sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Fadas: Histórias de Seres Encantados

 


        Vocês sabem onde vivem as fadas? Quais são suas espécies? Que tipo de atividades gostam de fazer? Este livro irá te responder grande parte dessas perguntas. Fadas: Histórias de Seres Encantados foi publicado em 1978. Seus autores, que também foram responsáveis pelas ilustrações da obra, são Brian Froud, que fez as artes conceituais dos filmes O Cristal Encantado e o Labirinto, e Alan Lee, que ilustrou vários livros do Senhor dos Anéis.

            Este livro não conta uma história específica. Ele descreve sobre o mundo dos encantados (seres mágicos) e suas características, como por exemplo, o quanto o tempo se passa mais devagar no mundo das fadas em relação ao nosso e que comer algo delas pode te tornar um escravo, proibido de retornar ao mundo humano. No caso das espécies, o foco é nas lendas europeias, mas percebi que a variedade em suas aparências pode se aplicar a seres do folclore brasileiro, como o fato das criaturas sempre possuírem alguma anomalia física, como membranas entre os dedos, cascos de bode, orelhas pontudas, rabo de vaca e pés virados para trás, o que me fez lembrar o Curupira. Além disso, os encantados são relacionados à natureza e sua imprevisibilidade, sendo vários deles travessos, como o Saci, ou atraindo humanos com sua beleza e encanto, como a Iara.

            Apesar de não ter uma narrativa específica, o livro possui várias histórias que complementam as descrições dos seres mágicos. Vou destacar as que me chamaram a atenção: a primeira é A lenda de Knockgrafton, que me fez lembrar do conto Os dois papudos do livro Lendas e Fábulas do Brasil*; a segunda é a lenda do homem que se casou com uma gwragedd annwn (uma fada da água galesa), mas que ela iria embora se ele a agredisse três vezes sem motivo. Essa história mostra que seres encantados tem uma interpretação diferente do que é “agressão”; e a história de uma parteira que sem querer desfez o glamour (ilusão que os encantados fazem para nos enganar) ao ungir os olhos do bebê com uma pomada encantada e sem querer, coçar a pomada em seu olho. A história também contém relatos de pessoas que realmente existiram e tiveram um encontro com os encantados.

            Gostei do livro e acho que pode ser usado como base para várias histórias envolvendo fadas e outros seres fantásticos, não só pela informação que ele traz, tendo os autores feito uma grande pesquisa ao material de referência original e à descrição do folclore, mas também pelas ilustrações, que são muito bonitas. Por isso, recomendo a sua leitura. Leia com calma, próximo a uma colina e floresta. Só não entre em nenhum círculo de cogumelos.

 

           

 

 

 

 

*Link para a resenha Lendas e Fábulas do Brasil: Ponte para o Imaginário: Lendas e Fábulas do Brasil


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