sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Fantasia Animal

 



 

            Oi gente! Eu e minha irmã Maya Flor lançamos um livro para esse carnaval. Vocês podem encontrar este livro na Banca Sorriso na rua Senador Vergueiro, no Flamengo, próxima ao supermercado Ultra ou entrando em contato comigo. Não percam!

 

Ao ver um bloco de Carnaval, o sagui tem a ideia de fazer uma festa dessa celebração com os outros bichos. Todos se animaram, menos a coruja rabugenta. Será que eles conseguirão convencê-la a participar?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

A Ilha do Dr. Moreau

 


                Já li O Homem Invisível então por que não leria outra obra do autor? A Ilha do Dr. Moreau foi escrito por H. G. Wells em 1896 e é uma de suas quatro obras mais conhecidas, como A Máquina do Tempo, A Guerra dos Mundos e o já mencionado Homem Invisível. Este livro teve duas adaptações cinematográficas, uma em 1977 e outra em 1996.

            Após sua navegação ter sofrido um naufrágio e seus dois companheiros de bote terem se afogado, Edward Prendick acordou em um outro navio, sendo tratado por um doutor chamado Montgomery. Esta embarcação estava cheia de animais destinados à ilha onde Montgomery morava. Após a entrega da carga, o capitão nem quis saber de Prendick e o forçou a voltar ao seu bote. Porém, Montgomery acabou por ajudá-lo, levando-o a conhecer o doutor Moreau, o dono da ilha, e seus estranhos habitantes...

            Desde Frankenstein, livros de ficção científica em que o homem brinca de Deus e é castigado por sua insolência são bastante comuns na literatura. A Ilha do Dr. Moreau não é a exceção. Mas mesmo que essa temática seja considerada um clichê nesse ponto, é algo que até os dias de hoje gera debates interessantes. E esta história ainda acrescenta mais um tema para a discussão, que é “tudo que o homem modifica da natureza, uma hora ou outra, retornará ao seu estado original”. Infelizmente, a novela é muito curta, não tendo muito espaço para maiores detalhes das discussões acima.

            Quanto aos personagens, cumprem bem os seus papeis. O protagonista Edward Prendick, que é também o narrador, serve como o homem comum que foi introduzido à loucura da ilha e com quem a audiência mais se identificará. O doutor Moreau é uma versão mais arrogante e vilanesca de Victor Frankenstein, pois ainda persiste em seus experimentos até o final, não importando as consequências. E por último, Montgomery, o ajudante de Moreau, que viveu as loucuras de seu chefe por tanto tempo que já se acostumou, usando o álcool como sua principal fonte de tratamento. Gostaria que os habitantes da ilha tivessem tido mais foco. Mas talvez tenha sido melhor assim, pois a natureza deles é simples e não teria tanto a acrescentar.

O livro tem algumas semelhanças com Guardiões da Galáxia vol. 3. Não duvido nada que A Ilha do Dr. Moreau foi a inspiração para este filme. Nem que inspire mais obras que venham por aí. Por isto, recomendo a quem seja fã de ficção científica que dê uma lida. Só tomem cuidado. Se virem um coelho morto, olhem para seus arredores e fiquem atentos.

 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

O Livro dos Dragões

 


            Volto novamente com mais uma resenha de um livro fantástico. O Livro dos Dragões é uma coletânea de contos, escritos pela autora Edith Nesbit em 1899. Nesbit é considerada a primeira escritora moderna do gênero infanto-juvenil e influenciou autores como C. S. Lewis e J. K. Rowling. As histórias foram publicadas na revista The Strand Magazine, que também popularizou as histórias de Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle e da série Hercule Poirot de Agatha Christie. Vamos para a análise dos contos:

 

O livro das feras – Após a morte de seu tatatatataravô, Lionel assume o trono como o novo rei. O antigo monarca também tinha um enorme gosto por livros e sua fixação por eles fez ele ser chamado de mago. Lionel também herdou esse gosto pela leitura e ao chegar em sua biblioteca, pegou para ler O livro das feras. Qual não foi a surpresa do garoto quando viu as criaturas do livro ganhando vida e saindo de suas páginas?  Conto que mostra que não devemos ignorar os problemas por muito tempo, pois alguma hora eles voltam para te infernizar. Um detalhe: a autora confundiu o hipogrifo, que é um ser com corpo de cavalo, cabeça e asas de águia, com o pégaso, que é o cavalo alado.

Tio James – Num estranho país chamado Rotundia, todos eram gentis. Exceto James, tio da princesa Mary Ann. Querendo se livrar da sobrinha para ficar com o reino para si, ele aproveita para fazer uma aliança com um dragão roxo que deseja devorar a princesa. Mas Tom, o filho do jardineiro,  fará de tudo para impedi-los. Conto tradicional em que o mocinho vence o vilão usando sua esperteza. O que sai do molde dos contos de fada é o jeito que narrador conversa com leitor e explica o motivo da estranheza de Rotundia.

Os salvadores da pátria – Effie sentiu algo em seu olho e pediu para seu pai ajudar a tirar. Ao ver em um microscópio, viu que era uma criaturinha parecida com um dragão. Logo depois dessa descoberta, a cidade foi tomada por vários desses dragões, que variavam bastante de tamanho. Cansados dessa praga, os irmãos Effie e Harry foram a procura de São Jorge para acabar com esses bichos. Um conto bem louco, mais destinado ao público infantil.

O dragão de gelo – George e Jane estavam admirando os fogos de artifício quando viram um pedaço da aurora boreal. Então, ambos decidiram desobedecer os pais e saíram em direção ao Polo Norte para ver a aurora boreal completa. Um conto que mostra que não se deve desobedecer os pais e que sua gentileza pode ser recompensada.

A ilha dos redemoinhos – Uma rainha foi até a morada de uma bruxa para lhe pedir um bebê. Ela recebeu a criança,  mas o rei, um feiticeiro bastante mal-educado, ficou insatisfeito, pois o bebê era uma menina e não podia herdar nem aprender suas feitiçarias. Então,  quando a princesa completou dezoito anos, ele a colocou na Torre Solitária, que ficava na ilha dos Nove Redemoinhos, e pagou um dragão e um grifo para vigiarem a moça. O homem que fosse capaz de libertá-la, teria sua mão e o trono. Um dos poucos contos em que a bruxa é boa e o rei é mau. Mas tirando isso, tem os moldes de um clássico conto de fadas. Uma boa história.

Os domadores de dragões – John era um ferreiro humilde que para fazer o seu negócio  teve que se mudar com sua esposa e bebê para as ruínas de um antigo castelo, cujos donos haviam falecido a muito tempo.  Para o seu azar, descobriu que havia um dragão na masmorra e este lhe pediu para que concertasse sua armadura, para assim devorar as pessoas da cidade. John conseguiu convencer o dragão a ser amarrado, mas como meio de John manter sua promessa, o dragão exigiu ficar com seu bebê até que sua armadura fosse consertada. Porém, John deu um jeito de enganar o dragão e deixá-lo acorrentado. Anos se passaram e um gigante apareceu, vindo em direção a cidade. Foi então que Johnnie, o filho de John, e sua amiga Tina, tiveram a ideia de deixar o dragão lutar contra o gigante. Conto em que os personagens usam da inteligência para se safarem dos problemas e um jeito criativo e imaginativo de contar a origem de um dos animais domésticos mais famosos.

O dragão feroz – A princesa Sabrinetta teve o seu reino tomado por seu primo, lhe restando apenas uma torre a prova de dragões. Um dia, ela avistou algo que parecia um dragão. Isso foi confirmado quando crianças voltaram correndo para o palácio para avisar ao príncipe. Ele tenta caçar o dragão, mas falha. Um jovem chamado Élfico lhe ajuda a capturar o dragão quando príncipe prometeu metade do seu reino e a mão de sua prima. Porém, o malvado soberano não pretendia cumprir sua promessa... E, como em todo conto de fadas, o vilão se dá mal.

O gentil Edmund – Edmund era um garoto questionador que adorava descobrir coisas. As pessoas escutavam sons estranhos, vindos de uma caverna e, como era curioso, Edmund foi até lá para ver quem fazia esse barulho. A curiosidade pode ser benéfica na hora de descobrir coisas novas, mas também pode lhe causar problemas se não tiver cuidado. Essa é uma das lições que tirei desse conto, a outra é a de que não adianta argumentar quando não se tem provas ou com pessoas céticas.

 

            Como visto nos resumos, os contos são destinados ao público infanto-juvenil, cuja maioria deles é composta por protagonistas crianças. Isso é apresentado também na linguagem que os narradores utilizam, conversando com o leitor como um adulto conversaria com um menor, mas sem de nenhuma forma, menosprezá-lo. O meu favorito foi A ilha dos redemoinhos. Recomendo a leitura. Só tome cuidado para os dragões não fugirem do livro quando abri-lo.


domingo, 24 de dezembro de 2023

Cartas do Papai Noel

 


            Para este clima natalino, nada como ler um livro com este tema, ainda mais de um autor renomado. Cartas do Papai Noel é uma coletânea de cartas escritas por J. R. R. Tolkien para seus filhos, fingindo ser o Papai Noel. Vamos para o resumo:

            Entre os anos de 1920 e 1943, o Papai Noel escreveu para os irmãos John, Michael, Christopher e Priscilla sobre sua vida no Polo Norte. Desde seu assistente, o Urso Polar do Norte, até os Homens-de-Neve e gobelins.

            Interessante como o Tolkien usa sua criatividade para contar histórias em simples cartas. Normalmente, os “Papais Noéis” não contam de sua vida para as crianças. Aqui, além do Papai Noel, personagens como o Urso Polar do Norte e o secretário elfo Ilbereth também respondem as correspondências, enviando até ilustrações e escrita do vocabulário gobelin. Pode-se ver pelas suas escritas que Tolkien tinha um enorme carinho pelos filhos.

            Porém, achei a narrativa muito infantil para o meu gosto, o que faz total sentido, pois as cartas eram dirigidas para os filhos do autor.

            Outra coisa que é bom de se acrescentar foi que em 1939 começou a Segunda Guerra Mundial e isso afetou Tolkien de tal maneira que o Papai Noel a menciona até na última carta.

            Apesar de ter achado meio boba, recomendo sua leitura para dar inspiração aos “Papais Noéis” na hora de escreverem suas cartinhas. Desejo a todos um feliz Natal. E o Urso Polar também.

           

 


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Os sentimentos de uma Inteligência Artificial

 


 

            Depois de bastante tempo, retorno com mais um livro de Kazuo Ishiguro. Klara e o Sol foi lançado em 2021 e, até o momento em que escrevo, o romance mais recente escrito pelo autor. Vamos para a resenha:

            Klara é uma AA que espera ser comprada por uma criança em sua loja. Enquanto espera, ela observa com fascínio o comportamento dos humanos pela vitrine. Nesses dias, uma menina chamada Josie conversou com ela e parecia muito interessada em comprá-la. Mas a rotina de Josie era diferente da maioria das garotas o que Klara acabaria por experienciar.

            Este é o terceiro romance que leio do autor e o segundo que trata de ficção científica. Por ter lido três desses livros, acredito que posso confirmar que seu estilo de escrita é lento, só acontecendo alguma coisa de relevante na quarta parte de um livro que é dividido em seis partes.

            Uma grande coincidência eu ter lido este livro na época em que roteiristas e atores fizeram greve, com medo da inteligência artificial roubar seus empregos. Mas ao contrário da realidade que estamos vivendo agora, a inteligência artificial deste livro já é mais avançada a ponto de ter sentimentos e até crenças. Aqui elas são conhecidas como AAs e são como se fossem robôs feitos para servir seu humano. A discussão de se deve ou não tratar uma AA como um ser humano é tratada como plano de fundo. Ao invés disso, nos focamos na rotina de Klara e o que ela faz para ajudar a sua humana Josie, que tem uma doença grave e corre risco de vida.

            Os personagens são bem humanos, tanto em qualidades quanto defeitos. Klara, apesar de ser uma AA que foi programada para observar e cuidar de seu dono, tem pensamentos próprios e através da sua observação, acaba criando sua própria crença. Josie, sua humana age bem como uma adolescente que quer ser aceita por seu grupo e se preocupa com seu futuro. Chrissie, a mãe de Josie, talvez gere certa polêmica em suas ações, mas dá para ver o quanto ela sofreu e que apesar de tudo, ela ama sua filha. Há outros personagens que compõem a narrativa, porém, evitarei falar deles para entrar em spoilers.

            O final é melancólico, mas possui algumas partes felizes, ao contrário do outro romance de ficção científica do autor, Não me abandone jamais, cujo final acaba sem esperança alguma. Recomendo a todos que gostam de livros lentos que misturam ficção científica e vida cotidiana. Que o sol ilumine os seus dias.