Sabiam que o famoso filme
Jurassic Park de 1993 é a adaptação de um livro? Se não sabiam, agora
sabem. O livro de mesmo nome foi escrito por Michael Crichton em 1990 e é o
primeiro de uma duologia. Será que é bom? Vamos descobrir.
O final do século XX foi o começo da era da biotecnologia,
principalmente a engenharia genética. Mas isso cresceu de forma descontrolada, com
o surgimento de várias empresas que faziam experiências sem a devida segurança.
Uma delas foi a International Genetic Technologies, a InGen, que foi
responsável por um incidente que aconteceu numa ilha da Costa Rica...
Já pela capa e pelo título, pode-se assumir do que se
trata a história, mesmo que esta tenha tentado manter um certo mistério no
começo do livro. A temática envolve trazer os dinossauros de volta a vida e
como o uso do conhecimento científico pode ser perigoso nas mãos de pessoas
gananciosas. O ser humano brincar de Deus, a evolução tecnológica sem controle
e os danos que o ser humano faz ao meio ambiente por cobiça são críticas bem
comuns em obras dos anos 90, a década que este livro foi publicado. Mas
esperava um pouco mais de originalidade com relação a quem sobreviveria nesse incidente.
Não vou revelar spoilers, porém devo dizer que a resolução foi bastante
previsível.
A história tem vários personagens, com seus pontos de
vista, sendo que alguns deles só aparecem no começo e depois desaparecem
completamente da narrativa. Dos principais, temos o paleontólogo Alan Grant; sua
aluna de paleobotânica, Ellie Sattler; John Hammond, velho excêntrico que criou
o parque; Donald Gennaro, advogado que vai inspecionar o parque, e é
conselheiro da InGen; Ian Malcolm, um matemático mais moderno, que se veste de
maneira mais excêntrica, todo de preto; Dennis Nedry, o programador; Henry Wu,
cientista que trabalha para Hammond; John Arnold, engenheiro chefe do parque; Robert
Muldoon, caçador experiente que ajuda na guarda dos dinossauros; Ed Regis,
gerente de relações públicas; Tim e Lex Murphy, netos de Hammond. Dentre todos
esses personagens, diria que Grant é o principal protagonista e Hammond seria o
vilão principal por ter financiado a criação dos dinossauros e persistido com a
ideia mesmo ela se comprovando como perigosa e ter colocado em risco a vida de
várias pessoas, incluindo a de seus netos. Os outros cumprem bem seus papeis, porém
tenho minhas ressalvas. O discurso de Ian Malcolm sobre como a probabilidade do
parque dar errado era alta foi interessante no começo, mas ficou chato depois
de ele repetir outras vezes. E achei as crianças bem irritantes. Enquanto Lex
engloba o estereótipo da criança mimada que só causa confusão e atrai o grupo para
problemas, Tim já é oposto, sendo a criança boa, fã de dinossauro e útil em
certos momentos em contrapartida com sua irmã. Admito que torci um pouco para
que eles fossem devorados pelos dinossauros para causar mais drama.
Quanto a parte científica, acredito que por ter se
formado em medicina, o autor tenha grande gosto pela ciência, pois ele menciona
alguns fatos e pessoas verídicas em sua obra, como por exemplo os cientistas
James Watson e Francis Crick, que decifraram a estrutura do DNA, e a discussão
dos dinossauros serem mais próximos as aves do que dos répteis, por serem em
sua grande parte bípedes, possuírem uma grande velocidade similar às aves,
provável inteligência de caça das aves e provável sangue quente. Isso traz mais
realismo a sua história, mesmo que ele tenha inventado algumas coisas, como o
dilofossauro possuir peçonha. Por ter sido escrito nos anos 90, muitas
descobertas que vieram depois fizeram com que os acontecimentos do livro sejam
impossíveis de acontecer, como extrair DNA esmagando os ossos fossilizados,
extraindo a proteína e completando com o DNA encontrado do sangue sugado pelos
mosquitos presos no âmbar e genes de outros animais para completar a cadeia de
DNA dos dinossauros. Foi comprovado que o DNA tem vida útil e pode desaparecer depois
de alguns milhões de anos, o que pode deixar a possibilidade de recriar
dinossauros ainda mais difícil na vida real.
Apesar de achar que poderia ter mais elementos de
tragédia e terror e que a história pudesse ser condensada um pouco, diminuindo
o número de personagens, achei o livro interessante. Não lerei sua sequência, O
Mundo Perdido, devido a alguns spoilers que soube. Esta continuação foi
criada após o sucesso do primeiro filme e desfaz a morte de um personagem
porque este sobreviveu no filme enquanto matou outro de forma ridícula. Parece
que ela foi escrita apenas com o dinheiro em mente ao invés de querer dar um
legado digno para o romance. Por isso, fico por aqui. E lembrem-se: se querem
um parque de dinossauros, vão para o parque da Universal. Animatrônicos são bem
menos perigosos.

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