quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
O Primeiro Lobisomem da Literatura
Ao contrário do monstro
de Frankenstein, o lobisomem não tem uma história específica, tendo surgido das
crenças de vários povos. Mas vocês sabem qual foi a história que iniciou a
entrada deste monstro na literatura? Foi O Lobisomem, conto escrito por
Richard Thompson em 1828. Será que ele teve um bom início? Vamos descobrir:
Na cidade de St. Yrieux, havia relatos de que tinha um ou
mais lobisomens habitando a floresta de Limousin. Um grupo de seus cidadãos
estava reunido na Taverna do Cavaleiro Bayard, incluindo o doutor Antoine Du Pilon,
conhecido por sua grande inteligência, até que um homem entra ferido no local...
Infelizmente, este resumo acima é a parte mais misteriosa
do livro, pois a identidade do lobisomem é previsível. Estava torcendo para ser
surpreendida no final, mas não foi o caso. A única surpresa interessante que
tive foi que o doutor, que nas histórias de terror, costuma ser o mais
inteligente e o que resolve tudo, não é o herói da história, e sim a parte
cômica.
Aqui, o lobisomem não morre por bala de prata, sendo morto
por armas normais. Aparentemente, ele parece ter controle da sua transformação
e tem consciência quando transformado, algo que não é visto nas adaptações
focadas no terror.
Pelo que escrevi acima, deu para concluir que não gostei
muito da história. Se o autor invertesse a ordem da narrativa e começasse pelo
meu resumo, teria sido um pouco melhor na parte do mistério. Porém, ainda assim
recomendo a leitura para aqueles que gostam de lobisomens e queiram saber como
ele entrou no universo literário. Por isso, dê uma espiada. Só cuidado ao
entrar na floresta Limousin.
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
O Fantasma da Ópera
O Fantasma da Ópera
é um clássico do teatro musical. Vocês sabiam que ele foi adaptado de um romance?
Sua publicação foi serializada no jornal Le Gaulois de setembro de1909 a
janeiro de 1910, sendo lançado em livro três meses depois. Foi escrito pelo
francês Gaston Leurox, que usou como inspiração acontecimentos históricos ocorridos
na Ópera de Paris no século XIX, com a descoberta de um cadáver em 1907 e a
queda de um lustre em 1896. Também se inspirou na lenda de um pianista que
sobreviveu a um incêndio de 1873 e se refugiou no andar de baixo do teatro para
esconder suas queimaduras. A junção desses elementos pode dar uma boa história.
Será que o autor entregou? Vamos descobrir.
Há uma lenda de um fantasma circulando pela Ópera de
Paris, causando vários acidentes e assustando as dançarinas e trabalhadores. Enquanto
isso, Christine Daaé se destaca em sua música. Ela chamou a atenção do jovem
Visconde Raoul, que esperou que a moça ficasse sozinha para falar com ela.
Porém, ele a ouviu conversando com um homem em seu camarim. Quando Christine
saiu, Raoul entrou para encarar o seu rival. Mas não encontrou ninguém...
A estrutura do livro lembra um pouco a do Drácula,
em que a história é contada através de memórias escritas e entrevista de
personagens. A diferença é que aqui, elas são recolhidas por um investigador do
caso, cujo nome é o mesmo do autor. Ele é o narrador que junta toda informação para
formar uma narrativa coesa. Leurox (o personagem) também complementa usando
notas de rodapé. Por ser conhecido na França como um escritor de romances investigativos,
como O Mistério do Quarto Amarelo de 1907, faz sentido que o escritor
utilize desses recursos na contação de sua obra. Uma pena que por causa da peça
de teatro, a revelação de que o fantasma era um homem faz com que o romance
perca seu mistério.
Quanto aos personagens, diria que o triângulo amoroso
poderia ter sido melhor. Christine é ingênua e boazinha demais, sentia pena do
fantasma apesar deste ter se mostrado um assassino louco. Apesar disso, se não
fosse seu bom coração, a história e o desfecho não teriam acontecido. Raoul era
para ter sido o mocinho cujos leitores deveriam torcer para que Christine
ficasse no final, mais sua personalidade infantil, ultrarromântica e ciumenta
fez com que achasse o personagem chato e me fez querer que a moça não ficasse
com nenhum dos dois. O fantasma é um vilão cartunesco que você sente prazer ao
vê-lo derrotado. Um gênio das maquinarias e da arte que teria sido bem aclamado
se não parecesse um zumbi com olhos amarelos que brilham no escuro. Seu passado
explica o porquê dele não sente nada ao matar. Mas isso não justifica suas ações
e dá para entender o motivo de Christine não querer ficar com ele, pois além de
sua aparência horrorosa, era maligno. Um quarto protagonista que foi
introduzido no momento do perigo e que a adaptação musical cortou por
considerar um estereótipo racista é o Persa, o que é uma pena pois achei ele o
melhor personagem devido ao seu passado com o fantasma. Há também o “drama” dos
novos diretores, Richard e Moncharmin, tentando descobrir a identidade do
fantasma, que sai um pouco da parte séria e vai para um tom mais leve da trama.
Há muitas diferenças entre o livro e o musical. Além da
aparência do fantasma, que mencionei acima, que no musical aparece só com
metade do rosto deformado, sua icônica máscara é preta no livro enquanto no
musical é branca. Christine é sueca e descrita como loira enquanto suas
adaptações a retratam como morena. A senhora Giry, que é a lanterninha que
recebe gorjeta do fantasma por fazer favores, mas nunca o viu pessoalmente, virou
professora de balé e tomou o lugar do Persa na adaptação teatral. E, é claro,
muito da história foi encurtado e várias outras modificações foram feitas, como
Christine sentindo atração romântica pelo fantasma no musical.
Apesar das minhas ressalvas com relação ao triângulo
amoroso, o livro me entreteve. Recomendo aos fãs de literatura gótica
romântica. Só não entrem no Camarote Cinco.
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
O Privilégio do Belo
O que você faria se parasse
de envelhecer aos dezessete e um retrato seu envelhecesse em seu lugar? Será
que isso é tão bom quanto parece? O Retrato de Dorian Gray escrito por
Oscar Wilde em 1890 responde essas perguntas. Gostaria de saber as respostas?
Vamos para o resumo:
Dorian Gray é um belo jovem que foi a casa de seu amigo,
Basil Hallward, para que este pintasse o seu retrato. Lá também encontrou lorde
Henry Wotton, amigo de Basil, e numa conversa entre ele e Gray, acaba
mencionado que a juventude não é eterna, que o tempo passaria, que Dorian
envelheceria e sua beleza esvaneceria. Quando Basil terminou a pintura, todos
acharam bela e Dorian desejou que a pintura envelhecesse em seu lugar...
Devo dizer que fiquei surpresa em saber que a história
não envolveu pacto com o Diabo. O retrato de Dorian começou a envelhecer e mudar
sua aparência misteriosamente conforme o jovem fazia suas maldades. Não há
explicação para o ocorrido, mas saber o porquê de isto estar acontecendo não
importa. O foco do livro é a consequência deste fenômeno.
Dentre os personagens, três se destacam: o pintor Basil
Hallward, que conheceu Dorian e vê nele não só um modelo, mas um ser próximo do
divino que o inspira na hora de fazer suas pinturas; Henry Wotton, um sujeito
que tem um pensamento individualista, que acha que todos deviam agir pelo
prazer sem pensar nas consequências. Ele faz o papel do diabo no ombro de
Dorian enquanto Basil faz o papel de anjo. Wotton influencia o rapaz a ir pelo
mal caminho por mera diversão. E por último, temos o protagonista, Dorian Gray,
um rapaz que começa bom, ingênuo e bastante emotivo até que começa a seguir
esta vida de prazer sem se importar com os outros. Ele é descrito como um jovem
de cachos loiros e olhos azuis, algo que a capa do livro não ilustrou. Isso dá
a ele uma aparência angelical.
Por sua aparência se manter a mesma, Dorian se entrega
aos vícios e prazeres libidinosos, fazendo com que várias pessoas que ele se
relacionou o detestassem por ter sido má influência e arruinado a vida delas.
Mesmo assim, Dorian conseguia manter algumas de suas amizades, pois sua beleza
era encantadora e pueril. Estas acreditavam que tudo aquilo que ele fez não
passava de boatos. Creio que muitos têm este sentimento quando descobrem que
uma celebridade fez algo de errado, principalmente quando ela tem uma beleza
estonteante. Este é privilégio do belo. É quase que instintivo nós vermos algo
bonito e associarmos com o bom e o feio com o mal. Mas nunca julgue o livro
pela capa. Devemos julgar pelo conteúdo.
Respondendo à pergunta do primeiro parágrafo, não seria
ruim se um retrato envelhecesse em seu lugar. Só que o retrato de Dorian Gray
não apenas envelheceu. Ele se desfigurou conforme as maldades e os vícios do
jovem. Ele então deixa de ser um retrato de belo moço e passa a refletir a alma
de um homem corrompido. Você aguentaria conviver com um espelho que refletisse
todos os seus pecados?
O Retrato de Dorian Gray é um ótimo livro para se
entreter e pensar, não só nos assuntos que mencionei acima, mas também pelas opiniões Wotton, que apesar de discordar de vários
de seus pensamentos, muitas de suas falas podem dar bons temas para debates. Então,
venha dar uma olhadinha. Só não faça isso próximo de seu retrato.
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
Tarzan, o Magnífico
Vocês já pularam o
episódio de alguma série ou deixaram de ver o primeiro filme e foram direto
para a sequência? Tarzan, o Magnífico é o vigésimo livro da série do
personagem homônimo, escrito por Edgar Rice Burroughs em 1936. Li o primeiro
livro da coleção há muito tempo atrás. Este volume foi meu padrinho que
emprestou e pertencia ao pai dele. Suponho que os outros volumes também tenham
sido publicados, mas devem ser raros de se encontrar pois nenhum deles possui
uma edição recente. Infelizmente, parece que o Brasil quase não publica a
sequência de livros cuja adaptação animada só tenha usado o primeiro livro como
base. Bambi* e Entregas Expressas da Kiki**, por exemplo, são
livros antigos que até agora não tiveram suas sequências traduzidas para o
português. Espero que não aconteça o mesmo com Robô Selvagem***. Vamos
para a resenha:
Tarzan caminhava por uma planície até que encontrou um
esqueleto morto há muitos anos. Próximo a ele, encontrou a carta de lorde
Mountford, dizendo ter sido capturado junto a esposa, pela tribo de mulheres
guerreiras kajis. Ele e a filha que nasceu pouco tempo antes da morte de sua
esposa eram prisioneiros e suas captoras usavam magia para mantê-los cativos. Ele
ofereceu um diamante como recompensa para o resgate. Tarzan guardou a carta
para entregar às autoridades, até encontrar um homem ferido...
Acredito que a primeira pergunta que vocês estão fazendo
é: dá para ler este livro sem ter lido os outros? Sim. É uma aventura que
começa e termina no mesmo volume. Porém, é interessante que tenha um pouco de
conhecimento sobre o nosso protagonista, Tarzan. Por isso, recomendo que leiam
o primeiro livro de sua série, que será bem mais fácil de encontrar do que suas
sequências.
Indo para a história, não esperava encontrar magia no
mundo do Tarzan. Não lembro de ter nenhuma menção disto no primeiro volume, apesar
de coisas improváveis terem acontecido, como por exemplo um jovem ter sido
criado por uma espécie humanoide entre gorila e ser humano, e este aprender a
ler um livro sozinho, algo impossível de acontecer na realidade (quem estudou
linguística sabe do que estou falando). Ainda assim, era um romance mais pé no
chão. O gênero é aventura, então obviamente tem ação e luta neste livro. Alguns
leitores que podem achar o livro problemático devido a crença das kajis de
quererem ter filhas com brancos para que se tornassem brancas. A motivação para
tal crença não é justificada. Ela existiu há vários anos e ninguém se lembra o
porquê dela existir. Há também algumas falas preconceituosas, que são ditas
por pessoas de má índole. Resumindo, pessoas do politicamente correto
encontrarão vários motivos para não gostarem deste livro. Como disse no
primeiro parágrafo, Tarzan, o Magnífico foi lançado em 1936, uma época
diferente da nossa. Como não sou tão sensível, isto não me incomodou.
Quanto aos personagens, há tantos que o livro possui um
guia de uma página com o nome deles. Vou me ater apenas aos que me chamaram
atenção. Temos obviamente Tarzan, o personagem que dá nome a obra, o homem que
foi criado na selva, sabe a linguagem dos animais além de ter uma grande força
e sentidos aguçados. Ele é tão incrível que seu nome virou lenda. Não é muito
expressivo, mas tem bom coração e ajuda aqueles que considera seus amigos,
apesar de considerar a humanidade inferior aos outros bichos devido aos
conflitos que ela causa entre si por coisas que Tarzan considera fúteis. Um
herói perfeito para aqueles que gostam desse gênero. Me lembra um pouco o Conan,
o Bárbaro, só que mais honrado. Stanley Wood é o homem ferido que Tarzan
encontra e a motivação para ele entrar nessa aventura. Uma pessoa honrada que
fará de tudo para ficar com Gonfala, a rainha dos kajis, que parece ter dupla
personalidade. Esta personagem fez uma coisa que me irritou, porém, se der
muitos detalhes, será spoiler. Woora e Mafka foram bons antagonistas iniciais
(aqui tem muitos antagonistas), introduzindo a magia na narrativa. E, para quem
é fã do desenho animado, saiba que Tantor, o elefante, existe aqui nos livros e
ele até que tem um papel relevante neste romance.
O livro me entreteve. Sua leitura é simples, apesar dos
muitos personagens e locais. Porém, acredito que este livro ficaria melhor no
formato de quadrinhos, em que podemos visualizar as lutas. Sou da opinião que
os gêneros de ação e terror ficam melhor em mídias visuais do que escritas. Se
vocês desejam conhecer, boa sorte. Talvez o encontrem em algum sebo. Ou nas
misteriosas selvas africanas...
*Resenha de Bambi:
Ponte
para o Imaginário: O príncipe da floresta
**Resenha de Entregas
Expressas da Kiki: Ponte
para o Imaginário: O rito de passagem de uma bruxa
***Resenha de Robô
Selvagem: Ponte
para o Imaginário: Instinto e Programação
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Garotas Mágicas no Mundo Real
Já ouviu falar do gênero das
garotas mágicas? Ele está presente em muitos mangás e animações japonesas como Sailor
Moon e Sakura Card Captor, que são sobre garotas, geralmente jovens,
com poderes mágicos. Normalmente, elas passam por uma transformação que muda sua aparência e roupa. Também costumam usar seus poderes para salvar o mundo. Agora
imagine se várias delas existissem em nosso mundo, cada uma com seu poder mágico.
O livro Uma garota mágica se aposenta fez esta proposta. Escrito pela
coreana Park Seolyeon no ano de 2022 em seu país, foi lançado no Brasil
recentemente em junho deste ano. E como fã de Sakura Card Captor, o
título desta obra me atraiu e aqui estou eu fazendo sua resenha. Vamos para o
resumo:
Uma mulher de vinte nove anos está prestes a se suicidar na
ponte Mapo em Seul, após várias dívidas no cartão e a falta de emprego fixo.
Mas uma moça com vestidinho branco e fofo a impede, dizendo que seu destino é
se tornar uma “Garota Mágica”.
Como funciona as garotas mágicas numa história mais
realista? Torne-as o equivalente do que seria os super-heróis, com uma escola dos
X-men para treinar as garotas, junto a um lugar que ajuda encontrar emprego
para elas ganharem dinheiro como por exemplo o de guarda-costas e o de caçadora
de recompensas. Achei um conceito interessante. Existe, porém, aquele dilema do
herói estar ganhando dinheiro pelo seu heroísmo ao invés de fazer por razões
nobres, algo que a própria protagonista julga. Mas não é isso que os policiais
e os bombeiros fazem? Os poderes normalmente são despertados quando a moça se
sente vulnerável, o que explica o porquê de a maiorias delas ser jovem.
A protagonista, que não é nomeada na história, é pessimista
e esforçada. Devido ao seu problema financeiro, tem muito foco nos gastos e
tenta ao máximo conseguir um emprego. No primeiro capítulo cheguei a me
identificar com ela quando desejou cometer suicídio sem incomodar ninguém, mas
no fundo, gostaria que alguém a consolasse, o que mostra como temos que nos
mostrar forte para os outros, mesmo querendo nos abrir para alguém. A segunda
personagem com mais foco é Ah Roa, a Garota Mágica da Clarividência. Foi ela
que impediu a protagonista de tirar a própria vida. Por trás de sua
positividade, esconde uma mulher que tem autoestima baixa, pois apesar de útil,
seu poder não é tão forte para luta. Há um romance implícito entre as duas
personagens que achei um tanto desnecessário pois a trama era rápida e quase
não teve tempo para desenvolvê-las como amigas, muito menos como par romântico.
Há outras personagens como Choi Heejin, Garota Mágica do Espaço, que é
arrogante e a presidente do Sindicato de Garotas Mágicas, Yeon Riji, a primeira
Garota Mágica da Coréia do Sul, que já é uma senhorinha. Ambas tiverem sua
relevância apesar de aparecerem pouco. Não vou comentar sobre a antagonista
pois seria um grande spoiler. Só direi que seu passado não justifica suas
ações.
Apesar da proposta interessante, acho que o livro deveria
ter sido maior. Focado mais na protagonista fazendo amizade com Ah Roa e possivelmente,
com outras garotas mágicas. O mundo das Garotas Mágicas em geral podia ser mais
explorado, dando a perspectiva de outras personagens e não apenas da
protagonista. A resolução do problema foi criativa e até cômica, fazendo
parecer uma paródia por um momento.
O livro me entreteve o suficiente. Daria três de cinco
estrelas. Se você gosta do gênero e é a favor do meio ambiente, pode dar uma
olhada e lembre-se: quando sentir que tudo está para ruir, não desista. Deixe
que sua chama de poder surja e siga em frente. Você não está sozinho.






