sexta-feira, 14 de agosto de 2020
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
sexta-feira, 31 de julho de 2020
Cursed: A releitura da Lenda do Lago
Como a série baseada
neste livro acabou de estrear na Netflix, decidi logo fazer esta resenha. Cursed:
A Lenda do Lago foi escrita pelo americano Thomas Wheeler e ilustrada por
Frank Miller, sendo este último um quadrinista bastante conhecido e o seu quadrinho
mais famoso é a série do Batman, O Cavaleiro das Trevas.
A jovem Nimue planeja fugir de sua terra devido às
estranhas possessões que sofre dos Ocultos, espíritos da natureza, o que faz
com que seu povo a trate mal. Mas o que ela fará quando esses mesmos espíritos
a escolhem para ser o próximo Conjurador na cerimônia de sucessão?
Este livro é uma releitura das lendas arthurianas, que
infelizmente tenho pouco conhecimento. O único filme que assisti que é baseado
nessas histórias é A Espada é a Lei da Disney, que conhecendo a
companhia, acredito que tenha modificado bastante o filme para atrair o público
infantil. Então, analisarei o livro por si só.
Apesar de Nimue ser a protagonista do livro, a história é
composta de vários pontos de vista como os de Merlim, rei Uther, padre Cardem e
outros, dando o romance todos os lados possíveis da guerra que está sendo
travada. Infelizmente, alguns círculos são mais bem desenvolvidos e
interessantes que outros.
Quando peguei este livro, já imaginei que teria magia,
pois Merlin é um dos magos mais conhecidos da mídia, mesmo para aqueles que não
tenham tido contato com a lenda do Rei Arthur. Mas não imaginava que teria a
aparição de feéricos neste romance. E assim como na trilogia de Corte de
Espinhos e Rosas, lidamos com a rivalidade entre humanos e seres mágicos.
Só que os feéricos daqui não são tão poderosos quanto os dos livros da Sarah J.
Maas, o que me deixa mais feliz, pois dá um pouco mais de igualdade de forças. Apesar
da Igreja conseguir exterminar grande parte desses seres, isso só acontece devido
ao ataque surpresa. Numa batalha mais justa, suas forças são mais equivalentes,
ganhando aquele que possuir mais habilidade ou uma arma melhor.
A grande parte dos personagens é genérica. Com exceção do
rei Uther, sua mãe Lunette e Merlin, nenhum outro personagem me chamou a
atenção. Nimue é a típica garota cabeça-dura que o povo detesta e teme, mas que
dá a volta por cima e se torna uma guerreira respeitada por todos. Arthur,
apesar de ser um mercenário bem treinado, aparece mais no livro para ser o
interesse romântico de Nimue. Morgana está lá apenas para ser a amiga de Nimue
e falar mal do irmão. O Monge Choroso podia ter sido desenvolvido melhor. Há
mais personagens, porém apenas um em específico, que não direi o seu nome, cuja
existência é desnecessária e sua função podia ser dada a outro personagem mais
importante, pois teve muito pouco desenvolvimento e aparição no livro comparado
a outros. Não direi o porquê gostei dos personagens de cima. Se fizer isso,
entraria na zona de spoilers. O que posso dizer é que a história que envolve
Uther e a relação com sua mãe Lunette é interessante e teve um bom desfecho.
Enquanto Merlin tem uma personalidade de malandro, que me atraí. Ele só fica
mais sem graça quando encontra com Nimue.
Quanto às ilustrações, tenho que confessar que não sou
muito fã do estilo de Frank Miller. Mas seu desenho combina com a guerra
sanguinária que ocorre no decorrer do livro.
De um modo geral, não achei o romance nem bom nem ruim.
Terminou de um jeito que dá base para uma continuação. Não sei se terá uma sequência,
mas se tiver, não devo ler pois a história não me deu ânimo o bastante para saber
o que acontece depois. Por outro lado, este livro me deixou curiosa para ler
algo relacionado ao seu material de origem, que são as lendas arthurianas, só
para saber o que foi modificado. Quem sabe eu leia algo sobre elas um dia.
sexta-feira, 24 de julho de 2020
sexta-feira, 17 de julho de 2020
O plano
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Olívia no país de Onira
Das Cinzas de Onira
foi escrito pelo brasileiro Umberto Mannarino, que é conhecido por fazer vídeos
relacionados ao ENEM e seus desenhos foram feitos pelo ilustrador Esdras Gomes.
O livro foi lançado em pleno 2020, que não está sendo um dos melhores anos,
para ser sincera. Para isso, é bom se distrair com uma boa leitura.
Olívia acordou no hospital com um tubo na garganta e
queimaduras nos braços. O médico lhe contou que sua casa havia pegado fogo. Mas
ela não se lembrava do incêndio. Ou quem eram os seus pais. Ou qualquer coisa
que não fosse o seu nome. Ela foi morar na casa dos tios e lá ela conhece
Onira.
O romance parece ter se inspirado em várias obras como Alice
no País das Maravilhas, pela temática de sonhos e dos seres estranhos que Olívia
encontra no país de Onira, cujo nome parece ter vindo da palavra onírico. Vi um
pouco do livro O Mágico de Oz, cuja heroína se junta a um grupo composto
por seres bem diferentes em busca de algo em comum. Também tem semelhanças com
a versão cinematográfica desse livro, em que todos os personagens importantes
que Dorothy encontra lembram pessoas que ela conhece. Outra obra sobre crianças
indo para outro mundo com situações similares foi As Crônicas de Nárnia: O
leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Nela as crianças vão para Nárnia usando
um guarda-roupa como portal enquanto Olívia usa uma lareira. Há um tom de
mistério com um pouquinho de terror infantil como a Coraline de Neil
Gaiman. Apesar das inúmeras inspirações, Das Cinzas de Onira ainda assim
conseguiu ser única, algo bastante admirável.
Mas uma referência inesperada foi a da aparição de Sam, a
barata, que foi tirada do livro de Franz Kafka, A metamorfose. Um livro
que não consegui acabar na minha adolescência volta para me atormentar depois
de vários anos. Me surpreendi. Um personagem de um romance juvenil/adulto que
faz uma crítica social da vida dos trabalhadores de sua época aparecer em um
livro infanto-juvenil não é algo que a gente vê sempre.
Quanto aos personagens, são bem interessantes. Apesar de
Olívia ser meio irritante às vezes, você entende a situação dela, além do fato
de ela ser uma criança e se comportar como uma. Queria que tivesse mais
interações entre ela e a personagem Aisling. Seria um bom acréscimo à história.
E mais cenas com o tio Lucas. Ele me parece um personagem interessante e que
devia ter ainda mais foco.
As ilustrações, com exceção da capa e da contracapa, são
todas em preto e branco, combinando com o clima de suspense. Mas seus traços
são mais voltados para o público que o livro deseja atrair, que é o público
infanto-juvenil. Ou seja, seus desenhos são menos realistas. Achei bem
atrativas.
A coisa que mais me surpreendeu foi o final, tanto de um
jeito bom quanto de um jeito ruim. Apesar das várias inspirações que citei
anteriormente, o autor conseguiu finalizar de um jeito diferente de todas as
obras referidas. Darei um grande spoiler, não deseja saber como o livro
acaba, pule para o último parágrafo. Então, o livro acaba simplesmente não
acabando. Voltamos para o começo da história. Por mais que seja sensacional,
isso me deixou apreensiva, pois parece que os personagens vão ficar nesse ciclo
eterno sem nunca resolver o problema. Senti pena deles.
Apesar do final ter me deixado apreensiva, foi uma boa
jornada. Recomendo a leitura para crianças de dez a doze anos. Se quiserem chegar
até Onira, sigam uma coruja vermelha até a lareira. Só tomem cuidado com as
aranhas e fantasmas.








