sexta-feira, 19 de julho de 2024
sexta-feira, 12 de julho de 2024
Pato
Trouxe outro livro infantil que me chamou a atenção pelo
seu formato. Pato foi escrito por Jô Bibas e ilustrado por Denise
Teixeira. A história é simples: um pato nasceu em um galinheiro. Não sabendo
que ele era pato, ele achava seus pés esquisitos. No fim, ele acaba descobrindo
a utilidade deles, mostrando que cada um tem uma função nesse mundo. Uma bela
lição para uma criança aprender.
O livro se abre todo no
final, formando a bela imagem acima. Esse formato chama a atenção tanto de uma
criança quanto de um adulto, que como eu, se surpreende a cada vez que encontra
uma joia dessa. Espero encontrar outros livros como esse e como o Esta
Noite, Sonhei que era Dragão. Quem sabe futuramente, eu não faça algo nesse
estilo? Por falar em futuro, o final tem uma pista para a continuação. O que
será que vai acontecer?
sexta-feira, 28 de junho de 2024
Pentameron
Antigamente, os contos de
fadas eram contados de forma oral e, nesse grande telefone sem fio, surgem
variações de uma mesma história. O Conto dos Contos – Pentameron,
escrito por Giambattista Basile, contém algumas dessas variações e muito mais.
A obra foi publicada postumamente entre 1634 e 1636 em napolitano, que hoje é
considerada uma variante da língua italiana, e é considerada a primeira
coletânea de contos de fadas do ocidente. Mas será que ela é boa? Vamos
descobrir:
Zoza era uma princesa que não ria por nada nesse mundo,
até que o fez quando uma velha entrou em uma discussão calorosa com um rapaz.
Zangada, a velha amaldiçoou a moça, dizendo que ia se apaixonar por Tadeo, um
príncipe que foi amaldiçoado a dormir até que uma mulher derrame uma ânfora com
suas lágrimas e o desperte. Desesperada, Zoza pediu ajuda às fadas, que lhe
deram uma noz, uma castanha e uma avelã e ela só poderia abri-las em momentos de
necessidade. De tanto chorar para despertar o príncipe, acabou por adormecer.
Uma escrava se aproveitou dessa situação, roubou a ânfora e se casou com o
príncipe. Com essa terrível situação, Zoza abriu a noz e a castanha e, de cada
uma delas, saiu algo que a escrava desejava. A malvada mandou o marido dar para
ela, ameaçando matar o filho que estava carregando no ventre. Depois que Zoza
lhes entrega de presente para Tadeo, a princesa abre a avelã, e dela sai uma
boneca. Sabendo que a escrava ia desejá-la, ela fala para a boneca incutir na
usurpadora o desejo de ouvir histórias. Quando Zoza entrega a boneca para
Tadeo, o brinquedo faz exatamente o que foi mandado, e o príncipe escolhe dez
mulheres para este serviço vendo se assim saciará o desejo da esposa.
Primeiramente, devo dizer que não recomendo este livro
para crianças. Apesar de contos de fadas serem associados ao público infantil, O
Conto dos Contos contém muito xingamento escroto, cenas de sexo, humor
escatológico, punições terríveis e trechos que hoje seriam considerados
racistas. Quando os contos de fadas foram criados, não existia essa noção de
infância. A criança era apenas um pequeno adulto em aprendizagem, por isso,
estas histórias eram para todas as idades, mesmo tendo este tipo de conteúdo.
Além disso, o romance tem muitas notas de página assim como referências antigas
e pouco conhecidas que já deixam alguns adultos irritados em ter que lê-las
para entender o contexto, imagina com uma criança.
Analisando os contos de uma forma geral, têm muitos com
temáticas parecidas. Como a do homem tolo que se dá bem no final em O conto
do ogro, Peruonto, Vardiello e O Ignorante, apesar destes últimos terem sua burrice apenas
mencionada; mulheres que usam sua inteligência para resolver seus problemas
como em Violeta, O Serpente e Rosella. Apesar de todas as
histórias acabarem com uma lição, não pude deixar de notar algo: enquanto a
maioria dos antagonistas têm o fim que merecem, há contos em que os reis, mesmo
tendo feito algo nefasto, são perdoados no final como em O Dragão, Peruonto,
A Sábia e Sol, Lua e Talia. No primeiro e no último especificamente,
só a rainha má é punida enquanto o seu marido (que matou várias de suas amantes
e aprisionou a mãe do protagonista em O Dragão e traiu a esposa e
estuprou uma mulher em Sol, Lua e Talia) não sofreu nenhuma
consequência. Há também alguns contos em que os protagonistas não merecem o seu
prêmio no final, mas estes são poucos e sua maioria tem boas lições.
Quanto aos personagens (da história principal), são
típicos de contos de fadas. Zoza é a heroína que utiliza das coisas boas que
foram dadas pelos seus ajudantes mágicos para conseguir de volta o seu
príncipe. Tadeo é o servo da sua esposa, como o pai de Cinderela no conto dos
irmãos Grimm, e faz tudo o que ela quer senão ela mata o filho que está na
barriga. E a escrava Lucia, que ao contrário de como é retratado um escravo nos
dias de hoje, como alguém bom que é maltratado, ela é ruim e invejosa, mostrando
que existem pessoas tanto boas quanto más, independente do seu status social. Spoiler,
pula para o próximo parágrafo se não quiser saber: a escrava tem o final
que merece. Pena que o filho de seu ventre teve que pagar com ela.
Comentei no primeiro parágrafo sobre as diferentes
variações dos contos de fadas e que este livro possui algumas delas. Pois bem, A
Gata Borralheira; Sol, Lua e Talia; Petrosinela e Nennilo e
Nennela, que são versões italianas dos contos da Cinderela, A Bela
Adormecida, Rapunzel e João e Maria. Além dessas, há histórias como Cagliuso,
que tem semelhanças com O Gato de Botas; A Ursa lembra Pele de
Asno; O Cadeado e O Tronco de Ouro têm elementos que lembram
a história de Cupido e Psiquê. O formato de ter uma história principal
que contém outras pequenas é similar ao Mil e Uma Noites.
Há uma adaptação cinematográfica da obra de 2015, cujo
título é o mesmo do livro, tirando o Pentameron. Este filme apresenta a
releitura dos contos A Pulga, A Gazela Encantada e A Velha Esfolada.
E, por incrível que pareça, esta versão é mais sangrenta que a do livro. Todos
estes contos tiveram um “felizes para sempre” para a maioria dos personagens,
com exceção de uma das velhas de A Velha Esfolada, no romance enquanto
no filme, termina com tragédias agridoces. Outras diferenças é o destaque de
certos personagens, como por exemplo o da rainha de A Gazela Encantada,
que só aparece como uma pequena antagonista no início do conto, mas no filme é
a protagonista e vilã principal.
O
Conto dos Contos me entreteve como fã de contos de fadas.
Por isso, recomendo sua leitura àqueles que também gostam desta temática. Só
cuidado para não rirem de nenhuma senhorinha na rua. Suas maldições podem ser
bem potentes.
sexta-feira, 21 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Esta Noite, Sonhei que era Dragão
Raramente pego livros
infantis para ler, pois sou uma adulta e não tenho uma criança. Mas depois que
comecei a editar meus próprios livros, às vezes me pego olhando para um deles
seja pelo formato ou ilustração. Este me pegou pelos dois. Esta Noite,
Sonhei que era Dragão foi escrito e ilustrado pelo argentino Gastón
Hauviller, lançado originalmente em 2023 e em 2024 aqui no Brasil.
O livro tem o formato sanfona,
o que já chama a atenção. E o texto, apesar de simples, se comunica com a belíssima
ilustração. O narrador conta que esta noite, ele sonhou que era dragão, com
olhos de dragão, nariz de dragão etc. Mas a imagem ilustra não os olhos de um
dragão, mas sim de um gato. Na parte do nariz, aparece um cachorro e assim por
diante, compondo um dragão no final.
Pode
não ter sido a intenção do autor, mas isto me lembrou uma aula sobre ficção. Ficção
é como um centauro. Centauros existem? Não. Mas o cavalo e o homem existem. Ficção
nada mais é do que usar objetos e seres existentes para criar algo inexistente.
Gostei
do livro e recomendo a leitura. Apesar de ser preto e branco na frente, sua
parte de trás é colorida. Acredito que as crianças irão gostar. E adultos
também. Pelo menos, aqueles que têm coração de criança e a imaginação de um
dragão.
terça-feira, 4 de junho de 2024
Ajudante para o Cupido
segunda-feira, 27 de maio de 2024
Matinta Pereira









