Já ouviram falar do filme
As Aventuras de Pi, lançado em 2012? Sabia que ele foi adaptado de um romance
que entrou em polêmica por ter supostamente plagiado a história de um livro
brasileiro? É sobre este livro que irei analisar agora. Max e os Felinos
foi escrito por Moacyr Scliar, filho de imigrantes judeus da Bessarábia, em
1981 enquanto A Vida de Pi foi lançado em 2001. Será que houve mesmo
plágio ou foi apenas uma coincidência? Vamos descobrir:
Max se relacionou com Frida, que era casada com um
nazista. Ao descobrir o relacionamento da esposa com Max e Harald, amigo
socialista de Max, o marido de Frida os denunciou e o jovem é obrigado a fugir
de Berlim. Ao perder o navio que o levaria para o Brasil, Max dá um jeito de ir
em um cargueiro com o mesmo destino. Mas um dia, o navio começou a afundar e
Max não encontrou ninguém da tripulação para ajudá-lo. Por sorte, encontrou um
escaler e fugiu. Numa das caixas do naufrágio, algo saltou para seu escaler. Este
algo era um jaguar...
O navio em que o protagonista está afunda e ele fica
preso num barco com um felino de grande porte em alto mar. A semelhança entre
as duas histórias termina aí. É dito que o autor de A Vida de Pi, Yann
Martel, baseou o seu livro numa suposta resenha negativa do livro de Scliar. Quanto
ao escritor de Max e os Felinos, este não considerou a obra de Martel
como plágio, já que apesar dessa pequena semelhança, o desenvolvimento de ambos
os livros é completamente diferente. Mas gostaria que Martel tivesse mencionado
sua inspiração em sua publicação.
Indo para os felinos do título, enquanto no filme As
Aventuras de Pi, o tigre no barco de Pi representava o seu lado selvagem
tentando sobreviver ao naufrágio, os felinos de Max são representados como
medos e desafios que ele deve enfrentar. Como o tigre empalhado da loja de seu
pai, cujo Max tinha pavor quando era criança e o jaguar no barco, que não se
sabe se era ou não real, pois ele estava tendo alucinações enquanto estava
perdido no mar. Sendo reais ou não, Max teve que conviver e enfrentá-los até os
domesticar no final.
O protagonista passa por muita coisa no decorrer da
história que o faz mudar. Ele passa de um rapaz assustado para um homem
corajoso, enfrentando com ousadia e fúria algo que ele teme. Porém, não confio
muito no narrador deste livro. O final passa como se ele saísse como um herói
vitorioso fazendo algo criminoso, mesmo tendo que arcar com as consequências
depois. Max já tinha dúvidas se o jaguar no escaler era ou não real, o que pode indicar que esse grande problema não tenha sido criado de sua mente
traumatizada? A narrativa está mais ao lado dele, mas eu tenho um pé atrás nisso.
O livro é
interessante e de leitura rápida, contendo apenas três capítulos. Se deseja conhecê-lo,
arrume um navio de confiança para se caso afundar, você não acabe dividindo o
seu barco com um jaguar.

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