terça-feira, 8 de junho de 2021

Quem roubou o milho?

 


                                    Alguém roubou o milho da fazenda do Simão. 

                       Juninho, um cavalo esperto, decidiu investigar na Festa de São João.


Oi gente, nesse mês de junho, para comemorar a Festa Junina, eu e minha irmã Maya Flor lançamos o livro Quem roubou o milho? Quem tiver interessado, comente aqui ou entre em contato pelo email editoraponteparaoimaginario@gmail.com

 



sexta-feira, 4 de junho de 2021

A porta secreta para a felicidade


 

                Mais um livro que me faz voltar a infância. O jardim secreto foi escrito pela inglesa Frances Hodgson Burnett e lançado pela primeira vez em 1911. Outro livro famoso foi A princesinha de 1905.

            Mary é uma garotinha mimada e ranzinza, que mora com os pais na Índia. Como seu pai trabalha muito e sua mãe não dá a mínima para ela, preferindo ir a festas, os criados nativos cuidando da menina. Mas uma cólera atinge o local, matando os pais da menina e fazendo os criados saírem da casa depressa, deixando Mary sozinha. Após ficar um tempo na casa de um pastor inglês, Mary foi mandada para a mansão de seu tio Archibald Craven, um homem que não gosta de ser incomodado e cuja maior parte dos cômodos da residência são trancados. Será que há algum segredo escondido nesta antiga mansão?

            Conheci este título através de um desenho animado feito pela ABC Weekend Specials*. Lembro de tê-lo visto várias vezes no tempo em que ainda tinha vídeo cassete. Mesmo não tendo assistido novamente, já posso confirmar que existem várias diferenças entre o seu material original e sua adaptação. O principal que me vem em mente é a falta de antagonista no livro, enquanto a animação transformou a senhora Medlock e o doutor Craven, tio de Colin, em vilões interessados em matar o garoto para provavelmente pegarem sua fortuna. No romance, se tiver de eleger um antagonista, seria os sentimentos negativos que dominam os personagens, principalmente Mary, Colin e Archibald.

            Falando nos personagens, diria que os protagonistas são Mary e Colin, pois é do ponto de vista deles que acompanhamos a maior parte da história. Eles têm uma personalidade tão parecida que o próprio livro menciona isso. Ambos começam mimados e egoístas, que no caso de Colin, é ainda pior por ser doente. Foi com a ajuda do jardim e de algumas pessoas que ajudaram em sua progressão para se tornarem pessoas melhores. O que mais se destaca é Dickon, irmão da empregada Martha, que serve como o modelo positivo para os dois além de atraí-los por causa de seu misterioso dom de se comunicar com os animais. Como disse no parágrafo anterior, a senhora Medlock não é uma vilã como no desenho. Na verdade, ela nem tem tanto destaque na narrativa, enquanto o doutor Craven apenas cumpre seu papel de médico.  

            Acredito que o intento do livro seja dar as crianças um pensamento positivo, mesmo em situações terríveis. Através do que Colin chamou de “Mágica”, dizendo para si mesmo coisas como “ele vai conseguir” fará com que as coisas fiquem ao seu favor. É algo bonitinho dizer isso a uma criança, mas nem sempre isso se aplica a realidade.

Devo dizer que as ilustrações me atraíram. Elas dão um ar de tempos mais antigos. A editora 34 fez uma boa escolha ao trazer os desenhos de Tasha Tudor, que fez a versão do livro de 1962, pela Harper & Row Publishers. Tudor também foi autora e ilustrou seus próprios livros, mas nenhum deles ganhou uma tradução por aqui.

            Por ter sido lançado em 1911, época em que a Índia era colônia da Inglaterra, há alguns momentos em que pode deixar os leitores um pouco desconfortáveis. Os indianos são denominados como nativos e “pretos” e antes de Mary se desenvolver como personagem, esta ficou com muita raiva quando Martha, achou que ela seria uma nativa. Porém, Martha disse que não via nada de mal nisso e disse que seria interessante ver uma menina “preta”, indicando que ela estava curiosa para ver alguma cultura diferente. Então, vejo esta situação como um reflexo daquele tempo, que era bem diferente do nosso.

            Foi uma boa leitura. O livro dá uma sensação de calma. Seu público-alvo é com certeza o infantil, mas por ser de 1911, há algumas coisas que envelheceram mal e precisarão ser explicadas por um adulto responsável. Apesar disso, vale a pena conhecer O jardim secreto. Você só tem de encontrar a chave e a porta. E é claro, lembre-se de mantê-lo em segredo.

 

 

 

 

 

*Link: https://www.youtube.com/watch?v=uj-_Ew2K1i8

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Ensaio

 

                                

                                Roteiro: Mariana Torres
                                Desenho: Maya Flor

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Purificando a alma



            Trago novamente a resenha de um livro do Kindle. De agora em diante, também analisarei ebooks, então é melhor irem se acostumando com as capas em preto e branco, pois infelizmente não tem cor no Kindle. Lágrimas de Carne foi escrito por Fernanda Castro e lançado na Amazon em 2020, sendo publicado pela editora Dame Blanche.

            Uma velha carpideira mora sozinha no outro lado da serra, longe do resto dos habitantes da Serrita. Alguns suspeitam de seu envolvimento com um ser conhecido como Rasga–Mortalha, que aparece na casa das pessoas trazendo mau agouro. Mas esta é apenas a superfície dos segredos que esta misteriosa mulher esconde.

            Este conto contém bastante do sobrenatural. A profissão de carpideira, uma mulher que é paga para chorar pela morte de um defunto já lembra algo imaginário, como as banshees, que eram fadas que avisavam aos outros de sua morte através de seus choros. Outra curiosidade interessante está no nome de dois personagens: Suindara e Carcará. Suindara é uma espécie de coruja, conhecida em algumas regiões do Brasil como rasga-mortalha pelo som que emite. Por causa disso, é dito que esta ave traz mau agouro. Enquanto carcará é uma espécie de falcão vindo da América do Sul, conhecido por comer todo tipo de comida, incluindo carcaça. Essas informações extras fizeram com que este livro ficasse mais completo e ainda mais brasileiro.

            Quanto aos personagens, Suindara e Carcará são seres tanto parecidos quanto opostos. Enquanto um representa a obediência e o perdão, o outro representa a rebeldia e a vingança. Mas ambos têm um papel fundamental para as almas da Serrita, trazidas pela carpideira. A estranha velha, conhecida como “Mãe”, é uma personagem misteriosa, que aparenta pouco se importar com os outros apesar de sua profissão e cuja narrativa vai contando aos poucos sobre o seu passado e suas motivações.

             De maneira geral, tive uma boa leitura. Gostei da pesquisa que a autora fez e de como adaptou isto para a sua narrativa fantástica. A única reclamação que tenho a fazer desta história é que ela é curta. Se deseja conhecer esta obra, não tenha medo do Rasga-Mortalha. Seu trabalho é apenas levar as almas para descansarem em paz.


sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Lado Bom e o Lado Ruim


        Olá, estou repostando minha resenha. O Blogger tinha tirado minha postagem dizendo que ela violou a política de malware e vírus, apesar de não conter nada disso na minha resenha do livro. Suspeito que eles fizeram isso por causa da capa, que parece com uma imagem usada por hackers. Mas posso garantir que é apenas uma capa e ela não fará mal nenhum a ninguém. Nunca julguem um livro pela capa! Aproveitem o texto!

 

         O visconde partido ao meio foi escrito em 1952 por Italo Calvino, que nasceu em Cuba, mas passou a maior parte de sua vida na Itália. Este livro faz parte de uma trilogia chamada Os nossos antepassados, junto com O barão nas árvores e O cavaleiro inexistente.

            O visconde Medardo di Terralba decide participar da guerra contra os turcos. Durante a batalha, ele se deparou no meio de um canhão e lançado para longe. Em busca de feridos, os cristãos o encontraram dividido pela metade e conseguiram fazê-lo voltar à vida. Mas ao voltar para casa, o visconde começou a agir de modo estranho.

Apesar da história ser sobre o visconde, há outros personagens que dividem o foco, como o doutor Trelawney, Pamela, a família de huguenotes e o sobrinho de Medardo, que é o narrador do livro. Há momentos em que o sobrinho descreve pensamentos de outros personagens e cenas em que ele não presenciara pessoalmente. Me pergunto como ele sabia disso. Será que os outros personagens contaram para ele depois?

            O livro pode ser considerado do gênero fantástico pois possui algumas de suas características. O fato de Medardo ter sobrevivido a ser partido em dois e tendo consciência em ambas as metades é uma delas. Seu interesse romântico, Pamela, apesar de ser mais decidida e ousada, possui uma habilidade de conversar com seus animais, que a ajudaram em sua fuga, similar a uma princesa clássica da Disney.

             Algo interessante de se discutir é a personalidade diferenciada de ambas as metades de Medardo. Enquanto a direita é completamente má, a esquerda é completamente boa e ambas precisam uma da outra para ter equilíbrio. Nem mesmo a parte boa de Medardo é perfeita, pois ela chega a ser passiva demais e irritante para os outros pois fica dando lição de moral aos outros. Esta premissa é parecida com o livro A Luneta Mágica de Joaquim Manuel de Macedo, de 1869. Não cheguei a ler este livro, mas pretendo fazer algum dia.

            Foi uma boa leitura. É um livro curto, mas que te faz pensar. Por isso, você pode lê-lo por inteiro. Não pare na metade.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

O modo mais rápido

 

                                

                                Roteiro e desenho: Mariana Torres