sexta-feira, 27 de abril de 2018

A amiga


            - Oi Emília.
            - Oi Laura. Quanto tempo não nos falamos? Senti sua falta.
            - Eu também. Mas ando meio sem tempo. Sabe como é, a escola...
            - Mesmo depois da escola, você não vem falar comigo.
            - É que...
            - Laura, o almoço está pronto!
            - Já vou mãe! Espere só mais um pouquinho! Eu tenho estado meio ocupada Emília e...
            - No computador! Você só fica nesse computador e se esquece de mim.
            - Isso não é verdade Emília. Eu te amo.
            - Se me amasse, passaria mais tempo comigo!
            - Laura, vem logo almoçar! A comida vai esfriar!
            - Vou daqui a pouquinho!
            - Você fica nesse computador jogando joguinhos bobos e se esquece de mim.
            - Eles não são bobos, Emília. E pare de falar assim. Parece a minha mãe. Eu prometo que vou passar o dia com você hoje.
            - É mesmo?
            - Sim.
            - Laura, para de brincar com a sua boneca e vem almoçar agora!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Arrancando o mal pela raiz




        Enraizados foi escrito por Naomi Novik, nascida em Nova York, Estados Unidos. Ela foi indicada para o prêmio Hugo para melhor romance em 2007 e 2016, e ganhou o prêmio Nebula por melhor romance em 2016 pelo livro dessa resenha. Também escreveu outros livros como O dragão de Sua Majestade e suas continuações.
            Uma menina de dezessete anos nascida depois do mês de outubro é escolhida como sacrifício para um dragão. Só que não é dragão, mas sim um mago que protege as aldeias dos perigos da floresta. Ele não a devora e dez anos depois ela é solta, só que mudada, e assim ele escolhe a próxima. A amiga da desajeitada Agnieska, Kasia é a escolha mais provável, não apenas por possuir tamanha beleza, mas também pelo jeito calmo e elegante. Porém, todos de sua cidade estavam enganados. Adivinha quem ele escolheu?
            Bem, se a história é narrada pela própria Agnieska, já fica entendido de que ela foi a escolhida. E foi mesmo. No início, senti uma semelhança com O Castelo Animado*, em que a protagonista Sophie, devido a certas circunstâncias, vai para um castelo de um bruxo e acaba trabalhando para ele. É claro que, no caso de Agnieska, ela é obrigada a ir enquanto Sophie foi por vontade própria, pois não tendo para onde ir após ter sido transformada em uma idosa pela Bruxa do Desperdício, não podendo contar a ninguém sobre o feitiço. Outra semelhança é a da protagonista ter uma relação de brigas com o bruxo, e mesmo assim perceber que ele não é uma pessoa tão ruim quanto imaginava e no final se apaixonar por ele. Em Enraizados, isso não acontece no final. Foi antes de acabar a primeira metade. Apesar do casal ser daqueles que brigam muito um com o outro ser um clichê e eu já ter enjoado disso, por algum motivo, acabei gostando da dinâmica de Agnieska e do Dragão. Lia muito sobre esse tipo de casal em mangás shoujo (revistas japonesas para meninas) na adolescência e ver isso no livro, me fez me sentir de novo com catorze anos, torcendo para que os dois fiquem juntos e tenham mais momentos fofos. A personalidade do Dragão também me fez lembrar dos mocinhos dessas revistas: o cara que xinga a protagonista, achando-a uma desgraça, até passar vários dias conhecendo-a e ir apaixonando por ela, mas continuar fazendo esses atos para esconder seus verdadeiros sentimentos. Isso acabou aflorando a adolescente em mim.
            A outra relação importante no livro é a de Agnieska e Kasia, que infelizmente, não me atraiu muito. Isso me decepcionou um pouco, pois Agnieska demonstrava se importar muito com a amiga, apesar de invejar suas qualidades. Como Agnieska é a narradora da história, sabemos desses sentimentos que ela nutre por Kasia. Mas senti que não houve muito diálogo que demonstrasse a personalidade de Kasia. Ela é descrita como calma e corajosa, porém queria mais que isso. Sei que no livro é revelado [SPOILER: que ela também sente inveja de Agnieska e que ela, depois de anos sendo preparada para ser levada pelo bruxo, acabou ficando em casa, sendo tudo isso para nada, perdendo seu objetivo de vida.] Isso foi interessante, mas sua personalidade, ou a falta dela, incluindo o fato dela não ser tão focada quanto o Dragão, me fez não ligar muito para ela. E isso foi um problema pois na segunda metade do livro [SPOILER: o foco é de defender ela no julgamento na capital, devido àqueles que são corrompidos pela floresta terem que ser queimados e mortos. Sendo que o Dragão não pode sair da torre e Agnieska teve que ir sem ele, deixando o livro mais sem graça para mim.] E mesmo assim, senti que houve muito pouco dela. A autora deveria ter feito alguns capítulos em que Kasia fosse a narradora, pois não só enriqueceria o livro com mais um ponto de vista, mas também seria a oportunidade perfeita para saber o que ela pensa e dar mais alguma personalidade para ela (quem sabe mais inseguranças que ela tenta esconder sob as aparências, ou a opinião dela sobre as pessoas ao seu redor).
            Uma curiosidade: a autora mencionou um personagem do folclore russo-polonês, a Baba Yaga (Baba Jaga no livro), que também era uma bruxa, tendo seu próprio livro de feitiços, sendo esse de muita utilidade para a heroína. Gosto quando os autores usam personagens do folclore para enriquecer sua história, principalmente quando ela é baseada em contos da região do personagem mencionado.
            Indo para a história, Enraizados é um título que representa bem o que está acontecendo, pois a Floresta é a antagonista (en – raiz – ados), além de ter um segundo significado que é o de estar fixo, que ao ler o romance se descobrirá onde este termo se encaixa. Essa coisa da floresta ser a inimiga do povo parece ser uma daquelas histórias de não poder mexer muito com a natureza ou ela se vingará de você. E é mais ou menos isso nesse livro. Como assim mais ou menos? Bom, pode se dizer que há também uma briga de culturas, não vou dizer quais.
            De maneira geral, gostei do livro, principalmente da primeira metade que me prendeu e me fazia voltar e ler mais um capítulo. O começo da segunda metade foi mais chatinho até a chegada do clímax. Se você conseguir ultrapassar a barreira de certos clichês, embarque nessa história que pode te dar frutos para uma boa distração.  




*Para mais informações acesse http://ponteparaoimaginario.blogspot.com.br/2017/05/howls-moving-castle-o-castelo-animado.html

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Palestra e exposição na Casa Sapucaia



            Oi gente! Fico feliz em convidar a todos para a exposição de minha irmã Luísa, a         Maya Flor, com todos os livros ilustrados por ela. E além disso, temos livro novo. Não percam!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Borboleta Azul


                                               Apareceu pela primeira vez em uma história de dormir.
                                               Junto com o Sapo Verde e a Coruja que gostava de sumir.
                                               A bela Borboleta Azul a minha imaginação via
                                               Quando do meu pai a história ouvia.

                                               Até que cresci
                                                E a esqueci.

                                               Na nova escola tinha mato
                                               E com ela pessoalmente tive contato.
                                               Asas grandes de cor azul escuro
                                               Voando para um incerto futuro.

                                               Até que cresci
                                               E dessa escola eu saí.

                                               Onde ela está agora?
                                               Está voando afora?
                                               Não, está voando adentro.
                                               Dentro de mim, bem no centro.

                                               Eu cresci
                                               E floresci.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O Lobisomem Brasileiro




        Meu monstro clássico favorito é o lobisomem. Adoro a dualidade entre homem racional e monstro sanguinário vivendo no mesmo corpo. O que eu menos gosto é o zumbi, por achar que existe a possibilidade de ele vir a existir com a mutação de vírus feitos em laboratório. Mas isso não vem ao caso. Esse romance foi escrito por Marcos DeBrito, acrescentando mais um autor brasileiro para minha lista.
          Há um monstro nas redondezas de um pequeno vilarejo no interior de São Paulo, que anda matando não só os animais, mas também pessoas. Enquanto isso, Álvaro, filho de imigrantes italianos e único sobrevivente de um massacre ocorrido com sua família, se apaixona por Alana, moça de melhor estirpe social.
          Tive sentimentos mistos com relação a esse livro. Pelo lado positivo, o autor cria um bom cenário de terror, tendo feito boas pesquisas na composição do enredo, como, por exemplo, o mito do ser com cabeça de cachorro e o manuscrito ilustrado chamado Theodore Psalter, lido pelo personagem Valêncio. E além disso, ele conseguiu retratar bem o cenário histórico da época, o que exige bastante pesquisa e estudo.  Não gosto muito de romances históricos, nem mesmo os de ficção, pois as personagens femininas não costumam ser tão legais, pois a época em que viviam não lhes dava muita liberdade. As exceções que eu li foram Elizabeth de Orgulho e Preconceito e Eufrásia de Mundos de Eufrásia, e a segunda realmente existiu, apesar de seu romance ter um pouco de ficção. A personagem Flávia poderia seguir o padrão delas, mas não teve tanta aparição assim, pois o foco ficava mais nas personagens masculinas e no final centrou mais em sua paixão do que em sua personalidade.
       Quanto à história, esperava mais mistério com relação a quem seria o lobisomem, me surpreendendo e fazendo achar que fosse uma personagem, mas na verdade era outra. Não teve isso. Soube desde o início quem era e o livro não fez segredo disso. Porém, houve algo no livro que me fazia querer ler até o final. Parecia que eu estava assistindo uma série viciante de terror, o que faz sentido pois o autor é roteirista. Havia divisões nos capítulos através de datas, que às vezes voltavam para anos atrás, para demonstrar um outro ocorrido relacionado à história e para o leitor obter mais informações. O mistério que me atraiu foi de como acabaria a história, o que me deixou ansiosa para chegar ao final. E também como funcionaria a maldição do lobisomem, que como eu disse acima, exigiu uma pesquisa do autor.
           Tive a surpresa de descobrir que esse romance é para um público mais maduro pelas várias cenas de sangue e pela cena de sexo. A editora é a Rocco, deve ser por isso que achei que ela pegaria mais leve. Estou acostumada a ler livros mais leves dela. Eu devo ter lido mais do selo da Rocco Jovens Leitores do que da Rocco em si. Se bem que Harry Potter é da Rocco e não da Rocco Jovens Leitores e não é tão violento. Pelo menos não no começo. Mas por outro lado, a saga de Jogos Vorazes é da Rocco Jovens Leitores e se passa em uma distopia que envolve adolescentes e crianças se matando até que que apenas um sobreviva. Bem, deixa para lá.
            Se o ambiente que você procura é assustador com violência, sangue e um pouco de romance e drama com lobisomem, esse é o livro certo. Eu não achava que ia sentir tanto medo do lobisomem ou que ele seria tão violento, pois nas coisas que li ou assisti sobre esse ser, ele era mais simpático do que tenebroso. Aqui ele é os dois, e eu diria que vai mais para o lado sombrio do que para o outro. Ou seja, estou acostumada a vê-lo em obras mais leves. Resumindo, gostei, mas tive uma sensação de medo, o que não é agradável para mim que prefiro uma sensação mais calma e com menos sangue.




sexta-feira, 23 de março de 2018

Meus livros na Estação das Letras



              Oi gente, tenho a alegria de dizer que agora os meus livros estão à venda na Livraria da Estação das Letras, na rua Marquês de Abrantes, 177 - Flamengo no final da galeria. Lá também tem vários tipos de cursos relacionados ao mundo das letras. Eu mesma farei os cursos Produzindo seu Livro de Literatura Infantil e Juvenil e Unicórnios: um passeio pela imaginação. Para mais informações, acessem o site deles http://estacaodasletras.com.br/ , seria bem legal encontrar vocês por lá.





sexta-feira, 16 de março de 2018

O moinho



O velho moinho mói
Mói solitário o trigo.
As trepadeiras o abraçam.
Ele se corrói até enfim
Se render e a natureza
Florescer...