sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Mitologia Russa





           Acho que não é novidade para quem lê o meu blog que gosto de mitologia e, como diz o título, este aqui apresenta seres da mitologia russa. O urso e o rouxinol foi escrito em 2017 pela escritora americana Katherine Arden, sendo o primeiro de uma trilogia. Suas continuações são A menina na torre, lançada em 2018 e já traduzida para o português pela editora Fábrica 231; e The Winter of the Witch (O inverno da bruxa), lançada em 2019 nos Estados Unidos.

            Vasilisa nasceu pelo desejo de Marina de ter uma menina com as mesmas habilidades de sua mãe de ver criaturas mágicas. Agora que seu pai se casou novamente, Vasilisa tem que lidar com a madrasta, que vê esses seres como demônios além de tratá-la mal.

           No começo do livro, já teve algo que achei meio chato e no decorrer do livro só piorou, que foram os nomes e sua pronúncias. Por se passar na Rússia, palavras como Vasilisa, Morozko, Pyotr Vladimirovich, domovoi, vodianoy são comuns, mas muito difíceis de pronunciar e até de lembrar. Além disso, havia expressões também em russo que os personagens usavam como batyushka (padrezinho) e devushka (donzela), mas há um glossário para caso esqueça o significado. Apesar de ter achado um tanto irritante não conseguir ler direito essas palavras, entendo o porquê de a autora usá-las.

          O romance é dividido em três partes e não é focado apenas na protagonista. Normalmente, gosto desse tipo de narrativa, pois ela dá uma visão maior da história e do que está acontecendo. Mas, ter tantos personagens em foco pode deixá-la lenta, que foi o caso.

         Assim como em Fronteiras do Universo, a religião cristã é tratada de certa forma como a “vilã”. Ou melhor, o fundamentalismo de seus crentes é tratado como um recurso em que o verdadeiro antagonista usa a seu favor para conseguir o seu objetivo. Por causa disso, os seres “pagãos” do lugar começam a desaparecer, quando antes ambas as crenças viviam em harmonia, pois as pessoas acreditavam nas duas. Acho que fica subentendido qual lição podemos tirar disso.

            Se tivesse que dar uma nota, daria 5 de 10. Não achei tão empolgante quanto outros livros que li. Como disse em um parágrafo anterior, a história é lenta e só comecei a me interessar no meio da segunda parte. A protagonista é a típica garota que desafia os costumes de sua terra por ser mais selvagem e fazer atividades mais “masculinas” ao invés de ser recatada e dócil para ser aceita pelo futuro marido. Sinceramente, estou enjoada desse estereótipo. Mas o livro tem pontos positivos ao apresentar seres de um folclore que não tenho muito acesso, mesmo que esses personagens não tenham tanto desenvolvimento. Os que tem mais foco são Morozko, que suponho que será o interesse romântico da heroína no futuro, e Medved, o antagonista. Já tenho em posse o segundo livro, porém devo demorar a lê-lo, pois tenho outras leituras. Além disso, apesar de dar base para uma continuação, ele funciona como um livro único, por isso, não tenho pressa em ler sua sequência.


sexta-feira, 26 de julho de 2019

Concha


                                               A concha toca            

                                               Uma música do mar 

                                               E faz sua melodia

                                               Der

                                                           ra

                                                                       mar

                                              

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O camaleão leão


                                               Era uma vez um camaleão

                                               Que queria muito ser leão.

                                               Ele sabia se camuflar

                                               Mas não sabia urrar.



                                               Podia as cores mudar.

                                               Decidiu assim então

                                               Sua cor original trocar

                                               Para a de um leão bonitão.



                                               Ele tentou caçar

                                               Uma zebra listrada.

                                               Mas a ela não conseguia enganar

                                               E dele deu uma gargalhada.



                                               Tentou urrar

                                               Mas nada saía.

                                               Tanto contraía

                                               Que acabou por arrotar.



                                               Desistiu de ser leão.

                                               O bom mesmo era ser camaleão.

                                               Podia da cor da terra e da árvore se tornar

                                               E sua língua esticar.



Voltou aos insetos caçar.

                                               Com sua camuflagem fabulosa

                                               Sua técnica era meticulosa

                                               E eles não conseguiam escapar.



                                               Olhando tudo

                                               Estava um poderoso leão

                                               Que pensava o quão sortudo

                                               Era ser um habilidoso camaleão.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Story Cubes



         Está sem inspiração para escrever e deseja jogar algo com os amigos? Então encontrei a coisa certa para você. Os Story Cubes são dados com vários desenhos variados em suas facetas. Ao jogá-los, você e seus amigos terão que inventar uma história que corresponda ao desenho. Por exemplo:



          Era uma vez uma bruxa que morava no alto de uma montanha. Em uma manhã, ela estava com seu caldeirão fazendo uma nova poção. Mas faltava um ingrediente...


       Essa poção faria quem bebesse ficar pequeno e o ingrediente que faltava era pena de corvo. Como não havia corvos em sua região, ela teve que cruzar os mares a procura de um.


         Ao chegar à região onde tinha corvos, ela se deparou com um guerreiro de armadura, que estava tendo problemas com sua carroça, cujas rodas de madeira haviam quebrado. A bruxa decidiu ajudar, substituindo as rodas por cobras gigantes, que rastejavam de forma rápida. Muito agradecido, o guerreiro capturou um corvo, que ela pode levar para casa e completar sua poção. Sua poção fez tanto sucesso que ela ficou rica, criou uma fábrica, com várias lojas ao redor do mundo.

            Quanto mais bizarra, mais engraçada fica a história. Recomendo muito esse jogo.




sexta-feira, 28 de junho de 2019

A dentuça que não era baixinha nem gorducha




          Como já fiz a resenha de um livro infantil de uma autora angolana, nada mais justo do que fazer uma análise de um conto vindo de Moçambique. O jovem caçador e a velha dentuça foi escrito por Lucílio Manjante e ilustrado por Brunna Mancuso. A editora é a Kapulana que conta como histórico várias obras de autores africanos.

            Um jovem caçador vai até a floresta, conhecida por ser um local habitado por belas mulheres que não envelhecem, e que também vive uma velha com dentes de um metro de altura.

            Esse é o tipo de história que tenho mais interesse, pois sua estrutura lembra bastante um conto de fadas. De certa forma, é um conto de fadas, só que de origem moçambicana ao invés de europeia, cujas histórias são mais conhecidas pelo público geral. O livro também traz uma outra versão da história chamada O rapaz caçador e seus três cães, contada por Laurinda Tibana. Mas esta versão conta desde o início como a velha mata os homens, estragando a surpresa.

            As ilustrações são simples, mas atraentes e coloridas, que combinam bem com o público que desejam atrair. Elas também são usadas espertamente para explicar o significado de algumas palavras que, com exceção da palavra canídeo, são desconhecidas. Recomendo a leitura tanto para adultos que gostam de contos populares de outros países quanto para crianças.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Presente


            - Oi amiga, tá comprando roupa pra quem?

            - Para o amor da minha vida.

            - Finalmente arrumou um namorado?

            - Muito melhor, olha ali.

            A garota aponta para o espelho enquanto seu reflexo sorri e dá um tchauzinho.







Para as pessoas que estão sem namorado(a) nesse dia 12: Vocês não estão sozinhas 😉.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Angola + Brasil = Literatura




         Acho que nunca fiz uma resenha de um livro dirigido apenas ao público infantil. Tem a primeira vez para tudo e esse livro é interessante de se comentar. Kambas para sempre pertence à editora Kapulana, sendo sua escritora Maria Celestina Fernandes, uma autora de origem angolana. Suas ilustrações foram feitas pela brasileira Mariana Fujisawa.

            Lueji é uma menina brasileira que tem o nome de uma rainha africana. Ela aprende a história de seus antepassados africanos enquanto lida com o preconceito sofrido na escola.

            O livro é bem didático, obviamente direcionado a crianças de oito a dez anos. As ilustrações são bem atrativas para o público infantil. Ele trouxe duas palavras do vocabulário angolano: bué (gosto muito) e o kamba (amigo/amiga) do título. Gostaria que tivesse trazido mais. A única coisa que me deu estranheza foi como a avó da menina usou o pronome tu e conjugou os verbos desse pronome corretamente. Quase nunca escuto pessoas aqui no Brasil usar o pronome tu ainda mais conjugando os verbos de forma certa. Mas isso pode ter sido uma escolha da autora para diferenciar a fala da avó dos outros personagens.

            Kambas para sempre é um livro bonitinho e de fácil entendimento para a faixa etária que comentei no parágrafo acima. Daria um ótimo paradidático.