu de forma descontrolada, com o surgimento de várias empresas que faziam experiências sem a devida segurança. Uma delas foi a International Genetic Technologies, a InGen, que foi responsável por um incidente que aconteceu numa ilha da Costa Rica...

            Já pela capa e pelo título, pode-se assumir do que se trata a história, mesmo que esta tenha tentado manter um certo mistério no começo do livro. A temática envolve trazer os dinossauros de volta a vida e como o uso do conhecimento científico pode ser perigoso nas mãos de pessoas gananciosas. O ser humano brincar de Deus, a evolução tecnológica sem controle e os danos que o ser humano faz ao meio ambiente por cobiça são críticas bem comuns em obras dos anos 90, a década que este livro foi publicado. Mas esperava um pouco mais de originalidade com relação a quem sobreviveria nesse incidente. Não vou revelar spoilers, porém devo dizer que a resolução foi bastante previsível.

            A história tem vários personagens, com seus pontos de vista, sendo que alguns deles só aparecem no começo e depois desaparecem completamente da narrativa. Dos principais, temos o paleontólogo Alan Grant; sua aluna de paleobotânica, Ellie Sattler; John Hammond, velho excêntrico que criou o parque; Donald Gennaro, advogado que vai inspecionar o parque, e é conselheiro da InGen; Ian Malcolm, um matemático mais moderno, que se veste de maneira mais excêntrica, todo de preto; Dennis Nedry, o programador; Henry Wu, cientista que trabalha para Hammond; John Arnold, engenheiro chefe do parque; Robert Muldoon, caçador experiente que ajuda na guarda dos dinossauros; Ed Regis, gerente de relações públicas; Tim e Lex Murphy, netos de Hammond. Dentre todos esses personagens, diria que Grant é o principal protagonista e Hammond seria o vilão principal por ter financiado a criação dos dinossauros e persistido com a ideia mesmo ela se comprovando como perigosa e ter colocado em risco a vida de várias pessoas, incluindo a de seus netos. Os outros cumprem bem seus papeis, porém tenho minhas ressalvas. O discurso de Ian Malcolm sobre como a probabilidade do parque dar errado era alta foi interessante no começo, mas ficou chato depois de ele repetir outras vezes. E achei as crianças bem irritantes. Enquanto Lex engloba o estereótipo da criança mimada que só causa confusão e atrai o grupo para problemas, Tim já é oposto, sendo a criança boa, fã de dinossauro e útil em certos momentos em contrapartida com sua irmã. Admito que torci um pouco para que eles fossem devorados pelos dinossauros para causar mais drama.

            Quanto a parte científica, acredito que por ter se formado em medicina, o autor tenha grande gosto pela ciência, pois ele menciona alguns fatos e pessoas verídicas em sua obra, como por exemplo os cientistas James Watson e Francis Crick, que decifraram a estrutura do DNA, e a discussão dos dinossauros serem mais próximos as aves do que dos répteis, por serem em sua grande parte bípedes, possuírem uma grande velocidade similar às aves, provável inteligência de caça das aves e provável sangue quente. Isso traz mais realismo a sua história, mesmo que ele tenha inventado algumas coisas, como o dilofossauro possuir peçonha. Por ter sido escrito nos anos 90, muitas descobertas que vieram depois fizeram com que os acontecimentos do livro sejam impossíveis de acontecer, como extrair DNA esmagando os ossos fossilizados, extraindo a proteína e completando com o DNA encontrado do sangue sugado pelos mosquitos presos no âmbar e genes de outros animais para completar a cadeia de DNA dos dinossauros. Foi comprovado que o DNA tem vida útil e pode desaparecer depois de alguns milhões de anos, o que pode deixar a possibilidade de recriar dinossauros ainda mais difícil na vida real.

            Apesar de achar que poderia ter mais elementos de tragédia e terror e que a história pudesse ser condensada um pouco, diminuindo o número de personagens, achei o livro interessante. Não lerei sua sequência, O Mundo Perdido, devido a alguns spoilers que soube. Esta continuação foi criada após o sucesso do primeiro filme e desfaz a morte de um personagem porque este sobreviveu no filme enquanto matou outro de forma ridícula. Parece que ela foi escrita apenas com o dinheiro em mente ao invés de querer dar um legado digno para o romance. Por isso, fico por aqui. E lembrem-se: se querem um parque de dinossauros, vão para o parque da Universal. Animatrônicos são bem menos perigosos.

 


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Fadas: Histórias de Seres Encantados

 


        Vocês sabem onde vivem as fadas? Quais são suas espécies? Que tipo de atividades gostam de fazer? Este livro irá te responder grande parte dessas perguntas. Fadas: Histórias de Seres Encantados foi publicado em 1978. Seus autores, que também foram responsáveis pelas ilustrações da obra, são Brian Froud, que fez as artes conceituais dos filmes O Cristal Encantado e o Labirinto, e Alan Lee, que ilustrou vários livros do Senhor dos Anéis.

            Este livro não conta uma história específica. Ele descreve sobre o mundo dos encantados (seres mágicos) e suas características, como por exemplo, o quanto o tempo se passa mais devagar no mundo das fadas em relação ao nosso e que comer algo delas pode te tornar um escravo, proibido de retornar ao mundo humano. No caso das espécies, o foco é nas lendas europeias, mas percebi que a variedade em suas aparências pode se aplicar a seres do folclore brasileiro, como o fato das criaturas sempre possuírem alguma anomalia física, como membranas entre os dedos, cascos de bode, orelhas pontudas, rabo de vaca e pés virados para trás, o que me fez lembrar o Curupira. Além disso, os encantados são relacionados à natureza e sua imprevisibilidade, sendo vários deles travessos, como o Saci, ou atraindo humanos com sua beleza e encanto, como a Iara.

            Apesar de não ter uma narrativa específica, o livro possui várias histórias que complementam as descrições dos seres mágicos. Vou destacar as que me chamaram a atenção: a primeira é A lenda de Knockgrafton, que me fez lembrar do conto Os dois papudos do livro Lendas e Fábulas do Brasil*; a segunda é a lenda do homem que se casou com uma gwragedd annwn (uma fada da água galesa), mas que ela iria embora se ele a agredisse três vezes sem motivo. Essa história mostra que seres encantados tem uma interpretação diferente do que é “agressão”; e a história de uma parteira que sem querer desfez o glamour (ilusão que os encantados fazem para nos enganar) ao ungir os olhos do bebê com uma pomada encantada e sem querer, coçar a pomada em seu olho. A história também contém relatos de pessoas que realmente existiram e tiveram um encontro com os encantados.

            Gostei do livro e acho que pode ser usado como base para várias histórias envolvendo fadas e outros seres fantásticos, não só pela informação que ele traz, tendo os autores feito uma grande pesquisa ao material de referência original e à descrição do folclore, mas também pelas ilustrações, que são muito bonitas. Por isso, recomendo a sua leitura. Leia com calma, próximo a uma colina e floresta. Só não entre em nenhum círculo de cogumelos.

 

           

 

 

 

 

*Link para a resenha Lendas e Fábulas do Brasil: Ponte para o Imaginário: Lendas e Fábulas do Brasil


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Bela Adormecida Americana


            No momento em que estou fazendo esta resenha, estou lendo o livro Fadas: Histórias de Seres Encantados. E este livro mencionou um conto clássico da literatura americana chamado Rip Van Winkle, escrito em 1819 por Washington Irving, também autor de A lenda do Cavaleiro sem cabeça*.  Então, por curiosidade, decidi conhecer este conto. Será que é bom? Vamos descobrir.

            No pé das montanhas de Catskill, havia um vilarejo de colonos holandeses onde um homem chamado Rip Van Winkle vivia. Ele era um homem bom e adorado por todos, mas era péssimo em fazer trabalhos que envolviam ganho próprio. Conseguia ajudar aos outros, mas nunca a si mesmo e a sua família. Para fugir de sua esposa reclamona, ele andou até chegar às partes mais altas das montanhas, onde viu um bosque selvagem. Quando ia embora, ele foi chamado por um homem baixo de aparência estranha, que precisava de sua assistência. Após ajudá-lo a carregar um barril, Rip presencia vários homens, peculiares igual ao seu guia, jogando. Ele aproveitou a distração das criaturas e bebeu a bebida deles. Depois de vários goles, ficou com sono e dormiu...

            O livro Fadas: Histórias de Seres Encantados diz que devemos tomar cuidado com o tempo que passamos no mundo mágico, pois ele se move mais lentamente que o mundo dos humanos. Rip Van Winkle é um exemplo deste acontecimento. A premissa tinha grande potencial, mas devido a simplicidade da história, não houve muito desenvolvimento. O personagem aceita rápido a sua condição após descoberta e não deixa de ser preguiçoso, ele até comemora a morte da esposa, pois assim ele não receberia mais bronca dela.

Esperava mais dessa história, porém, foi bom conhecê-la, pois ela já foi referenciada em várias obras, inclusive num episódio da Turma da Mônica**. Por isso, recomendo sua leitura. E nunca beba algo vindo de um ser mágico.

 

 

 

*Link para a resenha de A lenda do Cavaleiro sem cabeça: Ponte para o Imaginário: Não perca a cabeça

**Link para o episódio da Turma da Mônica: E assim se passaram 30 anos | Turma da Mônica

 

 


 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Quando Curupira encontra Kappa

 


         Vocês já tiveram um livro bilíngue? O que eu tenho em mãos é desse tipo. Quando Curupira encontra Kappa é uma história infantil escrita por Fernanda Takei em 2023 e seu texto está escrito em português com a tradução em japonês ao lado, que é muito interessante para alguém que esteja aprendendo japonês ou vice-versa.

            O Curupira e o Kappa decidiram se juntar para proteger a natureza e viajam juntos em busca de outros seres encantados para ajudá-los.

            A história junta elementos dos folclores japonês e brasileiro, com um glossário no final explicando cada um deles, que é uma boa fonte de curiosidade para aqueles que gostam de seres fantásticos. O texto tem formato de poesia, com algumas rimas que atraem o seu público, mas que no meu caso, preferiria que estivesse no estilo prosa.

            Se tivesse que falar algo de negativo do livro seria a ilustração, que não é do meu gosto. Mas de forma geral, é um bom livro e recomendo. Só cuidado para não encontrar o Curupira junto com o Kappa, pois ninguém consegue parar essa duplinha.

 


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Minha Primeira Light Novel

 


        Vocês sabem o que são light novels? São romances de origem japonesa de leitura rápida e com linguagem simples. Elas possuem algumas ilustrações e, normalmente, são para o público adolescente ou jovem adulto. Muitas animações japonesas são adaptações de light novels. E uma delas finalmente chegou ao Brasil! Diários de uma Apotecária é uma light novel escrita por Hyuganatsu em 2014.  Sua primeira versão foi escrita em 2011, como uma web novel (romance que veio da internet), sendo esta considerada uma espécie de rascunho e tendo sofrido algumas mudanças na história ao se tornar uma light novel. Conheci Diários de uma Apotecária através de sua animação, que é uma adaptação da light novel. Será que seu material original é tão bom quanto sua adaptação? Vamos descobrir:

            Maomao era uma apotecária que foi sequestrada e vendida como serva do palácio interno, lugar onde viviam as cortesãs do imperador. Isso foi algo bem inconveniente, mas pelo menos ganhava salário e se completasse suas tarefas direitinho, em alguns meses estaria livre para retornar a sua casa. No palácio interno, há um rumor que os filhos do imperador sofrem de uma maldição e morrem ainda bebês. Recentemente, dois deles ficaram doentes: a menina de seis meses da consorte Gyokuyou e o menino de três meses da consorte Lihua. Maomao não acredita que seja uma maldição. Ela acaba se deixando levar pela curiosidade e decide investigar o caso.

            A história foca em várias situações que Maomao investiga, usando seu conhecimento como apotecária e fazendo com que ela, sem intenção, suba de cargo e conheça pessoas poderosas. E apesar de ser a protagonista, o ponto de vista não é só dela. Outros personagens como Jinshi também dividem a perspectiva no livro, que é narrado em terceira pessoa.

            Quanto aos personagens, dou destaque em dois: Maomao, que é a protagonista tem uma personalidade peculiar. Ela não é uma garota muito feminina, mas também não é um clichê das romantasias atuais da jovem rebelde guerreira que quer acabar com o sistema. Apesar de ter um senso de justiça, Maomao prefere não chamar a atenção para algo que possa lhe causar problemas depois. É bem calma e introvertida, mas se empolga quando o assunto é venenos, fazendo experimentos em si mesma para testá-los. Adoro essa personagem e é minha favorita da obra. O segundo personagem é o Jinshi, um eunuco com aparência de dama celestial, que usa de seu encanto para as pessoas abaixarem a guarda, mas que por trás dessa máscara, esconde uma pessoa infantil e um pouco mimada. Maomao não é afetada pelo seu charme e isso o fez querer zoar ela, aproveitando que está num cargo superior ao dela. Não gosto muito do jeito que ele a trata, porém existe uma implicação que eles podem ficar juntos no final. Espero que isso seja mais bem desenvolvido no futuro. Os secundários também são bons e cumprem bem suas funções.

            Gostei do livro. O único problema foi que eu já sabia tudo o que ia acontecer, pois já tinha assistido a animação. Pelo que pesquisei, a primeira e a segunda temporada do anime (animação japonesa) adaptaram os quatro primeiros volumes da light novel. E como é o Brasil que estamos falando, sinto que a tradução não deve chegar antes da terceira temporada, que estreia em outubro deste ano. Mas a boa notícia é que Diários de uma Apotecária ficou em primeiro lugar no ranking de livros mais vendidos. Quem sabe isso não motive as continuações a virem mais rápido e a traduzirem outras light novels de estilo parecido como Raven of the Inner Palace (O Corvo do Palácio Interno) e Though I Am na Inept Villainess (Embora eu seja uma Vilã Inepta). Recomendo sua leitura para pessoas de catorze para cima devido a alguns temas que não são bons para gente mais nova. Leiam e cuidado com o que bebem. Pode estar envenenado.


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Curupira e o equilíbrio da natureza


            Já leram algum livro na infância que vocês se lembram da história, mas não se lembram do título? Aconteceu comigo e, depois de muitos anos, finalmente o encontrei. Curupira e o equilíbrio da natureza foi escrito em 1993 pelo biólogo Samuel Murgel Branco, que também escreveu outras duas obras envolvendo figuras folclóricas e o meio ambiente, como O Saci e a reciclagem do lixo e Iara e a poluição das águas. Conheci este livro através da escola pelo programa do PLIC, que era um grupo de livros selecionados pala coordenação da escola. Cada criança levava um deles para ler em casa e depois fazia uma atividade como pintar a carinha feliz, normal ou zangada para indicar se gostou ou não da obra e desenhar sua parte favorita da história. Como vocês podem ver, eu fazia resenha de livros desde aquela época. Mas será que este livro continua bom agora que reli depois de adulta? Vamos descobrir.

            O Curupira não gosta quando os homens matam um animal sem necessidade. Mas ele já foi bem mais rigoroso no passado, acreditando que nenhum animal deveria se alimentar do outro e que todos deveriam comer plantas, pois elas eram capazes de crescer de novo. Por isso, decretou uma lei que proibia o consumo de carne na floresta. Qual será que foi o resultado?

            O tema do livro é a cadeia alimentar e o quanto ela é importante para que o ecossistema continue funcionando. Tudo isso é ensinado através da perspectiva do Curupira, figura do nosso imaginário popular que chama a atenção da criança, junto com os animais falantes. Apesar da história ser curta, seu texto é grande, por isso recomendo sua leitura para crianças a partir dos oito anos.

            Além da temática, sua ilustração também havia ficado em minha memória. Por isso, comprei a edição ilustrada por Lélis, que foi a versão que li quando era pequena. Coincidentemente, ele também ilustrou Aventuras do Barão de Münchhausen*, obra que já fiz resenha neste blog.

            É um bom livro. Gostei de ter relido. Recomendo sua leitura. Se deseja conhecê-lo, vá até a mata. Só não tente atacar um animal sem necessidade. Você não vai querer ver o Curupira zangado.

 

 

 

 

*Resenha do livro Aventuras do Barão de Münchhausen: Ponte para o Imaginário: Looney Tunes da Literatura


 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Idealização do Outro

 


            Quando foi a última vez que trouxe um clássico brasileiro para o blog? Já faz um tempo não? Senhora foi publicado pela primeira vez em 1874, no formato de folhetim, e lançado como livro um ano depois. Foi escrito por um dos grandes autores do romantismo brasileiro, José de Alencar. Será que é bom? Vamos descobrir:

            Aurélia Camargo é uma moça que roubava a atenção de vários homens. Mas por achar que a queriam por sua riqueza, desdenhava deles. Ao ver que uma colega sua ficou noiva de um homem que não amava, Aurélia decide tomar este noivo para si oferecendo uma quantia maior de dote, mas pedindo a seu tio e tutor, Lemos, que deixasse o seu nome em segredo. Porém, neste ato de bondade, Aurélia esconde uma razão egoísta...

            Desta vez, farei diferente. Ao invés de começar pela análise da história, iniciarei pela descrição dos personagens. Como dito no resumo acima, Aurélia é uma moça independente, que desdenha daqueles que preferem a riqueza ao amor e por trás de sua máscara irônica, esconde uma mulher romântica. Quanto a Fernando Rodrigues de Seixas, o homem com quem a jovem se casa, é o seu primeiro amor, e apesar de ter trocado seu amor por Aurélia para casar por interesse, ainda possui um certo orgulho que faz cumprir com seu compromisso. O foco nos outros personagens é menor. As irmãs e mãe de Seixas serviram para mostrar as dificuldades financeiras que ele passava e o porquê de procurar uma noiva com grande dote, mas só tiveram aparição genuína em um capítulo. Isso também ocorre com Lemos, o tio interesseiro de Aurélia, que foi relevante para trama do casamento e para o passado de Aurélia. Depois, perdeu a importância. D. Firmina só serve como uma viúva que acompanha a moça. Adelaide Amaral e Eduardo Abreu, ex-noiva de Seixas e antigo pretendente de Aurélia respectivamente  só servem para fazer ciúmes ao casal.

            Como deu para perceber pelo parágrafo acima, a história foca no relacionamento de Aurélia e Fernando, o que não é de se surpreender, pois o livro é um clássico do romantismo brasileiro. Ambos começam seu casamento mal pois ao descobrir que foi “comprado” por Aurélia, Fernando cumpre o acordo, só obedecendo o que a moça deseja quando esta o ordena, sem lhe dar o amor que a jovem desejava. Enquanto Aurélia, queria que este se desculpasse por tê-la deixado não por amor a outra, mas sim pelo dinheiro e, como ele é muito orgulhoso, não o fez. Então, Aurélia acabava fazendo algumas vingancinhas para irritá-lo. A lição do livro é clara: casamento por interesse não traz felicidade. Apesar dos dois se amarem, o dinheiro e a “compra” os fizeram amargos um com o outro.

Porém, outra coisa me chamou a atenção que foi a idealização de Aurélia com relação ao amor: “Aurélia amava mais seu amor, do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem”. Isso de esperar que seu amado seja do jeito que você imaginou ao invés de quem ele é verdadeiramente,  é algo que várias mulheres fazem e acabam se decepcionando. Aurélia quis se casar com seu primeiro e único amor esperando que acontecesse tudo do jeito que ela queria só para se decepcionar depois. Para um livro da era do romantismo, ele é bastante realista.

            Senhora faz parte dos três romances urbanos de Alencar, junto com Lucíola e Diva. Este último é mencionado na obra, tendo sido lido pelos protagonistas, com Fernando achando a mocinha pouco realista e Aurélia discordando dele, dizendo que se alguém contasse a história deles, também soaria inverossímil. Não sou contra esse tipo de artimanha, só acho que seria mais fascinante para o fã dessas histórias que os personagens de Diva existissem no mesmo mundo que os de Senhora. Algo interessante é que o narrador comenta que a história de Aurélia seria escrita por este mesmo autor, como se o que tivesse ocorrido no livro fosse real.

            Esperava mais dessa história. Apesar do final feliz, achei que teve poucos momentos de Aurélia e Fernando se amando para merecer este final. Mas se você deseja começar a ler clássicos brasileiros, este é um dos mais fáceis de entender. E por se tratar de um clássico, existem várias edições. Apesar da letra ser bem pequena, a minha edição  contém curiosidades no final sobre o autor e a obra. Então, escolha com carinho e deixe de lado o seu valor monetário.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dois Irmãos

 


                Lá vou eu fazer a resenha de um livro que era para ter lido na época de faculdade, mas só li agora. Dois Irmãos foi escrito por Milton Hatoum no ano 2000. Do que será que ele se trata? Vamos descobrir:

            Yaqub e Omar são gêmeos, descendentes de libaneses, que moram em Manaus. Apesar da aparência idêntica, Yaqub é mais introvertido, estudioso e tem uma cicatriz no rosto feita por Omar devido a ciúmes, enquanto este último é um garoto problema mimado. Quando Yaqub voltou ao Brasil após passar cinco anos no Líbano, sua relação com Omar parece não ter melhorado...

            A estrutura do livro não é linear. O narrador, que é filho da empregada, vai e volta na contação da história. O primeiro capítulo começa com a morte de um dos membros da família enquanto o segundo conta sobre a infância dos gêmeos, em que a pessoa ainda era viva. Por ser um narrador personagem, grande parte do livro é contada sobre sua perspectiva e, o que ele não vivenciou, foi lhe contado por outros personagens. A história, como disse acima, acontece em Manaus e vai do início do século XX até a ditadura militar. Por isso, senti um pouco de dificuldade com o nome de animais e plantas dessa região, além de algumas palavras em árabe, devido a descendência libanesa da família.

            Apesar do título, a história não foca apenas nos irmãos, e sim na família como um todo. Ela é completamente disfuncional. Já comentei sobre os Dois Irmãos do título no resumo. Então, dedicarei este parágrafo aos outros membros da família. O patriarca Halim nunca quis ter filhos e só os teve devido a uma promessa que fez a esposa. Apesar disso, ele se dá bem com Yaqub e Rânia. Mas tem uma relação péssima com Omar, que além de ter uma personalidade “bon vivant” e não quer nada com nada, é muito agarrado com a mãe, Zana, que desde que Omar era novo, superprotege o filho devido a este ter nascido com problemas de saúde. Ela não deixa que ele namore sério com nenhuma mulher. Rânia, a irmã mais nova, parece ter uma admiração incestuosa com os gêmeos. Domingas é uma indígena que foi “adotada” para ser a empregada da casa, e infelizmente, nunca conseguiu voltar para sua aldeia. E por último, o narrador, filho de Domingas, que suspeita que um dos gêmeos seja o seu pai.

            Não é um livro que te traz uma sensação boa. Há muitos conflitos entre os familiares, raiva, ciúmes, rancor e será assim do começo ao fim. A minha opinião sobre ele é a mesma que sinto com relação aos textos de Clarice Lispector: é bem escrito, mas me traz desconforto. Por isso, não sei se devo recomendar ou não. Se a minha resenha te atraiu para o livro, vá em frente. Espero que o romance não te deixe no mesmo estado de Yaqub quando este voltou do Líbano.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Releitura Asiática de Os Seis Cisnes

 


Já ouviram falar do conto Os Seis Cisnes* dos irmãos Grimm? Ele envolve uma princesa que deve costurar seis camisas feitas de flor para quebrar a maldição de seus irmãos, que foram transformados em cisnes por sua madrasta, e tudo isso, sem que ela pudesse dizer uma palavra sequer. Sabia que esta história possui uma releitura com elementos asiáticos? Os Seis Grous foi escrito por Elizabeth Lin em 2021, sendo lançado no Brasil em 2022. Ele possui uma sequência chamada A Promessa do Dragão e uma prequela com o título Uma Maldição Dourada. Será que a leitura valeu a pena? Vamos descobrir.

            A princesa Shiori era a mais nova de sete irmãos e estava indo para sua indesejada cerimônia de noivado.  Mas escondida em suas vestes estava Kiki, um pássaro de papel que a jovem dera vida usando magia, algo proibido em sua nação. Kiki escapou e com medo de ser descoberta e punida, Shiori foi atrás dela, indo parar no Lago Sagrado. A moça nadou até lá, porém, suas vestimentas a puxaram para o fundo e lá ela viu um dragão...

            Além dos Seis Cisnes, várias histórias e lendas asiáticas foram mencionadas na história, como a lenda do coelho da lua, que é o símbolo do clã Bushian, a lenda da Princesa Kaguya e o mito do fio vermelho do destino. Mas o que mais me surpreendeu foi a menção do Pote Vazio, um conto chinês em que o imperador dá a cada criança uma semente para plantar uma flor e quem plantasse a flor mais bonita dentro de um ano, seria o seu sucessor. Todos plantaram belas flores, menos um garoto, que tentou de tudo, mas nada brotou. O imperador o escolheu devido a sua honestidade pois as sementes que havia dado eram de mentira, indicando que as outras crianças roubaram na competição. Este livro tem uma releitura legal que combinou com a história.

            A história por si só, é o que se espera de uma fantasia juvenil focado para um público feminino, com uma protagonista de personalidade forte e a única de seu povo com a habilidade de realizar magias, um romance e um provável triângulo amoroso. O livro termina em aberto dando margem para sua sequência.

Quanto aos personagens, como dito acima, a princesa Shiori, tem personalidade forte e arrogante, mas teve que passar por uma jornada que a deixou mais humilde e a valorizar as pequenas coisas. Algo que pode se destacar é seu interesse por comida. Seus seis irmãos são diferentes o suficiente para sabermos diferenciá-los. Kiki, o grou de origami é a amiga confidente de Shiori que coloca bom senso em sua cabeça. Seryu é um dragão arrogante que se importa com a princesa e foi seu mentor por um tempo. Ele não apareceu muito nesse livro, porém é bem provável que o vejamos mais na sequência. Takkan, o noivo prometido que Shiori se recusa a conhecer e deseja que desapareça da sua vida. Porém, ele provou não ser o bárbaro que a princesa havia imaginado. A primeira antagonista, Raikama, madrasta de Shiori, não é o que parece ser. Os outros antagonistas são genéricos, vilões típicos que querem poder.

            O livro é cheio de clichê? Sim, mas depois de ter lido Lilith de George MacDonald, ler algo mais simples e familiar ajudou a relaxar. Os Seis Grous é um bom livro para o público designado, apesar de não ser perfeito. Veremos se melhora na sequência. Nos encontramos no Reino dos Dragões.

 

* Vídeo do conto dos Seis Cisnes narrado por mim e ilustrado por Maya Flor: Os Seis Cisnes dos Irmãos Grimm


sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Castelo no Espelho

 


                Gostam de um livro que faz referências a contos de fadas? Então é bem provável que esse livro seja para você. O castelo no espelho foi escrito por Mizuki Tsujimura em 2017, sendo lançado no Brasil em 2024. O romance teve uma adaptação cinematográfica em formato de anime em 2022 no Japão, que infelizmente não consegui assistir.

               Kokoro deixou de ir para a escola devido ao bullying que ela sofria. Ela vivia em seu quarto assistindo televisão, até que seu espelho começou a brilhar. Ao tocá-lo, ele a transportou para um castelo magnífico com uma estranha garotinha usando máscara de lobo. Kokoro quis voltar para casa, mas a menina-lobo a agarrou, dizendo que se ficasse, poderia realizar um desejo...

               Como disse no primeiro parágrafo, este livro traz muitas referências aos contos de fadas, que também são ditas pela boca da própria protagonista, que é fã dessas histórias. Mas os dois contos mais mencionados são A Chapeuzinho Vermelho e O Lobo e os Sete Cabritinhos*, sendo este segundo escrito pelos irmãos Grimm e é bastante popular no Japão, onde a história se passa. Aconselho a ler este último para melhor entendimento. Clássicos como Alice no País das Maravilhas, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter também são mencionados.

            A história mistura a realidade com a fantasia, em que a protagonista sai de sua vida normal e vai para um local diferente, e este lugar se torna literalmente, a sua forma de escape. Mas também a ajuda a lidar com seus problemas através da conversa e da amizade que ela forma com os outros competidores que estão em busca da chave. Dentre os dois, o livro foca mais no drama dos personagens e suas relações enquanto a fantasia fica como pano de fundo, o que pode deixar aqueles que esperavam encontrar seres mágicos e outros desafios fantásticos decepcionados, pois não há nada disso aqui.

            Quanto aos personagens, os que mais se destacam são os jovens que competem pela chave. Kokoro, a protagonista, é uma menina tímida que gosta de ler, jogar e assistir novela. Fuka é introvertida, séria e não tem medo de dizer algumas verdades na cara. Aki é extrovertida, mas um pouco problemática. Masamune é um garoto sarcástico, viciado em jogos. Ureshino é um garoto gordinho que se apaixona facilmente e não tem medo de se expressar. Subaru é um garoto calmo e Rion é o mais atlético. Tanto ele quanto o Subaru são os mais genéricos do grupo em termos de personalidade. De importância, obviamente a Kokoro vem em primeiro por ser a principal, seguida por Rion e Aki. Os outros tiveram um tempo razoável para brilhar, com exceção de Subaru, que poderia ter tido um pouco mais de desenvolvimento.

               O livro tem um final agridoce, porém, sua leitura valeu a pena, por isso o recomendo para jovens e adultos. E lembrem-se: se tiver em um dia ruim, dê uma olhada no seu espelho. Talvez ele brilhe e abra uma passagem para outro mundo.


*Se desejam conhecer mais dessa história, assistam este vídeo: O Lobo e os Sete Cabritinhos dos Irmão Grimm


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Lilith

 


            Volto depois de muito tempo com o “avô” da fantasia moderna. Lilith foi escrito por George MacDonald em 1895. Será que é bom? Vamos descobrir:

            Vane herdou uma casa dos pais e aproveitava sua biblioteca, até que numa tarde, avistou um velho desconhecido pegando um dos livros. Como este desapareceu, acreditou que não passasse de uma ilusão, mas ao ir em direção onde estava o livro, viu que este havia realmente sumido. Na manhã seguinte, o objeto estava de volta ao seu lugar.  Porém, três dias depois, o mesmo fenômeno voltara a acontecer, só que com um livro que estava preso e ninguém nunca conseguiu tirar. O mordomo lhe contou sobre a lenda do senhor Corvo, um antigo bibliotecário que servia o senhor Ascendente, um homem que lia de tudo, até que os dois sumiram, e disse que esta aparição que Vane vira era o senhor Corvo. Semanas depois, ele o viu novamente e o seguiu até um sótão. O velho sumira de novo. No local, havia um espelho que não refletia e sim mostrava um local selvagem. Vane achou que fosse uma pintura, até que avistou um corvo se mexer lá dentro e ao se aproximar, começou a cair de uma grande altura...

            Como você espera que seja a escrita do autor que foi mentor de Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas)? Como devia esperar do escritor de Phantastes, Lilith tem uma narrativa nonsense, que só começa a fazer sentindo no meio até que chega no final e volta a ser nonsense.  

Este livro também é classificado como ficção cristã, contendo personagens da Bíblia que não irei mencionar para não dar spoilers. Mas uma figura que posso comentar é a de Lilith. Existe um mito de que ela foi a primeira mulher de Adão apesar da Bíblia nunca mencionar o seu nome. Há esta interpretação devido a uma passagem bíblica que Deus menciona que criou um homem e uma mulher e em outro capítulo especifica que criou Adão e das costelas dele, criou Eva. Na história do Alfabeto de Bem Sirach (entre 700 e 1000 d.C), Lilith é mulher de Adão, que o abandona e se junta a espíritos do mal. Três anjos tentam buscá-la e ameaçam matar cem filhos dela se ela não voltar. Ela recusa e os anjos ameaçam afogá-la. Ela recusa novamente, dizendo que foi criada para causar doenças em bebês. Ela faz o juramento aos anjos que aceitaria ter cem filhos dela mortos e se visse os nomes dos três anjos, não faria mal a nenhum bebê. Essa é uma explicação do porquê os judeus faziam amuletos com o nome desses anjos para proteger os bebês. O autor deve ter se inspirado nessa história para criar a vilã do seu romance.

Agora que falei da vilã, nada mais justo do que eu comentar do mocinho. O senhor Vane (traduzido como Catavento em português. Prefiro o nome original e é este que usarei para mencioná-lo) é com quem o leitor irá se identificar nesse mundo estranho. Seria o equivalente a Alice quando entra no País das Maravilhas, a pessoa normal que tem que lidar e se adaptar num mundo estranho. Faz perguntas, mas só recebe enigmas em respostas. Outro personagem que se destaca é o senhor Corvo, que serve como guia e mentor para o protagonista. Ele é típico homem misterioso cujas respostas apenas confundem o herói. Não gostei desse personagem.

Outra coisa interessante de se comentar é como esse livro demonstra a crença religiosa do autor. George MacDonald era cristão universalista e acreditava que todas as almas seriam salvas, mesmos as ruins, passariam por um processo de purificação antes de irem para o céu.

            Devido a este livro se passar num mundo fantástico estranho, onde minhocas que saem da terra podem voar, certos aspectos podem ser interpretados de várias formas pelo leitor. Por exemplo, o senhor Vane encontra em sua jornada um grupo de crianças (os pequeninos) que não cresciam e, se crescessem, se tornavam gigantes burros e maus. Interpretei como uma metáfora para o crescimento, onde a criança começa inocente e pura e quanto mais cresce, mais peca e sua inocência vai desaparecendo. O senhor Vane teve medo de ensinar coisas para os pequeninos devido a esse acontecimento, mas ele aprende com o senhor Corvo que não é o conhecimento em si que é perigoso e sim o grau de importância que é dado a ele que pode ser nocivo.

            O livro tem uma temática interessante, mas por entrar muito nesse território nonsense, ele fica confuso e chato para quem não gosta desta loucura, que é o meu caso. Mesmo que seja um livro dirigido ao público infanto-juvenil, indico que leia As Crônicas de Nárnia para quem deseja ler uma fantasia cristã mais pé no chão. Se ainda assim deseja conhecer este livro, abra a porta para este mundo, só tenha cuidado com os monstros que encontrar na floresta.  


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Se Tu Me Quisesse

 


            Depois de um bom tempo, vamos para uma leitura do Kindle. Se Tu Me Quisesse foi escrito por Jadna Alana em 2022. Escolhi este livro após assistir um vídeo* que falava sobre literatura steampunk. Será que é bom? Vamos para a resenha.

            Lila saiu de sua velha torre, próxima ao Rio das Piabas, e viajou até uma vila distante, carregando nas costas asas mecânicas. Ela assistiu a um show de mágica e seu olhar atraiu o artista Dino. Ele puxa conversa, mas no final, ela acaba se despedindo dizendo que não o veria mais. Porém, uma dor no seu coração fez com que ela ficasse...

Os elementos steampunk são poucos, como as asas mecânicas de Lila e o chapéu de mágico de Dino, que abre com uma chave. Isso me decepcionou, pois imaginava que tivesse mais coisas.

            O livro é bem curto, contendo apenas oito capítulos e se trata de duas pessoas, Lila e Dino, que se apaixonam à primeira vista, mas têm dificuldade de expressar esse sentimento um para o outro. Ambos têm traumas envolvendo os pais que, no caso de Dino, explica o porquê dele não querer pedir a Lila que ficasse com ele. Enquanto os sentimentos de Lila são representados através de suas asas, que quando são consertadas por Dino, tira o peso de suas costas e a faz voar como se a presença do mágico a deixasse mais leve e feliz, fazendo-a esquecer da solidão.  

Uma história bonitinha, porém previsível. Esperava algo mais dela. Mas se deseja conhecê-la, saia de casa e caminhe. Quem sabe você não encontre um mágico no caminho.

 

 

 

*Link para o vídeo: Cyberpunk, Solarpunk e Steampunk - O que são? + Dicas de livros ✨ - YouTube