sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O Primeiro Vampiro Moderno


        Como estamos no mês do Halloween, por que não falar de um conto com esta temática? O Vampiro foi escrito por John William Polidori e lançado em 1819, sendo considerado como a obra fundadora do vampiro moderno ou vampiro aristocrata. Uma curiosidade interessante sobre esta história é que ela surgiu de uma competição literária com o tema de terror proposta por Lord Byron, autor bastante conhecido na Inglaterra, como um meio de passar o tempo, pois ele e seus amigos não podiam sair da mansão devido ao tempo chuvoso. Além do Vampiro, um rascunho do que seria um dos grandes clássicos de terror também foi escrito, sendo este o Frankenstein da autora Mary Shelley. Agora vamos para a análise:

            Lord Ruthven era uma figura peculiar que chamava a atenção dos outros por seu olhar, que fazia as pessoas sentirem algo que nunca sentiram na vida. Era um nobre que não aparentava possuir vícios, com exceção de dormir com várias mulheres. Sua figura chamou a atenção de Aubrey, um jovem romântico que via o lord como um herói de um livro. Aubrey decide se aproximar do lord e o próprio convida o jovem a viajar com ele. E assim, Aubrey descobriu que seu herói não era tão virtuoso quanto aparentava.

            A característica principal do vampiro, que é seu amor por sangue, foi apresentada ao conto. Além disso, parece que ele também causa má sorte àqueles que recebem sua caridade. Ao contrário do zumbi, que é um monstro cujo único instinto é se alimentar, o vampiro possui não só inteligência, mas também sadismo, pois sente prazer em causar sofrimento em suas vítimas. Parece não ter fraqueza ao sol, mas tem preferência pela noite.

            O conto tem um final trágico, típico do gênero de terror. Sua narrativa é simples e o leitor não terá muita dificuldade em ler. Apesar de ter introduzido ao mundo a imagem do vampiro que nós conhecemos, não acredito que seja muito inovadora no aspecto da história. Porém, recomendo aos fãs de vampiros a conhecê-la. Só não deixe o charme de Lord Ruthven atraí-los.

            

 

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

A Viagem da Garça


    No dia 10 de outubro, de 12h às 16h, estarei na Bienal de Pernambuco no estande 9F do Escreva Garota lançando meu novo livro A Viagem da Garça. Não Percam!

                  “Perto de um rio, vivia uma garça, que estava enjoada de comer sempre os mesmos peixes. Um dia, ela decidiu viajar em busca de peixes novos e apetitosos...”


 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

O Matuto e o Lobisomem

 


           Volto com mais uma história nacional fantástica encontrada no Kindle. O Matuto e o Lobisomem foi escrito por Allan Denis em 2021. Será que a leitura vale a pena? Vamos descobrir.

            Senhor Dino nasceu na Bahia, mas mora em São Paulo desde que tinha doze anos. Querendo reconectar com suas raízes nordestinas, ele decide contar uma história que seu avô contou sobre um lobisomem que aterrorizava uma região e, desesperado, o povo reúne um grupo para acabar com ele, incluindo Zé da Lata, um matuto que já caçou lobisomem no passado e que agora conta o seu feito para os moradores.

            Já disse em uma resenha passada que o lobisomem é o meu monstro favorito. Então, fiquei logo empolgada com a leitura. Além de ser o típico lobisomem que se transforma em lua cheia, este livro também acrescenta um método para curar o lobisomem: uma bala feita da prata de uma mulher que foi deixada no altar, banhada com as lágrimas de uma mãe que perdeu o filho, para que tanto a amargura e o amor entrem no coração do bicho. Achei bastante criativo.

 A estrutura do texto lembra uma versão curta de Mil e uma noites em que um personagem conta a história e dentro dela, outro personagem conta outra história e assim por diante. A cada pausa que os narradores davam, eu ficava que nem seus ouvintes, curiosa e querendo saber logo o desenrolar da trama. E, como o próprio livro menciona, é uma típica de Davi e Golias, em que um matuto fraco consegue derrotar um aterrorizante lobisomem usando a esperteza.

Infelizmente, o mistério sobre a identidade do lobisomem na história contada por Zé da Lata é previsível. Mas a trama compensa com uma história instigante. Recomendo a todos os fãs da literatura nordestina fantástica. Só cuidado com as noites de lua cheia.

 


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Estarei na Bienal do Rio

 



        Pela primeira vez, estarei vendendo os meus livros na Bienal do Rio. Estou muito feliz em ter esta oportunidade. Espero vocês lá no Pavilhão Verde - Estande Q34. Se não puderem vir no dia, não tem problema. o Escreva Garota estará vendendo três de meus livros (Miska a gata-cão; O camaleão leão e Fogo Brabo & Raio de Sol) em seu estande.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O sobrenatural nordestino


        Mais uma vez, trago um livro de contos brasileiros que encontrei no Kindle. Farras Fantásticas foi organizado por Ian Fraser, Ricardo Santos, João Mendes e lançado em 2021, sendo composto por autores diversos. Cada história foca em uma comemoração tradicional do Nordeste com uma dose de fantástico. Será que eles são bons? Vamos descobrir.

O último unicórnio de Serrita – Escrito por Fernanda Castro, autora de Lágrimas de Carne*. Raimunda está participando da Missa do Vaqueiro junto ao seu amigo Cassiano. Enquanto cavalgava atrás do bezerro, ela avista uma novilha de apenas um chifre, chamada de unicórnio encourado. Será que é o seu destino capturá-la? Típico conto em que os ricos só pensam em se aproveitar da crença dos outros para ganhar dinheiro.

Bom fim – Escrito por Nina Ladeia. Antônio tinha muito medo do mar, algo incomum para os garotos nascidos na ilha. Para fazê-lo perder esse medo, sua mãe o colocou para ir junto ao tio até Bonfim de barco. Ela só não esperava a vinda de uma grande tempestade. Um conto simples, que mistura duas religiões.

Capa preta – Escrito por Guilherme Ramos. Em uma Quarta-Feira de Cinzas no bairro do Prado, uma senhora conta a seguinte história: Numa noite de carnaval, no Clube Fênix, um rapaz e uma moça se conhecem e dançam. Querendo encontrá-la novamente, o moço oferece a ela uma capa para se proteger da chuva, dizendo que ia pegar de volta na casa dela no dia seguinte. Eles então se despedem, próximos ao cemitério. Final inesperado. Um bom conto.

A luz de vó Alzira – Escrito por Laís Lacet. Luíza não gosta da festa de São João. Foi o dia em que sua avó morreu e que foi expulsa da casa dela pelo seu pai por não aceitar o namoro dela com Renata. Porém, Renata a convence de ir ao Trem do Forró e lá ela teve uma visão de sua avó. Conto mais ou menos.

Olha pro céu, meu amor – Escrito por G. G. Diniz, autora de As águas do rio**. Gracinha reencontra Edilson, seu amigo de infância, que não vê a uns vinte anos. Agora, Edilson é padre, e ainda acredita que é um lobisomem e nunca sai de casa nas noites de lua cheia. Gracinha não acredita em nada disso e tenta convencer o padre de sair e ir para a festa. Aconteceu o que eu já esperava, sem nenhum plot twist.

O Odu quer brincar na festa – Escrito por Mariana Madelinn. Mabili tem o dom de ver os mortos e sabe o odu (destino) de todos, menos o dele. Em seu sonho, foi visitado por Okaran, que disse que Mabili tem também a habilidade de controlar o tempo dependendo de seu humor. Esse conto apresenta um pouco da mitologia iorubá e a Festa da Boa Morte. Uma história mais ou menos.

A benção de dona Lourdes – Escrito por Thiago Lee. Marilene foi ao enterro de sua bisavó Lourdes para conhecer mais sobre a história de sua família. Enquanto ela entrevistava o grupo dos Bacamarteiros Mágicos que dona Lourdes fazia parte, eles lhe entregam todos os pertences da falecida na esperança de que sua bisneta consiga produzir a pólvora mágica usada em suas apresentações e que apenas dona Lourdes fazia. Conto clichê, mas bonitinho.

Ilha d’água – Escrito por Henrique Ferreira. O pai de Francisco fugiu de casa em pleno aguaceiro. A pedido da irmã, Francisco vai procurá-lo. Ele sabe onde o velho se meteu e vai até a Praia do Meio, lugar que juraram não pisar mais. Briga de gerações e diferentes religiões, com o pai querendo que o filho assuma o seu legado e evite que uma catástrofe aconteça. Não gostei do final. Francisco poderia ter aceitado a visão do pai sem precisar seguir o mesmo caminho e manter suas próprias crenças.

Miolo de boi – Escrito por Auryo Jotha, autor de Pássara***. Ícaro saiu à meia-noite, em plena virada de ano. Na estrada, encontrou com um homem que fazia parte do Reisado dos Caretas (uma festa que louva o Santo Reis), que lhe pede uma carona. Porém, há  algo de estranho nesse mascarado... Um conto clichê, mas bonitinho.

Usura – Escrito por Igor Chacon. Em sua cama, Fátima, que sofre de Alzheimer, tem um momento de lucidez e recorda o seu marido Chico sobre a Pega de Boi que eles foram anos atrás. E ambos escondem um terrível segredo. Um segredo que eu acabei por adivinhar e por isso, acabou sendo previsível. Conto com final tragicômico.

O dragão fugiu! – Escrito por Cesar Miranda. No dia dois de julho, dia em que se comemora a independência do Brasil na Bahia, os neocoloniais planejam acabar com a festa. Mas não conseguirão pois Jerônimo não permitirá. O conto tem formato de texto de blog. História ok.

A esposa do Diabo – Escrito por Franz Andrade. Há anos atrás, em Caiçara, viviam os Úrsulas, uma família de ciganos ruivos, cujo povo tinha medo e raiva, pois vários acidentes estranhos aconteciam em sua propriedade. E depois de tanto tempo, Thiago retorna para cidade para encontrar Jordália, uma dos Úrsulas. Será que tudo o que diziam dessa família era verdadeiro? Um bom conto com um mistério indecifrável.

Entre ver(s)ões – Escrito por Chico Milla. Nova Milhã é uma cidade onde as pessoas vivem em uma redoma que protege da radiação, chuva ácida etc., além de tomarem pílulas para tudo. Mário, que é policial, tinha a missão de proteger a Festa dos Caretas de ataques terroristas. Lá ele encontrou Bob, um amigo de infância que foi morar em outro país. Este lhe entregou um livro proibido.  Um conto distópico.

Os fantasmas de Sebastião – Escrito por Laísa Couto. Há noite, na véspera de São João, Coração sai escondida de casa e encontra um belo rapaz de olhos azuis. Mas parece que apenas ela consegue vê-lo. Conto de romance adolescente.

Qual a cor do oceano? – Escrito por Henggo. Tarcísio vive numa São Luís futurística e tecnológica. Irritado de como andavam as coisas e com saudade do passado, ele decide fazer a dança do Bumba meu boi, que não era feita já a muitos anos e revelar o que o governo esconde. Conto distópico que valoriza as tradições e foca na briga entre natureza e tecnologia.

Brenno e a Fera – Escrito por André A. Lima. Depois de vários anos morando na Europa, Brenno retorna a João Pessoa para reencontrar sua amiga de infância, Eloísa. Agora, ela trabalha no parque de diversão como a horripilante Monga. E por essa revelação, já esperava onde esse conto ia dá.

Arrebentação – Escrito por Carol Vidal. Marvin perdeu o pai a pouco tempo e agora oferece sua obra para Iemanjá. Então, Marvin foi puxado pelo mar. Conto bonitinho.

Maria de Zambê – Escrito por Márcio Benjamin. Otávio se irrita com os tambores que os escravos tocam na noite de lua cheia. Maria, sua esposa grávida, diz para ele ignorar e ir dormir. Mas escutam Otília, a mãe doente de Otávio, gritar de seu quarto. Algo ruim estava prestes a acontecer. Conto em que os cruéis donos de escravos são punidos.

            Achei a maioria dos contos medianos, sendo os meus favoritos Capa Preta e A esposa do Diabo. Mas foi interessante para mim, como uma pessoa do Rio, conhecer algumas celebrações do Nordeste, como o dia da Independência da Bahia, que é comemorada no dia 2 de julho. Se quiser conhecer, você pode encontrá-lo no Kindle.