sexta-feira, 26 de junho de 2020

Imunidade

                         Roteiro: Mariana Torres
                        Arte: Maya Flor

sexta-feira, 19 de junho de 2020

A Guerra das Fadas


            Finalmente acabei este calhamaço. Para provar que este livro é grande, terminei três livros de tamanho médio antes deste. Oitenta e dois capítulos é muita coisa. Corte de Asas e Ruína é o último romance da trilogia de Corte de Espinhos e Rosas, escrito por Sarah J. Maas e lançado em 2017.

            Feyre está de volta na Corte Primaveril. Mas não mais como moradora e sim como espiã. Ao descobrir da aliança entre Tamlin e o rei de Hybern, Feyre planeja acabar usando seus novos poderes e manipulação. Será que ela conseguirá lidar com inimigos tão poderosos?

            Como nos dois volumes anteriores, este possui elementos de um conto de fada, que no caso desse é Branca de Neve e os Sete anões. Mas ao contrário dos outros que pareciam mais releituras, este só possui uns poucos objetos do conto original como a maçã envenenada, que neste caso apenas enfraquece os poderes mágicos; e um espelho mágico, que faz as pessoas enlouquecerem ao verem seu reflexo. Outra curiosidade: o nome do espelho, Uróboro, vem do símbolo da serpente devorando a própria cauda. Não tenho certeza, porém a história da rainha Vassa, personagem que aparece neste livro, parece ser baseada no balé do Lago dos Cisnes, só que ao invés de um cisne, ela se transforma em um pássaro de fogo durante o dia e retorna a sua forma original à noite. Além de ser obrigada a ficar em lago como prisioneira de um mago.

            Há alguns pontos dos outros livros que me irritaram, mas não mencionei em nenhuma das resenhas. Então, vou dizer aqui: Em todos os livros, os feéricos são referidos como machos e fêmeas ao invés de homens e mulheres. Entendo que eles não são seres humanos, mas macho e fêmea são usados em animais e as fadas são tão inteligentes quanto os humanos apesar de algumas terem uma aparência mais animalesca que outras e um pouco de extinto selvagem. Será que não poderiam chamá-los apenas de feérico e feérica? A parceria feérica, em que um “macho” e uma “fêmea” estão destinados a ficarem juntos é algo bem clichê. Alguns dos personagens poderiam ter sido nomeados como o pai de Feyre, a senhora da Corte Outonal e principalmente o rei de Hybern. Por falar em Feyre, sua irmã Elain, que é mais velha que ela, age como se fosse mais nova que ela e é mais inocente. Essa personalidade não condiz com a de uma irmã do meio. Se ela tivesse alguma síndrome, isso explicaria o motivo.

 Corte de Asas e Ruína tem um começo lento, o que me fez demorar ainda mais para terminá-lo. Como é dito no título, a história estava no meio de uma guerra e consegui achar algumas incoerências. Se não quiserem spoiler, pulem para o próximo parágrafo. Para um feérico com a capacidade de ler mentes, entrar dentro da cabeça de um ser humano é fácil, pois ele não tem magia para proteger seus pensamentos. Então, por que Feyre e os sobrinhos do rei de Hybern não entraram na mente de Jurian para ver o que ele estava? Como o rei de Hybern, que é poderoso a ponto de matar uma deusa da morte, ser enfraquecido com simples facadas? E ainda, como uma deusa da morte pode ser morta, e ainda mais por um feérico? Agora só uma opinião: para dar mais seriedade a guerra, algum dos amigos da Feyre podia ter morrido. Os que morreram quase não tiveram destaque.

Se achavam que o segundo livro não tinha diversidade com vários personagens de diferentes tons de pele, os leitores ficarão satisfeitos com este aqui, pois além de ter personagens com diferentes tons de pele, alguns destes foram revelados como parte do povo LGBT. E ainda mostra que o abuso sexual independe do gênero, ou seja, uma mulher pode usar seu poder para dominar um homem. Porém, personagens como o Grão-Senhor Beron, que não aparenta ter nenhuma complexidade e serve apenas para ser o machista xenofóbico, antagônico aos ideais de nossos heróis “politicamente corretos” não é algo que me atraia.

            Este é o meu segundo livro favorito da trilogia. Há cenas de sexo, mas não são tantas quanto no segundo, o que eu agradeço bastante. Apesar de ter algumas falhas na história, o romance foi bem fechado. Foi dito que a autora planejar expandir mais este universo. Então, tudo o que resta agora é esperar.

 

.

 


sexta-feira, 5 de junho de 2020

Passeio

                 Roteiro: Mariana Torres
                 Arte: Maya Flor e Mariana Torres

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Uma fábula política


         Peguei este livro não muito tempo depois de ter lido Flora Hen e coincidentemente, ambos possuem animais de fazenda que vivem em péssimas condições e desejam sair dessa vida. As semelhanças terminam aí. A Revolução dos Bichos foi escrita por George Orwell e lançada em 1945. Sua publicação foi difícil e até hoje é proibida em alguns países como China, Coréia do Norte e em países islâmicos devido a polêmicas. Veremos essas polêmicas após o resumo.

            Major, o porco mais respeitado pelos animais do fazendeiro Jones, fez uma reunião no celeiro pois estava com os dias contados. Ele esclarece o que aprendeu todos estes anos e de como os humanos são seres tiranos, que fazem pouco e vivem à custa dos outros animais, descartando-os quando perdem sua utilidade. Os bichos então declaram o homem como seu inimigo e começam uma revolução.

            De acordo com o posfácio de Christopher Hitchens, Orwell propôs a “análise da teoria de Marx do ponto de vista dos animais” ao escrever esta fábula satírica. E durante a leitura, isso é comprovado. Para quem estudou história verá que alguns personagens deste livro representam figuras conhecidas da época da Segunda Guerra Mundial, enquanto outros representam classes sociais. Como não tenho muito conhecimento destes detalhes, não me focarei muito neste tema.

            O livro possui muitos personagens que combinam com a narrativa proposta como Bola-de-Neve, o porco que acredita na igualdade dos animais da fazenda; Napoleão, o porco ditador que estabelece sua liderança pela manipulação e violência, representando Stalin; Garganta, porco pau-mandado que convence os outros pela lábia; Mimosa, a égua vaidosa que gostava de sua vida antiga de puxar charrete e usar fitas; Quitéria, a égua mais velha, sensata, mas não muito inteligente; Sansão, um cavalo forte de bom coração cuja inteligência é pouca, representa a classe operária; Benjamim, um burro  pessimista que não acredita que nada dá certo.

            A narrativa te dá apreensão, pois você vê o quanto os animais estão sendo enganados pelo seu líder e não percebem. Toda vez que estão prestes a descobrir algo, os poderosos dão um jeito de reverter a situação. O único que está ciente da situação, ironicamente, é o burro Benjamin. Porém ele é tão apático que nem se dá ao trabalho de contar aos outros. Ele só se intrometeu uma vez e foi uma das cenas mais tristes da história. Entender o que está acontecendo, mas não ser capaz de impedir é algo que a gente se identifica muito.

            Como fábula, A Revolução dos Bichos teria de ensinar a todos uma ou mais lições através dos animais. E na minha interpretação, esta lição foi: não importa o quão boa seja a sua lei, sempre haverá alguém que irá tirar o proveito e prejudicará os outros. Por isso o comunismo e o socialismo nunca irão dar certo. O ser humano sempre olhará primeiro para si e depois para os outros. Por que tenho que me juntar aos outros para trabalhar se posso enganá-los e fazer com que eles trabalhem para mim enquanto ganho mais do que devia? Isso é um esquema muito usado na política, infelizmente.

            Saindo da política e indo para algo mais fabuloso, a humanização dos animais da obra é algo interessante e complexo. Quando se é criança e tem bicho em casa, um dos seus desejos é que o animal pudesse falar. Mas pense um pouco, se seu cachorro pudesse falar, ao invés de falar “Eu te amo” ele poderia dizer algo como “Por que fui separado da minha família para viver aqui com você?” ou  “Por que eu tenho que comer aquela ração nojenta enquanto você come frango a milanesa e bife ao molho?” Não seria algo confortável de se ouvir. Se todos os animais tivessem o jeito de pensar parecido com o nosso, haveria muitos conflitos, não só entre nós e os animais, mas entre eles próprios. Esse é um dos aspectos que me atraiu no livro e gostaria muito de ver um filme dele estilo ao Planeta dos Macacos: A Origem.

            O livro teve duas adaptações para as telas: uma em formato de desenho em 1954 e a segunda em filme com atores reais em 1999. A última não teve uma crítica muito positiva.

            A Revolução dos Bichos é um livro curto, possuindo apenas dez capítulos, mas que vale muito a pena conhecer, seja pela sátira política ou pelos animais antropomorfizados no mundo dominado por humanos. Lembrem-se: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros.”

 

 

 


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Sala de espera

          Lugar onde fica um amontoado de pessoas sentadas à espera de serviços. Normalmente com uma mesinha cheia de revistas (de preferência, revista Veja) de meses ou até de anos atrás. Possui uma secretária que vive a mexer no computador ou para anotar datas de consulta ou, quando ninguém está olhando, entrar no Facebook.



Obs. Este texto é um outro exercício de escrita criativa. Você deve pegar uma coisa ou lugar e definir com as suas palavras. Escolhi sala de espera. Quer tentar?

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Jovens ao Piano

                                        Meninas ao Piano de Pierre – Auguste Renoir, 1892


                                                      Magali e Mônica ao Piano, 1992


           Ana e Beatriz eram duas irmãs cuja família tinha sangue azul. As duas eram diferentes tanto na aparência como no modo que agiam. Ana era a mais velha, tinha cabelos loiros como o raiar do sol; tinha a delicadeza de uma flor; a calma, a gentileza e a quietude de sua mãe. Já Beatriz tinha cabelos castanhos como os do pai e era mais ousada e falante que sua irmã.

            Apesar de todas essas diferenças, as duas jamais se separavam. Para onde uma ia, a outra sempre vinha atrás. Até que um dia, seu pai declarou que Ana deveria se casar com um jovem bem sucedido, pois ela já completara quinze anos, a idade certa para um casório. Beatriz ficara tão deprimida com a notícia de que ela e a irmã não poderiam mais ficar juntas que começou a ignorar a irmã.

            Ana, que notou o afastamento de Beatriz, a chamou para ouvi-la tocar piano. Mesmo estando zangada, Beatriz aceitou, pois adorava ouvir sua irmã tocando piano. Quando começou a tocar, Beatriz notara que nunca ouvira aquela composição. Mal Ana acabou de tocar e Beatriz já perguntou:

            - Nunca ouvi uma composição tão bonita! Quem a escreveu?!

            - Eu – respondeu Ana.

            - Sério?! E qual é o nome dela?

            - Sempre contigo.

 

 

 

 

Observação: Escrevi este texto como um exercício do curso de Escrita Criativa da Estação das Letras já tem alguns anos. Me baseei no quadro de Renoir. Coloquei a versão do Maurício de Sousa só para entretenimento.