sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Borboleta Azul


                                               Apareceu pela primeira vez em uma história de dormir.
                                               Junto com o Sapo Verde e a Coruja que gostava de sumir.
                                               A bela Borboleta Azul a minha imaginação via
                                               Quando do meu pai a história ouvia.

                                               Até que cresci
                                                E a esqueci.

                                               Na nova escola tinha mato
                                               E com ela pessoalmente tive contato.
                                               Asas grandes de cor azul escuro
                                               Voando para um incerto futuro.

                                               Até que cresci
                                               E dessa escola eu saí.

                                               Onde ela está agora?
                                               Está voando afora?
                                               Não, está voando adentro.
                                               Dentro de mim, bem no centro.

                                               Eu cresci
                                               E floresci.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O Lobisomem Brasileiro




        Meu monstro clássico favorito é o lobisomem. Adoro a dualidade entre homem racional e monstro sanguinário vivendo no mesmo corpo. O que eu menos gosto é o zumbi, por achar que existe a possibilidade de ele vir a existir com a mutação de vírus feitos em laboratório. Mas isso não vem ao caso. Esse romance foi escrito por Marcos DeBrito, acrescentando mais um autor brasileiro para minha lista.
          Há um monstro nas redondezas de um pequeno vilarejo no interior de São Paulo, que anda matando não só os animais, mas também pessoas. Enquanto isso, Álvaro, filho de imigrantes italianos e único sobrevivente de um massacre ocorrido com sua família, se apaixona por Alana, moça de melhor estirpe social.
          Tive sentimentos mistos com relação a esse livro. Pelo lado positivo, o autor cria um bom cenário de terror, tendo feito boas pesquisas na composição do enredo, como, por exemplo, o mito do ser com cabeça de cachorro e o manuscrito ilustrado chamado Theodore Psalter, lido pelo personagem Valêncio. E além disso, ele conseguiu retratar bem o cenário histórico da época, o que exige bastante pesquisa e estudo.  Não gosto muito de romances históricos, nem mesmo os de ficção, pois as personagens femininas não costumam ser tão legais, pois a época em que viviam não lhes dava muita liberdade. As exceções que eu li foram Elizabeth de Orgulho e Preconceito e Eufrásia de Mundos de Eufrásia, e a segunda realmente existiu, apesar de seu romance ter um pouco de ficção. A personagem Flávia poderia seguir o padrão delas, mas não teve tanta aparição assim, pois o foco ficava mais nas personagens masculinas e no final centrou mais em sua paixão do que em sua personalidade.
       Quanto à história, esperava mais mistério com relação a quem seria o lobisomem, me surpreendendo e fazendo achar que fosse uma personagem, mas na verdade era outra. Não teve isso. Soube desde o início quem era e o livro não fez segredo disso. Porém, houve algo no livro que me fazia querer ler até o final. Parecia que eu estava assistindo uma série viciante de terror, o que faz sentido pois o autor é roteirista. Havia divisões nos capítulos através de datas, que às vezes voltavam para anos atrás, para demonstrar um outro ocorrido relacionado à história e para o leitor obter mais informações. O mistério que me atraiu foi de como acabaria a história, o que me deixou ansiosa para chegar ao final. E também como funcionaria a maldição do lobisomem, que como eu disse acima, exigiu uma pesquisa do autor.
           Tive a surpresa de descobrir que esse romance é para um público mais maduro pelas várias cenas de sangue e pela cena de sexo. A editora é a Rocco, deve ser por isso que achei que ela pegaria mais leve. Estou acostumada a ler livros mais leves dela. Eu devo ter lido mais do selo da Rocco Jovens Leitores do que da Rocco em si. Se bem que Harry Potter é da Rocco e não da Rocco Jovens Leitores e não é tão violento. Pelo menos não no começo. Mas por outro lado, a saga de Jogos Vorazes é da Rocco Jovens Leitores e se passa em uma distopia que envolve adolescentes e crianças se matando até que que apenas um sobreviva. Bem, deixa para lá.
            Se o ambiente que você procura é assustador com violência, sangue e um pouco de romance e drama com lobisomem, esse é o livro certo. Eu não achava que ia sentir tanto medo do lobisomem ou que ele seria tão violento, pois nas coisas que li ou assisti sobre esse ser, ele era mais simpático do que tenebroso. Aqui ele é os dois, e eu diria que vai mais para o lado sombrio do que para o outro. Ou seja, estou acostumada a vê-lo em obras mais leves. Resumindo, gostei, mas tive uma sensação de medo, o que não é agradável para mim que prefiro uma sensação mais calma e com menos sangue.




sexta-feira, 23 de março de 2018

Meus livros na Estação das Letras



              Oi gente, tenho a alegria de dizer que agora os meus livros estão à venda na Livraria da Estação das Letras, na rua Marquês de Abrantes, 177 - Flamengo no final da galeria. Lá também tem vários tipos de cursos relacionados ao mundo das letras. Eu mesma farei os cursos Produzindo seu Livro de Literatura Infantil e Juvenil e Unicórnios: um passeio pela imaginação. Para mais informações, acessem o site deles http://estacaodasletras.com.br/ , seria bem legal encontrar vocês por lá.





sexta-feira, 16 de março de 2018

O moinho



O velho moinho mói
Mói solitário o trigo.
As trepadeiras o abraçam.
Ele se corrói até enfim
Se render e a natureza
Florescer...

sexta-feira, 2 de março de 2018

O fim do mundo versão cômica?




             Sim, Neil Gaiman de novo. Mas ele não está sozinho dessa vez. Belas Maldições foi uma coprodução entre o autor Neil Gaiman e o falecido escritor Terry Pratchett que escreveu a coleção Discworld, livros de fantasia que satirizam esse tema. Queria saber como funcionou na hora de escrever esse livro. Será que um escreveu tudo enquanto o outro só concordou e sugeriu algumas ideias ou cada um escrevia uma parte? Não sei a resposta. Só sei que deu certo.
            Crowley e Aziraphale são um demônio e um anjo, respectivamente. Eles estão em lados opostos na disputa entre Deus e o Diabo sobre quem terá mais seguidores. Mas ambos, além de se darem bem, se acostumaram com a vida terrena dos mortais e desejaram ficar assim por muito tempo. Porém, a vinda do anticristo, o sinal de que o fim dos tempos está próximo poderia estragar isso. Será que eles darão um jeito para continuar com a vida que estavam vivendo sem desobedecer às ordens de seus chefes? O que aconteceria se o anticristo fosse para a família errada e tivesse uma vida normal?
            Já, pelo resumo acima, dá para ver que não será aquele fim do mundo aterrorizante, a menos que considere humor negro como algo assustador. Mas não tem só esse tipo de humor.  As referências que são os números pequenos que aparecem juntos a uma palavra ou frase, com uma explicação no final da página, são inventadas pelos autores, normalmente para deixar o texto mais engraçado e dando informações extras para a história. E, é claro, tem os acontecimentos da história, que descrevem de um jeito que me lembra um roteiro de seriado ou o livro  Lugar Nenhum, obra de Neil Gaiman, que tem vários personagens dividindo o foco. Se só tivesse o nome de Neil Gaiman na obra, eu não teria dúvidas de que ele o havia escrito, pois o estilo é bem a cara dele.
            O livro é dividido em capítulos intitulados: No início, Onze anos antes, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado e Domingo, que foram os acontecimentos que ocorreram com os personagens nesses dias (Duh). Os personagens são muitos, tendo cada um o seu núcleo e seus objetivos até que se encontram com os outros personagens, bem estilo novelas da tevê. Agradeço que o livro tenha uma página dizendo o nome dos personagens e quem eles são, pois como eu disse antes, é um número muito grande e fica difícil lembrar o nome de todos eles. Apesar de muitos, os personagens são carismáticos, fazendo a gente torcer que logo haja o encontro de cada um dos grupos a qual eles pertencem.
           Se for para colocar defeito na obra, eu diria que o clímax do livro foi meio sem graça. Estavam construindo para ser algo épico e cômico quando os personagens de cada grupo tentavam se dirigir para o local que a tragédia ia acontecer, mas quando há o confronto entre céu e inferno, termina rápido e com uma resolução meio chata.
            Algo que me chamou a atenção desde a premissa é o fato de não só um anjo e um demônio serem amigos, mas também o fato de o céu e o inferno terem similaridades. Ambos não se importavam se o mundo fosse destruído para ganharem a guerra, o que deixou Aziraphale, o anjo, chateado ao descobrir isso dos céus. Essa temática me lembrou Fronteiras do Universo, que a Autoridade (Deus) não era bom. Isso me fez pesquisar as datas de cada uma das obras. Belas Maldições foi lançado em 1990 no Reino Unido enquanto a trilogia de Fronteiras do Universo foi lançada nos anos 1995, 1997 e 2000. Belas Maldições nasceu primeiro.
  Será lançada uma série desse livro, como informada nesse site: https://jovemnerd.com.br/nerdnews/belas-maldicoes-david-tennant-compartilha-foto-do-elenco-reunido/ , o que faz sentido pois o livro parece ter sido escrito para esse tipo de mídia. Bem, enquanto a série não sai, a única forma de saber como o mundo acaba é por este livro. Ou pela Bíblia. Mas fica por sua escolha se você prefere algo mais cômico ou sério.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Meus livros na Banca Sorriso



           Oi gente. Gostaria de informar que o meu livro A pena mágica e outros contos está a venda agora na banca de jornal Sorriso na rua Senador Vergueiro, Flamengo, perto do Supermercado Ultra. E tem novidades! Eu e minha irmã fizemos esses quatro livros:






           Reconhece um deles? Sim, Caio e Isis agora tem formato de livro e, assim como os outros, está à venda na Banca Sorriso. Não percam!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Filosofia para crianças?



            Sim, eu nunca havia lido O Pequeno Príncipe quando era pequena, apesar de ser considerado um clássico. O livro foi escrito por Antoine de Saint – Exupéry, piloto francês, que morreu tentando cumprir seu dever na Segunda Guerra Mundial.
            Um piloto (narrador da história) caiu no deserto do Saara. Lá ele encontra um menino curioso que pede para ele desenhar um carneiro para tê-lo em seu pequeno planeta. Assim, os dois acabam conversando e o garoto conta a sua jornada.
            A primeira coisa que notei foi que a pessoa que narra é um narrador testemunha (narrador que não é o personagem principal da história, mas faz parte dela) e apesar de ser um adulto, ele fala e parece se considerar uma criança em certos momentos. Apesar de ser ensinado no curso de Letras a diferença entre narrador, autor e escritor, aqui existe uma certa similaridade entre o narrador e o autor por ambos serem pilotos de avião, que acabo me perguntando se Antoine de Saint – Exupéry fez esse personagem para representá-lo na narrativa. Acredito que sim.
            O livro tem muitas características que aparecem em contos infantis: as plantas e os animais são capazes de falar. Além de ter planetas pequenos em que se pode dar a volta em um dia e com um só morador, coisas que só se desligando da realidade, você seria capaz de acreditar. O personagem pequeno príncipe capta a essência de uma criança, do jeito como ele insiste numa pergunta até ela ser respondida e o jeito como critica os adultos, não entendendo como eles dão atenção a coisas não importantes, como fazer contas.
O que é raro de se encontrar em histórias infantis é pensamentos filosóficos. Não só o pequeno príncipe, mas também os animais filosofam sobre acontecimentos da sociedade que existem até os dias de hoje. A serpente, por exemplo, filosofou que também existe solidão em meio a uma multidão. A raposa também fala sobre o consumismo e como isso deixa pouco tempo para conhecer pessoas. A flor do pequeno príncipe diz que é a única no universo, mas ele descobre que ela é só uma rosa e que havia várias delas na Terra. Ele vê que tudo que ele tem em seu pequeno planeta é insignificante perto do que há em nosso planeta. Até que a raposa fala sobre como cativar torna aquilo que pode não ser único no mundo em algo muito especial.
Fico imaginando o que uma criança de sete para oito anos acharia desse livro. Gostaria da parte mais infantil, como alguns diálogos mais simples e as ilustrações ou também iria prestar atenção nesses pensamentos filosóficos, que apesar de simplificados, ainda são complexos? Como não sou mais criança, fica difícil dizer. Então, faça este teste com uma criança próxima e depois me conta.

                                                           O essencial é invisível aos olhos...

                                                                                               O Pequeno Príncipe