sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Apollo e Diana: O encontro parte 10

Parte 10

            Estavam pensando em um jeito para ir em direção ao vulcão sem precisar dar a volta. Mas se fossem cavalgando em Rosemary em linha reta da cidade para a floresta depois da floresta para o vulcão, não ia ser nada confortável, além de ter o risco de ela tropeçar e todos caírem, podendo se machucar feio. Foi então que Alana perguntou:
            - Você ainda tem o pozinho de encolher que você disse que usou para nos trazer aqui no seu mundo?
            - Tenho sim, por quê?
        Olhando para sua cópia, Lana entendeu qual era o plano. Rosemary olhava para as duas, confusa. Alana colocou Bot na grama e disse:
        - Bot, se prepare para nos levar até o vulcão com cuidado. E, se possível, nos segure com delicadeza.
            - Sim mestre.
            - Espere, o que vocês pretendem fazer?
          Sem explicar, Lana pegou o pó de encolher e jogou em Alana e Rosemary depois em si mesma. As três encolheram e se Bot não as tivesse agarrado com suas mãos pequenas, que no momento pareciam enormes para o trio, teriam se quebrado no chão:
            - Eu não permiti isso!
            - É necessário, Rosemary. Agora, vamos em direção a Montanha Vermelha.
            - Para que lado devo ir mestre?
            - Para que lado ele deve ir?
            - Vai em direção a floresta e siga em frente. – respondeu Lana, olhando o mapa.
            - O que ela disse Bot, vá em frente.
            Bot fez um barulhinho e seus pés começaram a lançar fogo. Asas de metal saíram de seus braços e mãos e lançou voo. Passou rapidamente pela cidade, mas como a floresta era grande, demorou mais ou menos uma hora até as árvores diminuírem de quantidade, tendo plantas rasteiras como paisagem dominante. Estava indo tão rápido, que as moças pediram para que ele desse umas paradas, pois estavam ficando enjoadas ou por estar na hora de comer. Mesmo indo nessa velocidade, demoraram um dia e meio para chegar perto do destino. Alana pôde ver uma montanha em frente, que era vermelha nas dos lados e verde na ponta. Descobriu depois o porquê. O entorno da montanha estava cercado de flores, vermelhas como sangue. Por algum motivo, não parecia estar tremendo aquela parte. Então aproveitaram para aterrissar. Bot as colocou em cima de uma das flores, a pedido de Alana. Esta notou que a energia de Bot estava acabando e, estando de noite, ele não podia recarregar:
            - Agora, vamos ter que ir a pé. Não falta muito para a bateria de Bot acabar. Precisamos poupar a energia dele o quanto puder. Tem como você nos reverter ao tamanho normal?
            - Eu tenho o pó da reversão.
            Dizendo isso, Lana pegou outro saquinho de pó e jogou o pouco que parecia ter no trio. As três logo recuperaram o seu tamanho normal:
            - O pó de reversão acabou. Não podemos mais ficar pequenas, senão ficaremos daquele tamanho por um bom tempo. Isso se não morrermos comidas por um pássaro.
            Alana colocou Bot em seu colo e apertou um lugar abaixo do seu pescoço. O bichinho logo apagou as luzinhas de seus olhos e parou de se mexer completamente. Lana pegou um outro mapa, específico do vulcão, e foi guiando o grupo na frente. O antigo vulcão era muito alto e largo, parecendo ser todo fechado:
            - Como vocês pretendem encontrar esse deus?
            - A Montanha Vermelha, ou Igneus está fechada há séculos, evitando que o deus escapasse. Havia dois meios de entrar. Um era pela cratera e o outro era pelo grande portão, que só era acessado pelos deuses. Esse portão fica aqui por baixo, e é por ele que vamos entrar.
            Andaram por mais meia hora até chegarem as ruínas de um portão. Como era de se esperar, ele estava fechado. Mas havia uma grande rachadura que dava até para um unicórnio passar:
            - Por que esse deus não aproveitou isso para escapar? – sussurrou Alana.
            - Porque escapar não é sua prioridade. O que ele quer é se vingar, queimando tudo.
            - Gente, eu estou cansada e com fome. Não é uma boa hora para batalhar com um deus.
            - Se descansarmos agora, teremos apenas um dia.
            - Mas se não descansarmos, não terei energia o suficiente para controlar a chuva e vamos morrer queimadas.
            - Está bem. Mas vamos ter que acampar aqui fora usando isto.
            Ela pegou dois colchonetes da bolsa, que para Alana, parecia caber o infinito, e pegou três cobertores, dois de solteiro e um de casal, que tinha uma coloração cinza como rocha:
            - Você está sempre bem preparada...
            - Fui treinada para isso.
            Cada uma das moças pegou um colchonete e um cobertor. Rosemary dormiria na grama com o lençol de casal. Não gostava de dormir deitada, pois se sentia desprotegida se caso precisasse correr. Dormia normalmente em pé, como os cavalos. Mas para se camuflar, precisava ficar deitada, então ficaria deitada. Alana colocou Bot ao seu lado na hora de dormir. Estava ansiosa para que tudo isso acabasse e fosse para casa com o monte de informações que havia conseguido. Sentia falta de casa e, apesar de tentar não demonstrar, estava com medo de entrar no vulcão. Lana também estava ansiosa. Não de medo, só queria enfrentar o deus e conseguir um feito que poucos conseguiram na Alcateia. Com certeza seria mais admirada por eles do que já era.
            Acordaram cedo e comeram logo seu lanche antes de entrarem no vulcão, que estava aos poucos despertando. Alana aproveitou um pouco do sol para recarregar Bot. Não carregou muito, porém qualquer coisinha poderia fazer a diferença em uma batalha contra o desconhecido. Lá dentro, tinha uma aparência similar a de uma caverna, só que ela era iluminada por pedras vermelhas, que pareciam rubis. Alana ficou tentada a arrancar uma, mas estavam bem presas. Quanto mais fundo entravam, mais quente ficava. Também tiveram que tomar cuidado com o chão, pois havia pequenas fissuras com lava ainda fresca.
            Chegaram ao que parecia ser a sala do trono de Igneus, com uma piscina grande de lava no centro. O deus estava de costas, perto de seu trono. Ele era tão grande quanto Lacus, mas seu corpo era feito de lava quente e borbulhante. Seu cabelo era fogo amarelo vívido. Lana pegou a caixa arredondada, se virou para o grupo e sussurrou:
            - Bem, essa é a nossa chance. Vamos...
            Por pouco, elas não desviam de jato de lava que veio na direção delas:
            - Visitas! – disse Igneus se virando para elas. – Faz muito tempo que não recebo ninguém em minha humilde residência.
            Mas lava vindo da “piscina” era jogada sob elas. Chegou a acertar de raspão no ombro de Alana. Ardeu muito:
            - Sabe, é muito bom receber vocês aqui. Assim posso me exercitar um pouco antes da verdadeira destruição começar. Então...
            Surgiram chamas em suas mãos e as de sua cabeça aumentaram muito:
            - Vamos começar!
            E jogou lava em chamas vindo de suas mãos em direção a elas. Elas desviavam, mas alguns tiros, da piscina ou do próprio Igneus, acertavam de raspão várias partes de seus corpos. Alana ligou Bot. Este se mexeu e olhou confuso enquanto sua mestre desviava dos tiros de lava:
            - Mestre, o que está acontecendo?! – perguntou ele, pela primeira vez demonstrando medo.
            - Não há tempo a perder. Dê a caixa para Bot!
            Lana entendeu o que a outra queria fazer. Estendeu a caixinha para Bot. Sua mestre então ordenou:
            - Voe até lá em cima e abra essa caixa. E muito cuidado com a lava.
            Bot ativou suas asas e o fogo em seus pés e foi até o teto. Desviou o máximo que pôde dos jatos de lava, mas um deles acertou parte de uma das asas metálicas, fazendo-o pegar fogo. Ainda assim, ele conseguiu abrir a caixa, surgindo uma grande nuvem, caindo várias gotas d’agua pesadas no grupo e em Igneus. O deus gritou de dor e a lava se tornou lama:
            - Agora, Rosemary!
            O chifre da unicórnio brilhou. As gotas, ao invés de evaporarem ao tocar no deus se fixaram em seu corpo. O deus ficava se mexendo muito, tomado pela dor. A chuva parou e Rosemary disse, ainda forçando seu poder:
            - Vai rápido! Não vou aguentar por muito tempo.
            Lana pegou uma pequena zarabatana de madeira e depois a semente que a deusa Flos havia lhes entregado. Colocou-a na arma e soprou em direção ao deus, acertando-o em cheio na barriga. A semente cresceu, se espalhando por todo o seu corpo e o prendendo no chão. Ele deu um último grito, que parecia mais um urro, antes de virar uma estátua de planta. Rosemary relaxou, tentando recuperar o fôlego. Alana olhou em volta procurando algo:
            - Cadê o Bot?!
            Lana o achou do outro lado, com a asa queimada e todo molhado. Alana olhou quase chorando:
            - Eu farei o possível para consertá-lo. Não se preocupe.
            - Consertá-lo com o quê?! Madeira? Vocês podem ser mais desenvolvidos em tecnologia do que eu pensava, mas nenhuma matéria daqui poderá substituir o que ele perdeu.
            - Calma, daremos um jeito, prometo.
            - É, resolvemos qualquer problema. Mas vamos sair daqui primeiro. Esse lugar me dá arrepios.
            Lana e Rosemary saíram de dentro da montanha vitoriosas. Alana estava ansiosa para voltar para casa. Precisava dar um jeito de Bot voltar a funcionar. Senão como voltaria para casa? E com quem conversaria naquele pequeno apartamento onde morava? Lana ainda o segurava:
            - Você já pode me devolvê-lo para...
            Mas não conseguiu terminar a sua frase. Homens com capacete e vestimentas cinza estavam perto do portão esperando. Foram rápidos. Usaram uma arma para apagar as memórias das moças e do unicórnio antes que elas pudessem reagir. Elas ficaram zonzas, então as nocautearam com um golpe de alguma arte marcial. Mas o quadrupede ainda estava de pé, e quando ia ataca-los, um senhor mais gordinho atirou com uma arma de choque e logo a fez desmaiar. Os homens pegaram uma das moças e o robô e saíram de lá. O homem obeso usou o seu telecomunicador para dar as notícias para o chefe, dando o sorriso, mostrando seus caninos dourados:
            - Pegamos a garota e o robô de volta.
            - Usaram os apagadores de mente?
         - É claro senhor. Quando acordarem, não se lembrarão de nada. Estaremos aí em cima em breve.
            Rosemary acordou, ainda meio tonta. Mas logo se lembrou do ocorrido. Olhou para o chão e viu a moça ainda desacordada:
            - Ah não! Aqueles homens esquisitos a pegaram. – Rosemary encostou o nariz na garota. – Acorda! Acorda!
            Ela ainda estava meio zonza do ataque. Sua cabeça ainda girava e doía. Mas conseguiu abrir os olhos quando viu o unicórnio, Lana do planeta Apollo se afastou, assustada e confusa.                      

                                                           FIM?

Nenhum comentário:

Postar um comentário