sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
Crescimento regredido
Nesta resenha trago para
vocês uma história cujo tema me deixou interessada. O curioso caso de
Benjamin Button foi escrito pelo americano F. Scott Fitzgerald em 1920 e
foi inspiração para o filme de mesmo nome em 2008. Este livro também possui historieta
do autor chamada Bernice corta o cabelo que também irei analisar.
No ano de 1860, o casal Button decide ter seu primeiro bebê
num hospital, algo incomum para época. Qual não é a surpresa do senhor Button
quando ele passa no hospital e descobre que seu filho nasceu velho?
Já
pela premissa, vemos que há uma mistura entre realidade e fantasia, afinal,
como uma mulher consegue dar à luz a um velho adulto sem ter morrido no parto?
Isso nunca é explicado. Porém, isso não importa nem um pouco, pois o foco não é
o porquê disso ter acontecido, mas como o protagonista viverá com isso.
O curioso caso de Benjamin Button claramente
mostra como seria um desastre se nós começássemos a vida como velhos e fôssemos
rejuvenescendo conforme o tempo. Acredito que a vantagem de envelhecer é o
amadurecimento que, para a tristeza do protagonista, isso não lhe acontece, ao
invés disso, ele regride a cada ano que passa, o que faz com que a relação
entre Benjamin e seus familiares seja muito diferente do restante das pessoas. Gostaria
que tivesse mais capítulos explorando mais Benjamin e os outros personagens, mas
ter uma história pequena é melhor do que não ter nada.
Agora como um extra, vou falar de Bernice corta o
cabelo. Bernice foi passar uma temporada na casa de sua prima Marjorie. Mas
quando ela vai para as festas, ninguém quer dançar com ela por ser considerada
uma chata, fazendo com que Marjorie tenha que convencer os rapazes. Ao
descobrir isso, Bernice aceita a ajuda da prima para se tornar mais popular,
começando a chamar a atenção das pessoas dizendo que ia cortar o cabelo, algo
que parece que quase nenhuma mulher fazia na época.
Vejo uma dualidade nesse conto através das duas primas
com Bernice representando a jovem mais romântica, idealista e sensível, criada
a moldes mais antigos enquanto Marjorie já é mais fria, manipuladora e saidinha.
Acredito que tenha sido intenção do autor fazer Marjorie pior do que Bernice,
mesmo a segunda tendo de fato enganado os outros com relação a sua verdadeira
personalidade. E diria que funcionou, pois odiei Marjorie. Ela me faz lembrar
daquelas garotas populares que implicam com a protagonista nos filmes de escola
americanos. Assim como O curioso caso de Benjamin Button, gostaria que Bernice
corta o cabelo fosse maior, pois fiquei curiosa com relação ao que
aconteceu depois do final, apesar do fechamento da história não ser ruim.
Se eu tivesse que dizer alguma semelhança entre ambas as
histórias, diria que as duas mostram que temos que nos encaixar na sociedade ao
máximo para ter uma vida relativamente boa e normal, principalmente na época em
que essas historietas se passam. Nos dois casos tiveram que usar mentiras para
que os personagens fossem aceitos e no caso de Benjamin, não deu muito certo.
Colocando isso para os dias atuais, creio que o meio termo é a solução. Todo
mundo tem gosto próprio e ninguém é igual a ninguém. Não há a necessidade de
você mentir para alguém gostar de você. Em outros casos, a pessoa possui alguma
condição que a impossibilita de ter uma vida padrão e o melhor a se fazer é
tentar entender e aceitar. Mas a menos que seja um eremita, há regras que
precisam ser seguidas para se conviver com as outras pessoas. O jeito é tentar
se adaptar da melhor forma para haver equilíbrio entre o que você deseja e o
que os outros esperam de você.
Por
isso, recomendo a leitura de ambas as histórias. São bem curtinhas, mas podem
te fazer pensar. Pois ao contrário da vida Benjamin Button, amadurecemos nossas
habilidades conforme o tempo e a leitura é uma delas.
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
O clichê de todo romance de cavalaria
Não falei que continuaria
esta saga até o final? Bom, O Castelo de Llyr é o terceiro livro das Aventuras
de Prydain, escrito por Lloyd Alexander em 1966. Sigamos para o resumo:
Infelizmente, Eilonwy não podia ficar para sempre em
Caer Dallben. Então, ela foi mandada acompanhada de Taran e Gurgi para um navio
em direção à ilha de Mona, onde a garota aprenderia a agir como uma princesa. Mas quando eles menos esperaram, aparece o próprio príncipe Gwydion disfarçado de
sapateiro para avisar que todos correm perigo. Qual será esse perigo?
Pelo parágrafo acima, faz parecer que a princesa Eilonwy
teria um papel de destaque. E ela tem, mas apesar da história ser ao seu redor,
a garota não tem um papel muito ativo neste livro pois aqui ela é a donzela sequestrada.
O que é uma pena, pois apesar da personagem ter se tornado irritante para mim
com o passar dos livros, ela tinha um potencial. Porém, aqui ela é só a principal
motivação para Taran, cuja relação com ela apresenta um outro clichê que os
livros anteriores já mostraram que é a dos dois jovens que se amam, apesar de
viverem brigando. Além disso Eilonwy me deixou com raiva ainda no começo,
quando ela julga as outras damas por ficarem no castelo e preferirem atividades
tipicamente femininas enquanto ela gosta de aventuras, e ainda assim ela não
parece ser tão diferente delas quando a questão é ser capturada pelo inimigo,
pois não possui a habilidade de luta como a de seus companheiros homens. E
quando o romance dá uma possibilidade dela ficar poderosa, ele não o faz. Isso
me deixou bastante decepcionada.
E quanto aos outros personagens? Eles foram tão ruins
quanto Eilonwy? Não. A maioria dos personagens mantem as mesmas características que foram apresentados, com exceção de Taran, que finalmente aprendeu a
ser mais responsável após as aventuras anteriores. Infelizmente, Doli, o anão
rabugento, não aparece nesta história. Outro personagem aparece em seu lugar
para completar o grupo é o príncipe Rhun, um jovem atrapalhado, mas de boas
intenções. Também há o retorno de outro personagem que não aparece desde o
primeiro livro que é Achren, a feiticeira mentora de Eilonwy, e a antagonista
principal deste livro.
Algo que percebi no livro anterior, O Caldeirão Negro
e que também notei no Castelo de Llyr é que ambas as capas mostram cenas
que não acontecem na história. No Caldeirão Negro, Eilonwy nunca segurou
uma espada assim como neste livro, a gata gigante nunca atacou Taran e a
princesa no castelo. Sei que não é um erro muito grande, mas acho que a editora
deveria ter tido mais cuidado com isso.
Já a história em geral, foi do mesmo modelo das outras em
que os heróis encontram alguns desafios antes de ir para o conflito final, que
devo dizer que foi meio fraco. Pelo menos o meio me entreteve o bastante.
Apesar
das críticas, não achei O Castelo de Llyr inferior aos volumes
anteriores. Diria que teve consequências menos sérias que O Caldeirão Negro,
mas como disse no parágrafo anterior, eles seguem o mesmo padrão que é bastante
típico da literatura infanto-juvenil. Faltam dois livros para acabar a saga.
Então, continuarei viajando por estas terras. Até a próxima resenha!
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
Cuidado com o rio
Trago novamente mais um
conto folclórico vindo do Amazon Kindle. As águas do rio foi escrito por
G. G. Diniz e lançado na plataforma em 2018.
Bruno vai acampar com os amigos próximo ao rio Amazonas,
apesar da preocupação de sua mãe e de sua dinda, que avisou para não ir ao rio de
noite. O que será que vai acontecer neste acampamento?
A capa e o título já revelam qual ser do nosso folclore
será a atração, que é a Iara. Mas ao invés de focar no aspecto mais sedutor da
sereia, este conto mostra o seu lado de predadora e o que acontece com quem atravessa
o seu caminho. Há também uma pequena aparição de outro ser folclórico, mas não revelarei
qual, para caso vocês queiram ler.
Recomendo o conto para quem quiser ler uma perspectiva mais
adulta e violenta de um de nossos folclores mais populares. É um conto curto e
de fácil leitura. E lembrem-se: Nunca vão ao rio à noite.
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
De volta a Prydain...
Voltamos agora para o segundo volume das Aventuras de Prydain. O Caldeirão Negro foi escrito em 1965 pelo escritor Lloyd Alexander e, como o livro que lhe antecede, foi usado pela Disney como base para criar o filme O Caldeirão Mágico.
Após a derrota do Rei Cornudo, Taran voltará às suas
atividades normais de porqueiro-assistente. Mas as forças de Arawn não foram
completamente acabadas e com o poder do caldeirão, ele cria mais guerreiros dos
cadáveres roubados.
Uma curiosidade que esqueci de mencionar na resenha de O
Livro dos Três é que o autor inspirou esta história na mitologia e no
folclore do País de Gales. Um exemplo são as três bruxas Orddu, Orwen e Orgoch,
que são baseadas em uma lenda celta. Por falar nelas, as três e o caldeirão são
os elementos deste livro que apareceram no filme O Caldeirão Mágico. A
animação não segue a sequência certa dos dois livros, e acaba por misturar ambas
as narrativas, além de excluir muitos personagens e infantilizar a adaptação.
Falando nos personagens, como no livro anterior, temos
todo o grupo de heróis de volta. Incluindo Doli, um rabugento anão do Povo
Formoso, entrou para o grupo como guia para os outros quatro na segunda metade
do Livro dos Três. Também temos Ellidyr, um príncipe habilidoso e arrogante;
Adaon, filho do chefe dos bardos, que é calmo e misterioso; os outros amigos Gwydion,
Morgant e Smoit; e as próprias bruxas que mencionei no parágrafo anterior, os
únicos seres verdadeiramente neutros nessa guerra entre o bem e o mal.
Na
resenha anterior, elogiei a interação do grupo principal, mas aqui vou expor os
pontos negativos: neste livro, as brigas entre Eilonwy e Taran são mais
irritantes do que engraçadas. Também não gosto como eles põem sempre Taran para
ser o líder do grupo sendo que Fflewddur é mais velho e mais experiente que ele
nas lutas. Por falar no protagonista, ele aparentava ter aprendido a lição no
volume anterior de que uma aventura poderia ser perigosa. Aqui, ele parece ter
esquecido tudo isto e estar ansioso para voltar à ativa. Talvez seja por causa
das atividades tediosas de porqueiro-assistente. Espero que o resultado desta
jornada fique gravado para o terceiro volume.
De maneira geral, O Caldeirão Negro tem os mesmos
elementos fantásticos do primeiro volume só que com um tom um pouco mais
sombrio (houve mortes importantes neste livro), com um ou outro clichê típico
da narrativa deste gênero (quem diria que o cavaleiro sério que se veste todo
de negro não trairia os outros no final...). Apesar disso, este livro me
entreteve. Ainda faltam mais três livros para terminar. Por isso, minha jornada
por Prydain deve continuar.






