sexta-feira, 22 de maio de 2020

Sala de espera

          Lugar onde fica um amontoado de pessoas sentadas à espera de serviços. Normalmente com uma mesinha cheia de revistas (de preferência, revista Veja) de meses ou até de anos atrás. Possui uma secretária que vive a mexer no computador ou para anotar datas de consulta ou, quando ninguém está olhando, entrar no Facebook.



Obs. Este texto é um outro exercício de escrita criativa. Você deve pegar uma coisa ou lugar e definir com as suas palavras. Escolhi sala de espera. Quer tentar?

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Jovens ao Piano

                                        Meninas ao Piano de Pierre – Auguste Renoir, 1892


                                                      Magali e Mônica ao Piano, 1992


           Ana e Beatriz eram duas irmãs cuja família tinha sangue azul. As duas eram diferentes tanto na aparência como no modo que agiam. Ana era a mais velha, tinha cabelos loiros como o raiar do sol; tinha a delicadeza de uma flor; a calma, a gentileza e a quietude de sua mãe. Já Beatriz tinha cabelos castanhos como os do pai e era mais ousada e falante que sua irmã.

            Apesar de todas essas diferenças, as duas jamais se separavam. Para onde uma ia, a outra sempre vinha atrás. Até que um dia, seu pai declarou que Ana deveria se casar com um jovem bem sucedido, pois ela já completara quinze anos, a idade certa para um casório. Beatriz ficara tão deprimida com a notícia de que ela e a irmã não poderiam mais ficar juntas que começou a ignorar a irmã.

            Ana, que notou o afastamento de Beatriz, a chamou para ouvi-la tocar piano. Mesmo estando zangada, Beatriz aceitou, pois adorava ouvir sua irmã tocando piano. Quando começou a tocar, Beatriz notara que nunca ouvira aquela composição. Mal Ana acabou de tocar e Beatriz já perguntou:

            - Nunca ouvi uma composição tão bonita! Quem a escreveu?!

            - Eu – respondeu Ana.

            - Sério?! E qual é o nome dela?

            - Sempre contigo.

 

 

 

 

Observação: Escrevi este texto como um exercício do curso de Escrita Criativa da Estação das Letras já tem alguns anos. Me baseei no quadro de Renoir. Coloquei a versão do Maurício de Sousa só para entretenimento.




sexta-feira, 8 de maio de 2020

Da tela ao papel


             Ganhei este livro quando estava na faculdade, já faz algum tempo. Ele ficou me esperando durante anos até os olhos da jovem da capa me seduzirem a finalmente pegá-lo. Moça com Brinco de Pérola foi escrito pela americana Tracy Chevalier e lançado em 1999. A edição que tenho em mão é da editora Bertrand Brasil de 2011.

            Após um acidente com o fogão de azulejos, o pai de Griet perdeu a visão e não pode mais trabalhar. Agora, Griet deve trabalhar como criada no ateliê do conhecido pintor Johannes Vermeer, para ajudar no sustento de sua família.

            A capa deste romance na verdade são dois quadros do pintor Johannes Vermeer, que realmente existiu. O primeiro que é o retrato de uma jovem tem o mesmo nome do título deste livro e foi pintada entre 1665 e 1666. Ela é conhecida nos meios artísticos como” a Mona Lisa holandesa”. Enquanto a pintura de baixo se chama Vista de Delft, que foi criada entre os anos de 1660 e 1661. Ambas as pinturas ilustram bem o livro pois a história se passa em Delft e a protagonista é a Moça com Brinco de Pérola.

            Fazer textos inspirados em um quadro ou uma escultura não é algo novo. Na verdade, é muito comum fazer isso como exercício de escrita criativa. Escrevi os livros Tálassa e Flogues e Filhote de quê baseados em uma pintura e escultura respectivamente. Porém, quando são incluídas pessoas que existiram no mundo real, precisa se fazer uma boa pesquisa se quiser convencer seu leitor de que esse evento possa ter acontecido. Lembro de quando a autora Claudia Lage falou sobre o seu romance biográfico Mundos de Eufrásia e de como ela foi até a antiga casa de Eufrásia para que seu livro fosse o mais bem detalhado possível. Não se sabe quem foi a modelo para a Moça com Brinco de Pérola, mas a autora teve criatividade para inventar uma história que fosse coerente com o tempo em que a pintura foi criada.

            Detalhes da vida dos familiares de Vermeer foram acrescentados no livro, como a conversão do pintor para o catolicismo, o ataque que o irmão de Catharina, sua esposa, fez enquanto esta estava grávida e a violência que o pai fazia nela e na mãe, Maria Thins.

            Um tema que é abordado no começo do livro é a diferença entre cristãos e protestantes. Pelos olhos de Griet, vemos o quanto ela fica horrorizada ao ver imagens relacionada a Bíblia, que para o cristianismo é algo comum. Mas são as diferenças entre classes sociais que predominam o romance e que no século XVII eram ainda mais aparentes.

            Além de ter feito uma boa pesquisa de como a sociedade da época funcionava, Chevalier também acrescentou como se eram pintados os quadros e de como suas tintas eram feitas. Um exemplo é o carvão de osso moído para fazer o preto. Era também usado um objeto chamado câmera escura para observar detalhes do quadro, como se fosse uma lupa. Para um livro que se trata de pintura, é um bom toque.  

            Há vários personagens que compõem a narrativa. Griet, que é a protagonista e narradora da história é uma moça séria, calma e quieta, que guarda os sentimentos para si. Pela visão de Griet, vimos um Vermeer tão focado em sua arte que não sabemos se ele a vê como pessoa ou objeto para seu trabalho. Pelo menos, ele a trata com respeito. Catharina é a típica madame esnobe, que sente ciúmes do marido por passar tempo demais com Griet. Mesmo assim, consegui ter um pouco de simpatia por ela, pois o marido não a deixava entrar em seu mundo, mesmo ela querendo tanto.

Na minha opinião, a antagonista principal foi Cornélia, uma das filhas do pintor, que metia Griet em problemas, inclusive no último conflito. E o pior é que ela fazia tudo isso intencionalmente. Esta foi a personagem que mais deu raiva. Maria Thins me fez ter uma reação contrária, sendo a que mais gostei. Rígida e boa em negócios, ela admira as pinturas do genro e faz de tudo para que ele pinte mais. Pieter, o filho do açougueiro seria o segundo interesse romântico para Griet. Apesar de ele ter sido criado para ser mais amigável do que Vermmer, não gostei muito dele. Ele parecia estar convencido de que era o herói salvando a mocinha do perigo e que esta deveria retribuir o favor ficando com ele. Há muitos outros personagens apresentados no livro, mas comentarei apenas estes.

 O romance contém cenas de abuso, que infelizmente eram mais frequentes na época, assim como uma cena de “ato”. Isso já faz com que o livro seja para um público juvenil dos catorze anos para cima.

            Moça com Brinco de Pérola teve uma adaptação para cinema em 2003 e Griet foi interpretada pela atriz Scarlet Johansson, conhecida por interpretar a Viúva Negra nos filmes da Marvel. Não assisti o filme, mas vi que ele foi indicado para várias premiações.      

            De maneira geral, foi uma boa leitura com um final doce e amargo. Se o seu olhar encontrar com o da moça da capa, não desvie. Pois nele escondem histórias que desejam ser contadas.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Chá de Boneca

                     Roteiro: Mariana Torres
                     Arte: Maya Flor e Mariana Torres


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Já está ocupada




         Notam alguma diferença? Agora os desenhos são feitos no aplicativo Clip Studio, direto do computador. Como a Luísa tem certa dificuldade de se adaptar a esse novo método, vocês verão algumas tirinhas desenhadas por mim. Essa aqui por exemplo, fiz toda sozinha, mantendo o estilo que minha irmã deu aos personagens. O crédito da criação do desenho continuará sendo dela assim como o roteiro continua sendo escrito por mim. Espero que gostem!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A galinha que não era pintadinha





            Não esperava que fosse ler um livro cuja protagonista é uma galinha em um momento de crise. Porém, aqui estou. Flora Hen é um livro infanto-juvenil lançado na Coreia do Sul no ano 2000 e veio para cá pela editora Geração em 2014. Foi escrito pela sul-coreana Hwang Sun-mi. A ilustração dessa edição foi feita pela chilena Yasmin Mundaca.

            Flora é uma galinha que foi criada apenas para botar ovos e passou a vida toda presa dentro do galinheiro. Mas vendo como é a vida no quintal, ela tem o desejo de um dia sair e chocar um ovo, presenciando o nascer de sua cria. Como estava fraca e os ovos que produzia pioravam a cada dia, o fazendeiro decidiu dar um jeito nela.

            Quando meus pais trouxeram esse livro de Curitiba, a primeira coisa que eu disse foi “Pô, um livro de uma galinha?! Fala sério!” Engulo minhas palavras, pois o livro é fofo e tocante. Ele foca na adoção entre espécies diferentes, um tema que cheguei a abordar no meu livro Miska, a gata-cão. Mas esta história foca na mãe enquanto a minha foca no filho adotado além de terem desfechos e desenvolvimentos completamente diferentes.

            Flora é a protagonista e começa como uma galinha medrosa e ingênua. A ingenuidade dela chegava ao ponto da ignorância pois ela não sabia que para ter um pintinho precisaria de um galo e que ela era infértil. Também era completamente ignorante de como o mundo do lado de fora funcionava. Mas por ter passado grande parte da sua vida presa em um galinheiro, dá para entender o porquê de ela ser alienada. Flora vai evoluindo com o passar do tempo e vai aprendendo com a maternidade e o leitor torce pelo seu sucesso. Antes, acreditava que as crianças preferissem personagens que tivessem idade próxima a elas. Só que agora, não tenho mais esse pensamento. Não importa se for adulto ou criança, se a história e o personagem forem cativantes, qualquer um pode ser atraído.

            O livro apresenta cenas cruéis como Flora sendo jogada em um local cheio de galinhas mortas e a doninha, a “vilã” da história, caçando e matando animais. Apesar de apresentarem sentimentos e inteligência similar aos humanos, os animais ainda agem como animais e veem o ciclo da vida como algo normal. Por ter momentos assim, acredito que o público alvo é crianças a partir dos nove, dez anos de idade. Mas cabe aos pais e professores decidirem quando devem ou não apresentar este livro para seus filhos e alunos.

            Quanto as ilustrações, acho atrativas. Porém, o desenho da doninha me incomodou. Não que ela seja horrorosa, mas quando você lê o livro até o final verá que esse chapéu que ela está usando não combina com a personagem.

            A autora tem uma história de vida interessante que vou compartilhar. Por ser pobre na época, não pode completar o ensino médio, mas conseguiu estudar sozinha graças a uma professora, que dava acesso a uma sala de aula com bastante material escolar. Inicialmente, só quis escrever história para ensinar seus filhos a ler, começando sua carreira literária aos 32 anos. Isso mostra que podemos nos tornar autores independente de nossa origem e até mesmo sem intenção de se tornar famoso.

            Há um filme baseado nesse livro chamado Lifi: uma galinha na selva. Ele foi lançado em 2011 e a animação foi feita na Coreia. Apesar de manter várias das cenas de morte do livro, o longa-metragem ainda assim mudou várias coisas e conseguiu infantilizar a história. Os personagens falam o tempo todo, não tendo quase nenhum momento de silêncio para o espectador respirar. Sugiro que fiquem apenas com o livro. Mas para quem quiser, o filme está disponível no catálogo da Netflix.

            Flora Hen é um livro que recomendo até mesmo a adultos, pois os temas abordados e o modo como é contada a história é atrativo. O final, assim como a vida, tem um gosto doce e amargo. Não julguem esse livro pela capa. Essa galinha não tem nada de pintadinha.

           




sexta-feira, 10 de abril de 2020

"Memorando"


                                    A rosa é vermelha,

                                    As violetas são azuis.

                                    Estamos de quarentena com a velha

                                    Salva nós Jesus.



Poesia dedicada à minha mãe, para rirmos um pouco. Os tempos estão difíceis ultimamente...



                        A rosa é vermelha

                        As violetas são azuis.

                        Não importa quanto o mal se espalha

                        Sempre haverá uma luz.



Esta aqui é para dar um pouco de esperança. Todos contra o Corona!