sexta-feira, 14 de abril de 2023

Contraparte maligna


                                                            Roteiro: Mariana Torres
                                                            Desenho: Maya Flor

sexta-feira, 31 de março de 2023

O mundo inexplorado



 

            Voltamos para o desfecho da saga da Passa-Espelhos. A Tempestade de Ecos foi escrito por Christelle Dabos em 2019 e lançado aqui no Brasil em 2021. Será que este livro responderá a todas as perguntas deixadas nos volumes anteriores? Vamos descobrir?

            Como acontecera no passado, novos rasgos se formam pelo mundo, fazendo pessoas e lugares desaparecerem. Tudo isso é obra do “Outro”, que Ophélie libertou sem querer ao atravessar um espelho pela primeira vez. Agora, a moça está nas mãos de Lazarus, um famoso inventor, que é totalmente leal a entidade de “Deus”, e usará a jovem para atrair o Outro. No meio desse embate que não desejava estar, Ophélie, junto ao seu marido Thorn, terão de se preparar para uma catástrofe.

            Como falarei da história sem dar nenhum spoiler? Bem, digamos que houve várias reviravoltas. Revelações inusitadas, mortes de personagens e respostas a várias perguntas como o porquê de Ophélie ser tão atrapalhada ou quem era a entidade do espelho que ela libertou. Mas não comentarei nada disso aqui.

            A minha interpretação do livro anterior foi de que devemos lembrar do passado para que não cometamos os mesmos erros no futuro. Com os acontecimentos desse livro, não sei se isso se mantém. Parece que aqui, a mensagem é o contrário. Que devemos esquecer tudo e começar do zero. Tenho sentimentos conflitantes em relação a isso. Mas a lição óbvia de que não devemos brincar de Deus ainda permanece aqui, junto com uma pequena discussão de se os estrangeiros e seus descendentes devem ou não ser considerados tão cidadãos quanto o povo originário do país que vivem atualmente. E também se é válido fazer experiências com pessoas por um “bem maior”.

            Quanto aos personagens, são muitos. Tantos que achei que alguns tiveram seus desfechos rápido demais e deveriam ter tido mais tempo de desenvolvimento. A Tempestade de Ecos mantém a regra estabelecida por seus antecessores de dar foco a mais de um personagem na narrativa, sendo eles Ophélie, Victoire, Thorn e um ser desconhecido cuja identidade só nos é revelada pelos capítulos finais.

            O final deste volume foi bem melancólico e deixou a possibilidade de uma continuação. Além disso, senti que o seu mundo foi pouco explorado. Apenas quatro de suas vinte e uma arcas foram apresentadas com mais detalhes. Espero que a autora continue a desenvolver este mundo, nem que seja através de personagens novos. Quem sabe um dia. Que bom que não temos um “Outro” destruindo o nosso planeta. A gente faz isso por si só. Mas acredito que podemos melhorar.

 

 

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

A aranha que queria ser flor

 


                "Era uma vez uma aranha, esquisita muito estranha. Não sabia tecer teia e ainda por cima era feia."


                Oi gente! Eu e minha irmã Maya Flor lançamos um livro novo. Quem quiser adquirir, entre em contato pelo e-mail da editora: editoraponteparaoimaginario@gmail.com

 

sexta-feira, 3 de março de 2023

Caçando demônios pelo Nordeste


            Vamos sair um pouco das terras estrangeiras e ir para o agreste nordestino. O Auto da Maga Josefa foi escrito por Paola Siviero em 2021, tendo como base o conto Conjurações e Terra Seca, criado em 2017 pela mesma.

            Desde pequeno, Toninho foi criado para ser um caçador de demônios e mandar os espíritos para o além. Na sua procura por um demônio criança, ele encontra Josefa que é uma maga, ou seja, a filha de uma mulher humana com o diabo. Ambos fazem um pacto para capturarem o coisa ruim e mandá-lo de volta ao inferno. Quais serão as razões pelas quais a mulher persegue seus próprios irmãos?

            O livro é dividido em capítulos, sendo que cada um conta a história de um caso que Toninho e Josefa tiveram que resolver. Devo dizer que a autora foi muito criativa ao misturar monstros estrangeiros como o vampiro, à nossa cultura, sem que ficasse esquisito, inventando razões pelas quais essas criaturas são encontradas no Brasil. Por exemplo os vampiros, que vieram junto com os colonizadores para cá. Mas muitos deles foram embora devido ao clima quente, sendo raros de se encontrarem no país.

            A dupla de protagonistas se completa e dá um bom duo de comédia. Toninho é um caçador de demônios e seres mágicos, treinado desde criança, mas seu conhecimento é bem pequeno comparado a Josefa, que apesar da aparência de jovem, tem mais de duzentos anos, além de ter nascido com poderes mágicos. Josefa é bem cabeça quente enquanto Toninho é mais calmo e bondoso. Ele às vezes não resiste de “tirar uma” com a maga, e ela, que já tem pouca paciência, se vinga dele calando-lhe a boca. Literalmente.  

            Se tivesse que falar em algum ponto negativo, diria que teve um momento que a autora quis “lacrar”, colocando um assunto que pode ser considerado polêmico e, em minha opinião, não combina com a narrativa de um Nordeste mágico dos anos 60.

            De maneira geral, foi uma leitura divertida. Recomendo a todos que gostam de fantasia com uma pitada de comédia. Por isso, suba no lombo de sua mula ou num galho de cajueiro e comece sua caçada. 


 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

O príncipe da floresta

 


            Como várias pessoas devem ter notado, a Disney baseou vários de seus filmes em contos e livros. Bambi é um deles. Bambi: A história de uma vida na floresta foi escrito pelo austríaco Felix Salten, pseudônimo de Siegfried Salzmann, em 1923. Será que a empresa de animação mais famosa conseguiu manter a essência da obra original? Vamos descobrir.

            Numa pequena clareira escondida, nasceu Bambi, um filhote de corça. Agora que chegou ao mundo, Bambi tem que aprender como é a vida na floresta, com suas maravilhas e perigos.

            Como dito na resenha, a história foca no crescimento de Bambi, que vai aprendendo a lidar com a vida na floresta e com uma entidade que perambula por lá e mata com o seu terceiro braço. Este deus maligno é conhecido pelos animais como “Ele”. Nós o conhecemos como homem ou caçador. O conflito entre “Ele” e os animais selvagens é a parte mais interessante do livro. A obra mostra como “Ele” é poderoso, só para no final revelar que este não passava de um outro ser vivo, que assim como os outros bichos, não pode escapar da morte.

            Também é interessante como o autor tenta humanizar os animais. Apesar de terem sentimentos complexos dos seres humanos, seus comportamentos animalescos ainda são mantidos. Como por exemplo o tratamento que a mãe de Bambi dá ao seu filhote vai mudando conforme passa o tempo. No começo, ela é mais amável e cuidadosa com ele, mas ela vai ficando mais distante, dando bronca nele por querer dormir ao seu lado. Para nós, isso parece algo cruel, mas é algo normal para uma corça, que cresce mais rápido e mais rápido terá que se desapegar dos cuidados da mãe para ter uma vida independente. Também mostra como a corça macho não tem nenhuma obrigação na criação de seus filhotes, pois é assim que isso ocorre na natureza.

            Vamos para as diferenças entre o livro e sua adaptação da Disney: Começando com a espécie de Bambi que foi trocada no filme. Aqui, ele é uma corça, uma espécie de cervo pequeno que vive na Europa e na Ásia enquanto em sua versão cinematográfica ele é um veado norte-americano. Os amigos de Bambi, Tambor e Flor, são exclusivos do filme. Mas acredito que a inspiração para criação de Tambor tenha sido num coelho que aparece poucas vezes no livro, conhecido apenas como “amigo coelho”. Faline, o interesse romântico de Bambi, aparece em ambas as obras, mas o mesmo não ocorre com seu tímido irmão Gobo, que foi excluído do filme. Uma pena, pois a história de Gobo daria um belo acréscimo na relação entre o homem e animal. Outros personagens também foram descartados da animação da Disney ou tiveram suas aparições reduzidas como Ronno, a corça que luta com Bambi pelas afeições de Faline. Este só aparece mais na sequência pouco conhecida chamada Bambi 2, e ainda assim tiveram mudanças, como fato dele ser manco por ter levado um tiro. O grande príncipe, conhecido como velho príncipe na obra de Felix Salten, é pai do Bambi no filme enquanto sua relação de parentesco não é assim tão clara no original, além ter muito mais aparições, sendo o mentor misterioso do protagonista.

            Bambi: A história de uma vida na floresta é um livro que pode ser lido tanto por crianças quanto por adultos. Apesar de ter algumas partes que considero entediantes, é uma obra boa que discute numa linguagem simples a relação da natureza com o homem. Seu final é melancólico, mas recomendo sua leitura. Por isso, venha explorar a floresta. Só não traga o seu terceiro braço.