Lá vou eu fazer a resenha
de um livro que era para ter lido na época de faculdade, mas só li agora. Dois
Irmãos foi escrito por Milton Hatoum no ano 2000. Do que será que ele se
trata? Vamos descobrir:
Yaqub e Omar são gêmeos, descendentes
de libaneses, que moram em Manaus. Apesar da aparência idêntica, Yaqub é mais
introvertido, estudioso e tem uma cicatriz no rosto feita por Omar devido a
ciúmes, enquanto este último é um garoto problema mimado. Quando Yaqub voltou ao
Brasil após passar cinco anos no Líbano, sua relação com Omar parece não ter
melhorado...
A estrutura do livro não é linear. O narrador, que é
filho da empregada, vai e volta na contação da história. O primeiro capítulo
começa com a morte de um dos membros da família enquanto o segundo conta sobre
a infância dos gêmeos, em que a pessoa ainda era viva. Por ser um narrador
personagem, grande parte do livro é contada sobre sua perspectiva e, o que ele
não vivenciou, foi lhe contado por outros personagens. A história, como disse
acima, acontece em Manaus e vai do início do século XX até a ditadura militar.
Por isso, senti um pouco de dificuldade com o nome de animais e plantas dessa
região, além de algumas palavras em árabe, devido a descendência libanesa da
família.
Apesar do título, a história não foca apenas nos irmãos,
e sim na família como um todo. Ela é completamente disfuncional. Já comentei sobre
os Dois Irmãos do título no resumo. Então, dedicarei este parágrafo aos
outros membros da família. O patriarca Halim nunca quis ter filhos e só os teve
devido a uma promessa que fez a esposa. Apesar disso, ele se dá bem com Yaqub e
Rânia. Mas tem uma relação péssima com Omar, que além de ter uma personalidade
“bon vivant” e não quer nada com nada, é muito agarrado com a mãe, Zana, que
desde que Omar era novo, superprotege o filho devido a este ter nascido com
problemas de saúde. Ela não deixa que ele namore sério com nenhuma mulher. Rânia,
a irmã mais nova, parece ter uma admiração incestuosa com os gêmeos. Domingas é
uma indígena que foi “adotada” para ser a empregada da casa, e infelizmente,
nunca conseguiu voltar para sua aldeia. E por último, o narrador, filho de
Domingas, que suspeita que um dos gêmeos seja o seu pai.
Não é um livro que te traz uma sensação boa. Há muitos
conflitos entre os familiares, raiva, ciúmes, rancor e será assim do começo ao
fim. A minha opinião sobre ele é a mesma que sinto com relação aos textos de
Clarice Lispector: é bem escrito, mas me traz desconforto. Por isso, não sei se
devo recomendar ou não. Se a minha resenha te atraiu para o livro, vá em
frente. Espero que o romance não te deixe no mesmo estado de Yaqub quando este
voltou do Líbano.








