Notam alguma diferença?
Agora os desenhos são feitos no aplicativo Clip Studio, direto do computador.
Como a Luísa tem certa dificuldade de se adaptar a esse novo método, vocês
verão algumas tirinhas desenhadas por mim. Essa aqui por exemplo, fiz toda
sozinha, mantendo o estilo que minha irmã deu aos personagens. O crédito da
criação do desenho continuará sendo dela assim como o roteiro continua sendo escrito
por mim. Espero que gostem!
sexta-feira, 24 de abril de 2020
sexta-feira, 17 de abril de 2020
A galinha que não era pintadinha
Não esperava que fosse ler um livro cuja protagonista é
uma galinha em um momento de crise. Porém, aqui estou. Flora Hen é um
livro infanto-juvenil lançado na Coreia do Sul no ano 2000 e veio para cá pela
editora Geração em 2014. Foi escrito pela sul-coreana Hwang Sun-mi. A
ilustração dessa edição foi feita pela chilena Yasmin Mundaca.
Flora é uma galinha que foi criada apenas para botar ovos
e passou a vida toda presa dentro do galinheiro. Mas vendo como é a vida no
quintal, ela tem o desejo de um dia sair e chocar um ovo, presenciando o nascer
de sua cria. Como estava fraca e os ovos que produzia pioravam a cada dia, o fazendeiro
decidiu dar um jeito nela.
Quando meus pais trouxeram esse livro de Curitiba, a
primeira coisa que eu disse foi “Pô, um livro de uma galinha?! Fala sério!” Engulo
minhas palavras, pois o livro é fofo e tocante. Ele foca na adoção entre
espécies diferentes, um tema que cheguei a abordar no meu livro Miska, a
gata-cão. Mas esta história foca na mãe enquanto a minha foca no filho
adotado além de terem desfechos e desenvolvimentos completamente diferentes.
Flora é a protagonista e começa como uma galinha medrosa
e ingênua. A ingenuidade dela chegava ao ponto da ignorância pois ela não sabia
que para ter um pintinho precisaria de um galo e que ela era infértil. Também
era completamente ignorante de como o mundo do lado de fora funcionava. Mas por
ter passado grande parte da sua vida presa em um galinheiro, dá para entender o
porquê de ela ser alienada. Flora vai evoluindo com o passar do tempo e vai
aprendendo com a maternidade e o leitor torce pelo seu sucesso. Antes,
acreditava que as crianças preferissem personagens que tivessem idade próxima a
elas. Só que agora, não tenho mais esse pensamento. Não importa se for adulto
ou criança, se a história e o personagem forem cativantes, qualquer um pode ser
atraído.
O livro apresenta cenas cruéis como Flora sendo jogada em
um local cheio de galinhas mortas e a doninha, a “vilã” da história, caçando e
matando animais. Apesar de apresentarem sentimentos e inteligência similar aos
humanos, os animais ainda agem como animais e veem o ciclo da vida como algo
normal. Por ter momentos assim, acredito que o público alvo é crianças a partir
dos nove, dez anos de idade. Mas cabe aos pais e professores decidirem quando
devem ou não apresentar este livro para seus filhos e alunos.
Quanto as ilustrações, acho atrativas. Porém, o desenho
da doninha me incomodou. Não que ela seja horrorosa, mas quando você lê o livro
até o final verá que esse chapéu que ela está usando não combina com a
personagem.
A autora tem uma história de vida interessante que vou compartilhar. Por ser pobre na época, não pode completar o ensino
médio, mas conseguiu estudar sozinha graças a uma professora, que dava acesso a
uma sala de aula com bastante material escolar. Inicialmente, só quis escrever
história para ensinar seus filhos a ler, começando sua carreira literária aos
32 anos. Isso mostra que podemos nos tornar autores independente de nossa
origem e até mesmo sem intenção de se tornar famoso.
Há um filme baseado nesse livro chamado Lifi: uma
galinha na selva. Ele foi lançado em 2011 e a animação foi feita na
Coreia. Apesar de manter várias das cenas de morte do livro, o longa-metragem
ainda assim mudou várias coisas e conseguiu infantilizar a história. Os
personagens falam o tempo todo, não tendo quase nenhum momento de silêncio para
o espectador respirar. Sugiro que fiquem apenas com o livro. Mas para quem
quiser, o filme está disponível no catálogo da Netflix.
Flora Hen é um livro que recomendo até mesmo a
adultos, pois os temas abordados e o modo como é contada a história é atrativo.
O final, assim como a vida, tem um gosto doce e amargo. Não julguem esse livro
pela capa. Essa galinha não tem nada de pintadinha.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
"Memorando"
A rosa é vermelha,
As violetas são azuis.
Estamos de quarentena com a velha
Salva nós Jesus.
Poesia
dedicada à minha mãe, para rirmos um pouco. Os tempos estão difíceis ultimamente...
A rosa é vermelha
As violetas são azuis.
Não importa quanto o mal se espalha
Sempre haverá uma luz.
Esta aqui é para dar um pouco de esperança. Todos
contra o Corona!
segunda-feira, 30 de março de 2020
sexta-feira, 27 de março de 2020
sexta-feira, 20 de março de 2020
sexta-feira, 13 de março de 2020
Histórias Fantásticas do Guardião resenha
Histórias Fantásticas do
Guardião é uma coletânea de contos escritos por diversos
autores e organizada por Paulo Ballado e lançada pela editora Guardião em 2018.
O livro possui ilustrações feitas por Fabio Nunes e sua temática é a era medieval
fantástica. São onze contos no total, por isso, analisarei eles resumidamente:
Virion –
Escrito por Paulo Ballado, a história foca em um mago novato que junto ao
guardião Virion e outros aventureiros vai atrás de um Ídolo precioso, passando
por vários desafios. Parece o resumo de uma missão jogo de RPG. A história é
bem curta. Acho que o autor poderia ter acrescentado mais detalhes.
A Palavra e as Palavras
de Elisa de Flândria – Escrito por Ana Lúcia Merege, o conto
se trata de uma mulher chamada Elisa, que trabalha em uma livraria, e deve
vender os livros que fez por um bom preço para salvá-la da falência. O final me
lembrou um pouco do primeiro conto. Acredito que a história poderia ser
continuada, mesmo que ela seja fechada.
O Dragão de
Pelinore – Escrito por Alexandre D’Assumpção, o
cavaleiro Percival se prepara para ir em busca do Santo Graal. Mas antes, tem
de ficar para seu último banquete e ouvir histórias zombeteiras sobre o seu
pai, Pelinore. Um conto bem curto e não tenho muito o que comentar. Talvez quem
tenha um conhecimento prévio das lendas arturianas goste. Como não tenho, achei
apenas ok.
O Fardo –
Escrito por Jorge Valpaços, um homem teve a audácia de cochilar na hora de seu
trabalho. Então, sua cruel senhora lhe dá uma escolha: receberá chibatadas ou
cometerá algo que em sua região seria um crime. O final parece um começo de uma
história RPG.
Hop-Frog –
Escrito pelo famoso escritor americano, Edgar Allan Poe, Hop-Frog é um anão
manco que foi dado a um rei para ser seu bobo da corte. O rei e seus sete
ministros, que nunca o levam a sério, o humilham e o obrigam a beber vinho,
apesar deste não se sentir bem ao fazê-lo. Será que ele vai aguentar isso até o
fim de seus dias? Um bom conto. Só acho engraçado que este é a segunda história
que leio deste autor que envolve orangotangos.
O Errante de Mil
Contos – Escrito por Hefmon Hank. O narrador
relata dois pontos de vista de uma praga ocorrida em sua cidade. Cada um relata
do seu jeito. Um conto ok.
A História do
Fazendeiro - Escrito por Victor Aurius, um fazendeiro
conta como foi o seu encontro com um dragão. Conto curto. Acho que podia ter
mais detalhes no meio.
Fúria da Noite – Também
escrito por Victor Auris, um homem nascido em uma vila bárbara em que todos são
guerreiros fortes conta como passou a ser chamado de Fúria da Noite. Por um
momento, acreditei que o conto seria uma paródia do filme Como treinar o seu
dragão por causa do título e ainda mais por envolver uma tribo guerreira. Mas
me enganei. O conto é uma subversão do herói que consegue a aprovação de seu
povo após um ato heroico.
A Procura – Escrito
por Doc Mariz, Lucy é uma moça feia cuja mãe foi ama de leite de um príncipe de
aparência bela. Ela fez amizade com Mary, uma menina com hábitos estranhos.
Após Mary ser acusada de bruxaria e ser queimada viva, Lucy decide fazer algo. Conto
interessante com um final que chama a atenção.
Boa Sorte, Henry –
Escrito por Mirna Micheli Nesi, Henry foi condenado à guilhotina por falar que
o povo está sem dinheiro e tudo está desmoronando. E ele está certo. Curto, mas
engraçado.
A Punição do
Cavaleiro – Também escrito por Mirna Micheli Nesi, o
cavaleiro terá que sofrer uma punição após bater em retirada e abandonar o
resto do grupo. Este conto também faz referência ao RPG, só que de maneira
diferente dos outro que analisei anteriormente.
Algo bem criativo neste livro é o seu sumário que tem um
formato de mapa dos livros dessa temática. Além disso, a introdução é feita por
um personagem chamado de o Guardião, que aparece no conto Virion, e
apresenta este livro como sua coletânea. Acho bastante interessante quando transformam
um personagem fictício no autor de um livro existente. Dá a impressão de que
ele está aqui entre nós.
Dos autores compostos nesse livro, apenas Allan Poe, que
é mais conhecido por seus contos de suspense e cujas obras são consideradas
clássicas, é o único autor de origem estrangeira. É bom ver mais uma coletânea
que apresente escritores brasileiros, principalmente deste tema, que aqui no
Brasil é tão pouco escrito.
De todas as histórias, minhas favoritas foram Hop-Frog;
A Procura e Boa Sorte, Henry. As outras foram ok ou
genéricas. Mas isso acontece em um livro com vários contos. Uns chamam mais
atenção que outros. Alguns dão em uma sala cheia de tesouros e outros dão em um
salão com um enorme dragão. Como em um RPG, tudo depende da sua escolha.
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